Análise do Episódio 7.05: “Eastwatch”

Mesmo com o conflito duradouro que tem devastado os Sete Reinos e colocado reis e rainhas (e dragões) de lados opostos do tabuleiro, Game of Thrones, estranhamente, também fala de cooperação. Desde o começo, a série tem mostrado que interesses em comum servem para unir pessoas que, sob outras circunstâncias, estariam se enfrentando no grande jogo. Isso é, em parte, uma pretensão da série, que tira grande proveito das emoções e novidades de alianças inesperadas. Para ser honesto, os roteiristas nem sempre conseguem explicar satisfatoriamente a motivação por trás dessas uniões, em termos de narrativa. Ainda assim, é simplesmente emocionante ver personagens que conhecemos e nos importamos encontrando-se (ou reencontrando-se) pela primeira vez em tanto tempo.

Era de se esperar que, depois de “The Spoils of War”, teríamos um episódio menos explosivo, que passaria por cima do espetáculo visto semana passada e aceleraria os acontecimentos, dado o fim precipitado dessa temporada. Essa pressa talvez tenha sido a maior inimiga deste episódio que se destacou pela magnitude de seus retornos e revelações.

Os primeiros minutos nos levaram diretamente ao Regicida, que, como muitos esperavam, sobreviveu à sua insensatez valente graças ao heroísmo de Bronn. O fato de ambos terem saído incólumes da batalha contra os dothraki e de confrontos diretos com o Drogon contradiz a máxima da adaptação de que “ninguém está seguro” e que “todos os homens devem morrer”. Sem falar no nível de incredibilidade da cena. Jaime não só tentou matar Daenerys, como ainda é o homem que matou o pai dela, além de ser irmão e amante da usurpadora no Trono de Ferro. Por que diabos os homens de Daenerys não procuraram pelo corpo dele no lago? E como o mercenário conseguiu arrastar o companheiro até a margem oposta? O cara estava vestindo armadura!

Tudo bem, aquela não era uma armadura propriamente dita, como Nikolaj Coster-Waldau atestou em uma entrevista. Só uma placa de metal que cobre roupas regulares de couro.

Todavia, Bronn merece, no mínimo, um castelo pelo feito.

Com a fumaça e as cinzas da guerra ainda pairando no ar e o Rei da Noite cada vez mais próximo da Muralha, “Eastwatch” marcou o momento em que os personagens deixaram de falar sobre o problema para, finalmente, fazer algo a respeito dele. A iminente chegada do Exército dos Mortos até diminuiu a tensão entre Daenerys e Cersei — mas não o suficiente. As duas rainhas são espelhos óbvios nesta temporada: os desejos populistas da Mãe de Dragões de quebrar os ciclos do passado contrastam com a atitude elitista de sua rival, que luta com todas as forças para manter o legado estabelecido pelo pai. Sei que são personagens com conceitos contraditórios, mas  contrassenso de seus ideais estão sendo apresentados desde o começo na história: Daenerys sempre tão orgulhosa em exibir sua herança valiriana e monarca e, ao mesmo tempo, desprezando e renunciando fundamentalmente à escravidão e estruturas sociais. Cersei, tão apegada ao legado da família, abdicou de membros da família e do próprio castelo e suas memórias.

Esse legado também exerce seu peso sobre Daenerys, uma preocupação que certamente cruzou os pensamentos de Tyrion enquanto ele caminhava horrorizado em meio à devastação. A angústia do anão cresceu ainda mais quando a rainha queimou Randyll e Dickon Tarly depois que eles recusaram sua oferta de dobrar o joelho pela própria sobrevivência.

A maneira honrosa com que a morte do pai de Samwell foi tratada me confundiu um pouco, mas o roteiro foi coerente ao usar o mesmo jingoísmo que levou Randyll a trair Olenna como justificativa de sua recusa à Daenerys. Os motivos de Dickon para ter seguido o destino do pai ainda são meio nebulosos já que nunca tivemos oportunidade de conhecer o personagem, mas sua morte foi conveniente para que o próprio Sam – agora dissuadido do desejo de se tornar um meistre – assuma a senhoria de Monte Chifre sem grandes entraves.

