Emilia Clarke para o Dia das Mulheres: “Não preciso justificar minhas cenas de nudez”

Neste 8 de março, dia Internacional das Mulheres, Emilia Clarke foi convidada pela equipe do Huffington Post UK para escrever um editorial temático para o site. Trata-se de um projeto que será realizado durante todo o mês de março, chamado All Women Everywhere, uma plataforma que compartilhará ideias de mulheres que são a voz da Inglaterra hoje.

Reproduzimos na íntegra o texto da atriz:

Imagem: REUTERS/Mike Blake

O NOVO SEXY

Minha vida foi moldada por valores verdadeiros de igualdade; Nunca ouvi que “na hora de fazer malcriação Emilia é tão capaz quanto o irmão!”, isso foi gravado em cada ação, escolha e comportamento da minha família.

Era uma questão reconhecida que eu, como mulher, não era diferente do meu irmão. Assim como minha mãe não era diferente do meu pai com sua carreira, portanto, eu fui criada com uma renda igual, em uma casa administrada em equilíbrio, onde eu aprendi que um homem poderia fazer qualquer coisa, e que uma mulher poderia e deveria fazer qualquer coisa também.

Então eu cresci com uma voz, mas essa voz não era compartilhada com a minha geração, e foi só muito mais tarde que eu me dei conta do começo de vida incrivelmente feminista que meus pais haviam me dado.

Nos últimos meses, todos assistimos a uma grande mudança na forma como as mulheres estão fazendo suas vozes serem ouvidas em coletivo. A Marcha das Mulheres de 21 de janeiro reuniu mais de cinco milhões de pessoas em todo o mundo – nos dando poder para ver o que podemos fazer para que esta seja uma mudança que chegou aqui para ficar.

Eu não sei vocês, mas há dias onde eu me sinto como uma feminista culpada. O que estou realmente fazendo todos os dias para defender os direitos das mulheres? Minhas experiências pessoais, e minha compreensão dos maiores problemas de desigualdade, não são suficientes. Em que posso participar, contra o ódio e a opressão, para assegurar que o movimento das mulheres continue e se fortaleça e cresça?

Portanto, ser convidada para esta edição do All Women Everywhere do The Huffington Post UK não é uma tarefa que eu esteja realizando com tranquilidade.

Como minha melhor amiga diria, eu sou uma girl-boss, e eu estou em uma indústria onde se eu falar contra a desigualdade, tenho uma plataforma, e posso ter sorte de ter a oportunidade de ser ouvida. Os papéis em que trabalhei me deram um bom panorama sobre o sentimento de ser uma mulher que enfrenta a desigualdade e o ódio, e que se coloca no mundo como feminista.

Apesar disso, ainda me vejo em situações onde pessoas assumem que sou fraca porque sou mulher; o que me forçou a enfrentar essas situações e aceitar suas as consequências.

Recebo tratamento igualitário no trabalho? Nem sempre. Todas as mulheres recebem tratamento igualitário? Não, e as estatísticas provam. Sou entrevistada em junkets de imprensa por homens e por mulheres, mas especificamente porque todos terão uma boa manchete que destaca as palavras de uma mulher jovem? Sim.

Se você assistiu Game of Thrones, então, spoiler, você vai ter me visto nua. Há muitas maneiras pelas quais as pessoas querem que eu responda perguntas sobre esse fato. E muitas razões pelas quais eu não sinto a necessidade de me justificar.

Acredito que todos nós temos a oportunidade de nos defender como mulheres em nossas vidas comuns. Eu acredito que todos nós temos o poder de substituir o ódio com justiça, generosidade e bondade.

Isso não precisa ser uma mudança sísmica que todos nós temos que aprender. Eu acredito que nós, como seres humanos, (gênero não importa) temos a oportunidade de combater o ódio por conta da maneira que nos comportamos uns com os outros. Não apenas durante os momentos pontuais, mas durante o cotidiano, no dia a dia.

Acredito que podemos começar com bondade.

Bondade. Eu sei, É uma palavra um pouco fora de moda, não é? Mas seus resultados são bacanas. Eles são imediatos e são reais. Um ato de bondade pode levar o seu dia de suportável para agradável em um piscar de olhos. Porque ser bondoso é mostrar para alguém que essa pessoa é vista e ouvida, e que realmente importa. E isso é sexy.

Por exemplo, ter a confiança para olhar alguém nos olhos, e falar com eles como um igual, independentemente do seu sexo, raça ou sexualidade – isso é bondade. É um pequeno gesto que mostra para a pessoa que ela é reconhecida. Imagine, só por um momento, se todos nós fossemos gentis uns com os outros aos poucos, no dia a dia, em um nível sincero, não seria algo realmente incrível?

Acredito que o sucesso de uma mulher é vantagem para todas as mulheres. E eu acredito que é uma escolha de cada mulher ser capaz de viver sua vida como ela quiser… que todas nós somos girl-bosses e o poder da girl-boss é que nos preocupamos um pouco mais com aqueles que nos rodeiam.

Pequenos atos de bondade podem somar à um grande movimento. Neste Dia Internacional da Mulher eu não estou propondo uma grande ideia, vou deixar isso para os líderes e políticos; Em vez disso, proponho que cada um de nós possamos re-energizar o nosso gene da bondade, dar-lhe poder e compartilhá-lo uns com os outros, com nossas irmãs e irmãos.

Como eu li recentemente, a bondade é sexy, é bom para nós, nos faz sentir felizes e valorizados. A ação positiva começa com pequenas ações individuais que se acumulam ao longo do tempo e se tornam um movimento… um movimento em direção a uma sociedade mais igualitária, onde a bondade ancora nossos pés no chão enquanto nos dá o impulso para nos manter juntos na jornada.

Com a minha voz, espero que a mentalidade feminista que minha família colocou em mim se torne o novo normal, e que meninos e meninas sejam criados sabendo que são iguais.


Game of Thrones retorna no próximo semestre, ainda sem data definida.

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