Produtora conta as inspirações do mundo real para os cenários de Game of Thrones

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O design de Meereen foi inspirado no trabalho do arquiteto Frank Lloyd Wright e sua referência à civilização maia.

Designer de produção de Game of Thrones, a australiana Deborah Riley, conversou com o Curbed sobre os lugares do mundo real que ela usa para criar os cenários da série de TV.

Riley se tornou integrante da equipe durante a quarta temporada de Game of Thrones, substituindo Gemma Jackson. Nos extras do box da terceira temporada, Gemma contou que decidiu abrir mão do emprego por conta das exaustivas horas de trabalho, que estavam tomando conta de sua vida pessoal. Então a nova integrate abraçou o projeto dando continuidade ao mundo extremamente sensível, elogiado e premiado da designer anterior. Mas a HBO fez a escolha certa: Riley é arquiteta, diretora de arte e tinha em seu currículo obras de bastante expressividade como ter sido braço direito de Baz Luhrmann em Moulin Rouge e Alejandro Iñárritu em 21 Gramas, além de ter sido diretora nas cerimônias das Olimpiadas de Verão de Sydney em 2000.

A ideia que ela tinha para Game of Thrones era a de tornar as locações da série cada vez mais realistas, no sentido de fazer com que o telespectador sentisse que Westeros é um mundo real. Para isso, ela decidiu usar cada vez mais locações reais e distintas para que a diferença entre núcleos dentro da história fosse ainda mais perceptível.

Para a sexta temporada em específico, Riley está animada para nos apresentar o que fez com a Vaes Dothrak, que será inspirada nos edifícios criados pelo arquiteto Arthur Charles Erickson. Pois é. Ela mesmo diz que tiram sarro dela na equipe de produção por conta das referências modernas que ela leva pra dentro de um pensamento de fantasia.

A seguir, o relato que ela deu sobre algumas das construções da série, vistas em temporadas anteriores:

OS INTERIORES DA PIRÂMIDE DE MEEREEN: O Revival Maia por Frank Lloyd Wright
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“Acho que o revival do período maia de Frank Lloyd Wright foi uma enorme influência sobre o mundo de Meereen e Daenerys. O importante sobre o trabalho dele, e sobre essa época em particular, é que estes edifícios têm uma certa domesticidade, mas eles também passam um sentimento monolítico e antigo ao mesmo tempo. Há a sensação de que eles poderiam estar dentro de uma pirâmide. Você entende que as pessoas poderiam realmente viver lá.

Isso foi fundamental para nós descobrirmos como desenhar os salões de Dany, por exemplo. Como se fazer sentir que estávamos dentro de uma pirâmide, mas também em um lugar que alguém teria uma vida confortável? Estou aqui em Los Angeles, então usei como referência a Hollyhock House e a Ennis House. É uma série de TV, por isso tivemos que trabalhar muito rápido. Sou grata por ter me formado em arquitetura e entender como a arquitetura molda civilizações.”

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Helen Sloan/HBO

O BANCO DE FERRO DE BRAVOS: Arquitetura para o Terceiro Reich

“David e Dan (David Benioff e DB Weiss), os showrunners, queriam algo que transmitisse a riqueza e o poder do banco. A questão era como trazer a intimidação da arquitetura de Albert Speer (arquiteto de Hitler) para o mundo desses banqueiros. Acho que funcionou perfeitamente. O projeto também estabeleceu uma estética muito diferente em relação a Porto Real, com aquela arquitetura bem mediterrânea que tinha sido estabelecida na série.

Speer criou um longo corredor, todo o trabalho dele era sobre escala. Apenas escala absoluta, e muita propriedade sobre o uso de psicologia do espaço. Isso realmente me fascina, ele usou manipulação desde o início, algo que tentamos adotar. O importante sobre essas cenas no Banco de Ferro é que você entenda imediatamente quem está no controle.

Não há objetos em cena, nada em cima daquela grande mesa. É algo deliberado. Pergaminho e pena ficaram fora de vista, para aparecer apenas caso fosse necessário, eu queria criar um senso de disciplina, de uma maneira bem extrema. É uma sensação muito visual de poder. Eu gosto dessa idéia de manipulação, sobre quem está no controle. ”

CASA DO PRETO E BRANCO: Varanasi, India

Macall B. Polay/HBO

Macall B. Polay/HBO

“David e Dan disseram que para o exterior do edifício deveria ter uma porta e nenhuma janela, para ser a Casa do Deus de Muitas Faces. Arya não teria idéia do que encontraria ali dentro quando chegasse ali, então o edifício não deveria ter um rosto também. Procurei referência em Varanasi, na margem do Rio Ganges, e como aqueles edifícios se projetam para fora da água.

Para o Salão das Faces, procurei as Grutas de Ellora na Índia Ocidental, como são antigas as esculturas, e como os desenhos eram incrivelmente complexos. Há também um templo em Hong Kong chamado de Templo de 1.000 Budas, que tem literalmente milhares de Budas. Então, se você coloca essas duas coisas em sobreposição, você literalmente tem o Salão das Faces. Eu queria que os rostos fizessem parte do edifício, não como uma biblioteca. Você não pode deixar a lógica ficar no caminho do seu cérebro, às vezes. Começamos a pensar sobre como os personagens iriam encontrar a sala com todos os rostos, o caminho que fariam, mas a complexidade teve que ser deixada de lado por causa de dificuldade de filmar o que havíamos pensado. Então criamos escadas, que são uma imagem muito mais forte.

Quando filmamos, tivemos 600 rostos protéticos em exposição, com diferentes graus de detalhe. Alguns eram extraordinariamente detalhados. No set há até mesmo rostos de nossos produtores; o rosto da senhora que Arya toca é o rosto da mãe do chefe do departamento de próteses. Muitas pessoas cederam seus rostos para a nossa arte.”

PALÁCIO EM DORNE: Real Alcazár de Sevilha

 

Real Alcazar - Macall B. Polay/HBO

Real Alcazar – Macall B. Polay/HBO

“Eu escolhi usar o Real Alcázar porque tinha estado lá antes como um turista. Tinha sido há muitos, muitos anos antes. Quem teria pensado que eu estaria filmando lá anos mais tarde? O fato de que eles nos permitiram usar as locações foi incrível. Eles fecham partes da forteleza quando necessário. Uma das coisas maravilhosas que vou levar da série é a oportunidade que tive de andar através daqueles jardins no caminho para o trabalho todas as manhãs.

Tudo tem que ser muito bem pensado antes de filmar lá, porque nos confiaram aquele local. Temos que ter tudo aprovado, e não podemos marcar ou prejudicar o edifício original de forma alguma. É como quando nós filmamos no Palácio de Diocleciano. É uma ruína romana antiga que temos de respeitar, mas, ao mesmo tempo, para nós, é a casinha dos dragões. Mas todas essas locações nos fornecem o tipo de realidade que não poderiamos obter de outra maneira. É um enorme privilégio poder filmar nesses locais que são patrimônio da UNESCO. É incrível!

 

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