No fim, a cena não foi sobre Randyll ou Dickon, mas ainda sobre Daenerys e Cersei. Enquanto a segunda tem as vantagens de ser conhecida pelas pessoas e transmitir medo a elas, a primeira precisou calcular seus passos e usar de estratégias mais “nobres” para mostrar que não é mais do mesmo. Ir contra esses princípios tornou Dany mais parecida com sua inimiga – o que pôde ser visto no terror daqueles soldados –, mas, em contrapartida, conseguiu sua primeira vitória real em Westeros. Por mais que eu, você ou Varys discordemos das atitudes tomadas pela rainha dragão, Tyrion estava certo ao afirmar que ela não é como Aerys. Ela pode ter queimado centenas de homens vivos, mas, até agora, fez isso racionalmente, e não por causa das vozes imaginárias em sua cabeça.

Preciso dizer que, apesar das reservas que tenho a respeito da atuação de Emilia Clarke, a atriz foi muito bem no momento do discurso, o que é bom e, ao mesmo tempo, alarmante. Daenerys tem sido tão comumente retratada como tirânica na adaptação que sua interprete parece ficar à vontade nesse papel.

No que diz respeito aos monarcas, Jon é mostrado na série como a melhor escolha entre Daenerys e Cersei. Tendo a paternidade comprovada, ele se encaixaria nos requisitos da linhagem de Daenerys, mas também teria o status de “nativo” que permite que as pessoas o aceitem muito mais do que “a invasora que trouxe eunucos e bárbaros para suas costas”. O parentesco entre Jon e Dany foi um fio de trama crucial abordado essa semana. Cenas como a da aceitação de Drogon e a da quase descartável descoberta de Gilly na Cidadela aludiram às sérias implicações do sangue Targaryen de Jon e onde isso o colocaria na linha de sucessão ao Trono de Ferro (isso ainda existe?).

Para o fã casual, é possível que nenhuma das duas cenas tenha gritado algo especial. Na primeira, vimos Jon encarar Drogon, que pareceu aceitá-lo de alguma maneira. Um momento poderoso de conexão entre o bastardo, a besta e sua mãe, mas que não comprova a ligação entre Jon e Rhaegar, afinal, os dragões também pareceram aceitar Tyrion em Meereen, e ele está longe de ser um Targaryen… certo?

A segunda cena mostra Gilly lendo a passagem de um livro que trata do divórcio entre um príncipe e sua esposa, para que este pudesse se casar com outra – até ser interrompida pelas lamúrias de Sam. Eu e você, leitor deste site, sabemos muito bem que o tal “Regger” é Rhaegar Targaryen, que amava Lyanna Stark e era casado com a pobre Elia Martell (que, além de ter sido trocada pelo marido, ainda teve a família destruída na adaptação). Também sabemos que um casamento consumado, com duas crianças nascidas dele, dificilmente seria anulado, principalmente sem o apoio do rei, que dificilmente trairia a aliança com os dorneses. Espera-se que a série responda algumas perguntas acerca deste acontecimento, e a primeira delas seria: por que diabos uma informação como essa estaria escondida entre os registros das evacuações de um Alto Septão???

Por agora, tudo que podemos fazer é imaginar como outros personagens reagirão à descoberta. Principalmente Daenerys.  Ela aceitará outro governante de mesma dinastia? Sua determinação em presidir sobre os Sete Reinos é verdadeiramente para o povo, ou para seu próprio ego?

A cena do livro não foi a única que se passou em Vilavelha. A carta de Wolkan, que alertou o reino a respeito dos Caminhantes Brancos nas visões de Bran, foi recebida pelo Conclave como todos os apelos de Samwell. Esse foi o estopim para que o noviço abandonasse de vez o lugar. A trilha que embalou a despedida de Sam da grande biblioteca foi uma versão mais triste daquela que ouvimos quando ele pisou pela primeira vez no lugar, traduzindo perfeitamente o desapontamento do rapaz.

Por mais que eu tenha apreciado a brilhante contribuição de Jim Broadbent para a série, a maneira como ele foi aproveitado não me agradou tanto, ainda que eu tenha entendido a mensagem por trás dela. Se Ebrose não teve um papel significativo na cura de Jorah, por que não trazer Marwyn para a série no lugar dele? No livro, poucas pessoas acreditam nas histórias do Sam, mas pelo menos alguém acredita.

De qualquer forma, Tarly estava certo quando, ecoando as palavras do pai, concluiu que tudo o que aqueles velhos fazem é “ler sobre os feitos de homens melhores”.

Em Winterfell, vimos Mindinho retomar a boa forma ao estabelecer as bases de um plano para separar Sansa e Arya. Diante do misticismo que tomou conta do lar dos Starks com a chegada dos irmãos dados como mortos, as maquinações de Lorde Baelish perderam espaço. Incapaz de tomar parte nas políticas nortenhas dada a atual resistência de Sansa, o Senhor Protetor do Vale encontrou uma forma duvidosa de usar a desconfiança de Arya a seu favor. A montagem tosca que, inicialmente, parecia uma missão stealth da Arya, revelou-se como um estratagema do próprio Mindinho.

Enquanto os detalhes do plano de Baelish ainda são desconhecidos para nós, o conteúdo da carta encontrada por Arya não é. Quando Cersei prendeu Ned Stark na primeira temporada, Sansa tornou-se refém de Casa Lannister, e foi forçada a escrever uma carta para Robb, implorando que ele dobrasse o joelho para o novo rei, Joffrey. Robb e Meistre Luwin sacaram de imediato que aquelas eram as palavras da rainha, mas Arya não tem conhecimento disto.

Robb, eu te escrevo com um coração pesado. Nosso bom rei Robert está morto, morreu com várias feridas em uma caçada de javali. Nosso pai foi acusado de traição. Ele conspirou com os irmãos de Robert contra o meu querido Joffrey e tentou roubar seu trono. Os Lannisters estão me tratando muito bem e me proporcionaram todo o conforto. Peço-lhe: venha para Porto Real, jure lealdade ao rei Joffrey e evite qualquer conflito entre as Casas Lannister e Stark.

Na sexta temporada, Arya ficou dividida entre o ser “ninguém”, que significaria matar Lady Crane, e o ser ela mesma, que significaria seguir sua vingança e voltar para casa. Para que serviu toda aquela batalha interna se, neste episódio, tudo o que ela sugere quando ouve os vassalos reclamarem da ausência de Jon é cortar as cabeças deles (duh!)? Para mim, ela soou exatamente como a Criança Abandonada que a perseguiu pelas ruas de Bravos em “No One”. Esvaziar os personagens de caráter é a maneira mais fácil de fazer com que eles atendam a qualquer demanda do roteiro, e seria triste ver uma das personagens mais queridas dos fãs como outro exemplo desse processo.

Sobre “Eastwatch” e a força da cooperação, um dos temas mais otimistas em Game of Thrones: é interessante perceber que, no fim no episódio, vemos como um grupo improvável de homens, que não teriam motivo para valorizar as vidas um do outro, consegue se unir nesta era da escuridão, segundo ato de suas jornadas. Arya e Sansa não conseguem.

Falando na Arya, seu amigo perdido, Gendry, fez sua primeira aparição depois de quarto temporadas. O paradeiro do personagem foi amplamente discutido durante esse tempo e, ao contrário do que muitos acreditavam, ele não estava remando. A melhor parte deste retorno é que, mesmo depois de anos, ele ainda tem um valor narrativo real. Com tantas outras Grandes Casas extintas, Gendry representa uma última chance para os Baratheons. Sob as circunstâncias certas, ele poderia se tornar o novo Senhor de Ponta Tempestade. E quem melhor para fazer isso acontecer do que um certo rei bastardo?

Ignorando todos os avisos de Davos, Gendry, em um movimento ousado, apresentou-se para Jon como filho do Usurpador, bem debaixo das asas de Daenerys. A camaradagem rápida e fácil entre Jon e Gendry foi palpável e a conexão entre eles lembrou alguns dos bons momentos entre Eddard e Robert, principalmente a cena do primeiro episódio em que os dois se cumprimentam no pátio de Winterfell.

Engraçado notar também que, enquanto os rapazes se reconhecem como filhos de dois velhos amigos, Gendry é, na verdade, filho do homem que matou o pai biológico de Jon.

A dinâmica de pai e filho entre o Cavaleiro das Cebolas e “Clovis” (seria mais legal se tivessem escolhido “Edric”) também foi cativante. Enquanto um é o filho não reconhecido de um Baratheon, o outro perdeu o filho enquanto lutava pelos Baratheons. Pode ser viagem minha, mas, talvez, Gendry seja mais do que um “filho postiço” para o Davos. Talvez, o jovem seja, também, uma forma do contrabandista se manter fiel à Casa que serviu por tantos anos.

Em várias ocasiões, os showrunners decidiram beber da rica mitologia de George R. R. Martin, roubando pequenos pedaços da história westerosi, e adaptando-os à narrativa atual. A explosão do Septo de Baelor ecoou uma passagem de “O Festim dos Corvos” em que Cersei queima a Torre da Mão, bem como a já mencionada destruição do Septo da Memória por Maegor, o Cruel. O episódio anterior também reviveu acontecimentos da batalha conhecida como Campo de Fogo, e, agora, vemos Gendry e seu martelo de guerra servirem como reflexo de Robert Baratheon em seus anos áureos.

O plano de Tyrion também surgiu a partir de um acontecimento dos livros (como David e Dan confirmaram no Inside the Episode) que até foi mostrado na série, mas não teve grandes repercussões. Depois que os mortos tentaram matar o Senhor Comandante Jeor Mormont em Castelo Negro, ele enviou Alliser Thorne para Porto Real, carregando a mão de uma das criaturas. Em “A Fúria dos Reis”, Thorne chega à capital, mas a mão que carrega com ele está apodrecida, e isso faz com que ele seja zombado pelo próprio Tyrion. Poético.

Por mais ruim, preguiçoso, incoerente e logisticamente improvável que seja, o planoTM ainda nos ofereceu alguns desdobramentos interessantes. O reencontro entre os irmãos Lannister foi o primeiro deles (obrigado mais uma vez, Bronn). Como de costume, Peter Dinklage e Nikolaj Coster-Waldau tiveram ótimos desempenhos. Depois de um ano inteiro bebendo vinho e contando piadas ruins em Meereen, eu fiquei feliz de ver o anão em uma cena com a carga dramática que ele merece. Pena que foi rápida.

Assim como Dinklage e Waldau, Lena Headey foi pontual ao conduzir a cena em que Cersei revela sua gravidez para Jaime, assim como fez na cena anterior do casal, onde permitiu que a personagem sofresse de maneira contida ao saber do envolvimento de Olenna na morte de seu primogênito. Me pergunto se esse novo filho não é um plot device para manter Jaime ao lado da irmã por mais tempo. Em “Dragonstone”, o Regicida denotou preocupação com o legado da Casa Lannister. Para quem o reino seria deixado? Agora, ele tem uma resposta. Contudo, tanto Cersei quanto a audiência sabem que essa criança não vai vingar.

Lembram das palavras de Maggy, a Rã?

“O rei terá vinte filhos. E você terá três. Suas coroas serão de ouro. De ouro serão suas mortalhas.”

Talvez a rainha tenha recorrido à Qyburn para encontrar um meio de contornar a profecia, mas, como outro grande autor gosta de escrever, “o destino é inexorável”. Tendo isso em mente, é bem provável que a criança morra antes de nascer – e eu não queria ser o Jaime quando isso acontecer.

Assim como na semana passada, foram os minutos finais que ficaram na minha cabeça quando o episódio acabou. Contrapondo o final de “The Spoils of War”, Matt Shakman fechou “Eastwatch” com um momento mais íntimo, que sintetizou perfeitamente o emaranhado de linhas que ligam os personagens de Game of Thrones.

Em nome do rei Robert, Ned Stark, “pai” de Jon, enviou Beric e Thoros às Terras do Rio para que eles caçassem o irmão de Sandor Clegane. Foi a Irmandade formada por eles que “vendeu” Gendry, filho de Robert, a Melisandre – tudo segundo a vontade do Senhor da Luz. Esse mesmo deus foi o responsável pelas ressurreições de Beric e Jon, além de ter tomado a vida do rei a quem Tormund servia. Sandor era o “cão” do rei que sentenciou o pai de Jon à morte, e também é o homem que salvou as vidas de suas irmãs. Ned Stark condenou Jorah à morte pela venda de escravos. Jon serviu na Patrulha da Noite sob o comando do pai de Jorah, frequentemente combatendo forças lideradas pelo Terror dos Gigantes. Tormund ama Brienne, e o Cão lutou contra ela. Sor Jorah e Thoros, por sua vez, lutaram juntos na Rebelião Greyjoy. Jon carrega a espada que era destinada à Jorah, e ainda podemos esperar uma leve tensão entre eles visto que ambos são tidos como parceiros românticos “extraoficiais” de Daenerys.

Desatar esse nó pode ser complicado, mas renderia ótimos diálogos, diálogos que alimentariam uma temporada inteira, mas que, infelizmente, terão de ser condensados nos dois últimos episódios. Mesmo assim, qualquer pessoa que tenha jogado Final Fantasy ou assistido a “O Senhor dos Anéis” reconhece a importância de ver esse grupo de heróis desajustados reunindo-se e partindo para completar uma quest.

Apesar das escassas probabilidades de sucesso, esta missão além da Muralha mostra que, mesmo em meio ao caos, alguns estão preparados para fazer o sacrifício necessário para salvar a humanidade. Como vimos através dos olhos de Bran naquela incrível sequência de CGI, a morte espera por estes homens, e o destino deles pode representar o destino de todos que vivem no sul. Até o número de membros da expedição evoca o simbolismo dos Sete Reinos que eles pretendem proteger.

Um detalhe relevante que pode ter passado despercebido é que, contando os personagens conhecidos e os figurantes, cerca de doze homens atravessaram os portões de Atalaialeste – um número semelhante ao de seguidores do Último Herói, guerreiro lendário que viveu no período da Longa Noite e que pode (ou não) ser uma figura análoga à de Azor Ahai e do Príncipe que Foi Prometido.

Segundo a Velha Ama, o herói partiu com uma dúzia de companheiros para buscar ajuda dos Filhos da Floresta contra os Outros, vencendo a Batalha pela Alvorada e dando origem, posteriormente, à própria Patrulha da Noite.

E assim, enquanto o frio e a morte enchiam a terra, o último herói decidiu procurar os filhos da floresta, na esperança de que sua antiga magia pudesse reconquistar aquilo que os exércitos dos homens tinham perdido. Partiu para as terras mortas com uma espada, um cavalo, um cão e uma dúzia de companheiros. Procurou durante anos, até perder a esperança de chegar algum dia a encontrar os filhos da floresta em suas cidades secretas. Um por um os amigos morreram, e também o cavalo, e por fim até o cão, e sua espada congelou tanto que a lâmina se quebrou quando tentou usá-la. E os Outros cheiraram nele o sangue quente e seguiram-lhe o rastro em silêncio, perseguindo-os com matilhas de aranhas brancas, grandes como cães de caça.

(A Guerra dos Tronos, Capítulo 24, Bran IV)

Como vocês podem ver no trecho em destaque acima, a lenda também conta que, de todos os homens que se aventuraram naquela jornada, apenas um sobreviveu. Vamos torcer para que D&D tenham esquecido este ponto.



Notas Finais

✖ Onde a Muralha encontra o mar: Atalaialeste ficou o máximo! E até fez sua primeira aparição na abertura. Queria que Rochedo Casterly e Jardim de Cima tivessem recebido o mesmo carinho.

✖ Até que o Martin nos separe: A título de curiosidade, GRRM já afirmou que divórcios não são nada comuns em Westeros, embora eu imagine que, pelo menos na série, esse costume possa se dobrar à vontade de reis – ou, quem sabe, até de príncipes.

Poligamia, por outro lado, foi bastante usual por um tempo, inclusive entre Targaryens. Se a tal legitimação de Jon ocorrer nos livros, acredito que este será um dos caminhos mais possíveis.

Além do pedido de anulação ao Alto Septão, outra forma de terminar um casamento seria obrigar a esposa a se juntar às Irmãs Silenciosas, mas “Ragger” não faria isso… Faria?

✖ O Príncipe que Não Foi Prometido: Em quase todos os episódios escritos pelo Dave Hill, vimos personagens dividirem suas visões romantizadas do Príncipe Rhaegar. Seria legal se, para variar, víssemos alguém (além de Robert e Oberyn) ressaltar o quão sacana ele foi por ter feito o que fez com a Elia.   

 ✖ Nossas mãos fedem: O caranguejo fermentado do Davos foi uma clara homenagem ao pai dele.

 ✖ Poor Old Dead Ned: Um dos mantos dourados assassinados pelo martelo de Gendry foi interpretado pelo comediante Kevin Eldon, “ator que interpretou o ator que interpretou” o Ned Stark na peça de Izembaro, em Braavos.

 ✖ Irmão mais novo: Alguns fãs acham que o novo filho da Cersei pode ser o valonqar da profecia, e que a rainha morrerá em decorrência da gravidez.

  1. A parte da profecia que se refere ao valonqar (ainda) não foi mostrada na série.
  2. Como o bebê vai enrolar as mãos na pálida garganta branca da Cersei e estrangulá-la até roubar-lhe a vida?

✖ Anônimo: No cânone, Altos Septões não utilizam nomes próprios. O Maynard visto na série pode ser referência a um personagem importante das Aventuras de Dunk & Egg.

✖ Movimentos peristálticos: O livro que Gilly estava lendo deve ter sido uma piada dos produtores com o livro que Sam encontra na livraria de Castelo Negro em “O Festim dos Corvos”.

Depois de passar horas na cadeira, as costas de Sam estavam rígidas como uma prancha, e ele sentia as pernas meio adormecidas. Sabia que não seria suficientemente rápido para apanhar o rato, mas talvez conseguisse esmagá-lo. Junto ao seu cotovelo encontrava-se uma maciça cópia encadernada em couro dos Anais do Centauro Negro, o exaustivamente detalhado relato do Septão Jorquen acerca dos nove anos que Orbert Caswell servira como Senhor Comandante da Patrulha da Noite. Havia uma página para cada dia de seu mandato, e todas pareciam começar com: “Lorde Orbert levantou-se à alvorada e moveu as tripas” exceto a última, que dizia: “Lorde Orbert foi encontrado morto ao amanhecer”.

(O Festim dos Corvos, Capítulo 5, Samwell I)

Foi uma piada ruim.

✖ Another Face in the Wall: A serva com quem Mindinho estava falando é uma das dublês de Emília Clarke na vida real. O foco que foi dado no rosto dela talvez seja um indicativo de que alguém (ou “ninguém”) pode vir a usá-lo no futuro.

✖ As guerras que virão: As palavras de Jon na despedida à Daenerys foram as mesmas ditas por Mance Rayder e Arthur Dayne pouco antes deles morrerem. Nem um pouco romântico.

✖ A mulher grande: Também senti falta de Brienne na expedição além da Muralha. E Fantasma, é claro. O comentário de Sansa a respeito do lobo estar sempre esperando por Jon foi como jogar sal numa ferida.

✖ Maomé vai à Montanha: A montanha que aparece no trailer do próximo episódio é a mesma que o Cão de Caça viu nas chamas e a mesma que Bran viu na sexta temporada, quando visitou o vale habitado pelos Filhos da Floresta no passado.

Gelo. Um muro de gelo. A Muralha. É onde a Muralha encontra o mar. Tem um castelo lá. E uma montanha. Parece a ponta de uma flecha. Os mortos estão passando por ela. Milhares deles. (Visão de Sandor no episódio “Dragonstone”)

 ✖ Teletransportes: Podemos até aceitar a desculpa de que cada núcleo tem sua própria cronologia e o fato de que a série não tem tempo suficiente para mostrar os personagens viajando, mas os teletransportes sempre vão incomodar. Abaixo, é possível conferir um mapa que busca comparar a jornada do exército do Rei da Noite desde “Hardhome”, em comparação à jornada de Jon desde o mesmo episódio:

É interessante destacar que, na verdade, o exército de Walkers visitou a caverna do Corvo de Três Olhos no processo, e que desconhecemos o mapa das Terras de Sempre Inverno em absoluto. Na verdade, ainda desconhecemos muita informação sobre os White Walkers, exceto essa: eles não parecem estar com pressa, afinal de contas, esperaram milhares de anos para isso.


O Podcasteros do episódio deverá sair em breve.

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