George R. R. Martin discute falta de diversidade racial em Game Of Thrones e As Crônicas de Gelo e Fogo

Uma das maiores críticas a Game of Thrones, além da insistência da série em subestimar e brutalizar as personagens femininas – é a falta de diversidade e a problemática representação racial na história. Com a popularidade crescente da série, Martin recentemente respondeu  uma comentarista que se identificou como uma mulher negra, em seu site, a respeito dessa problemática em seu trabalho.

emilia-clarke-as-daenerys-targaryen-nathalie-emmanuel-as-missandei_photo-macall-b-polay_hbo

@samara21: Eu sou uma mulher Afro-Americana e uma fã devota de GOT desde o início, mas a falta de diversidade, tanto na série quanto livros tem me incomodado recentemente. […] Até agora na série, há apenas uma mulher negra com falas e estou amando que ela esteja recebendo um enredo romântico também, mas que não foi suficiente para mim. […] Eu vi o novo elenco e eu aplaudo a seleção de DeObia Oparei mas por que todos os negros da série devem ser servos, guardas, ou charlatães?

George então respondeu sua leitora:

Westeros acerca de 300 AC nem de longe é tão diversa quanto a América do século 21, é claro … mas com o que foi dito, eu tenho alguns personagens de cor que terão papéis um pouco maiores em Os Ventos do Inverno (The Winds Of Winter). Na verdade, esses são personagens secundários e terciários, embora não sem importância.

É claro que eu estou falando sobre os livros aqui, e você está falando sobre a série, que é uma coisa à parte. Eu acho que a HBO e [os criadores da série] David Benioff e Dan Weiss estão fazendo o que podem para promover a diversidade, bem como, nós vimos a seleção de Areo Hotah, que você menciona. Claro, Hotah é um guarda … mas ele também é um personagem com ponto de vista nos livros, um guerreiro corajoso e leal.

É estranho que Martin comente sobre a diversidade em Westeros comparando a um determinado período de tempo, como se fosse um fato histórico e não um universo fantástico criado por ele mesmo e povoado exatamente como ele deseja. Ele disse no passado que Westeros se assemelha a Inglaterra, mas se ele povoa a sua Inglaterra fictícia com zumbis de gelo e dragões, não há nenhuma razão para supor que mais alguns ocupantes não-brancos possam fazer parte desse mundo. A política de Martin aqui lembra a mesma coisa aqui que ele fez quando surgiu a polêmica em torno cena de sexo da temporada passada entre Jaime e Cersei. Quando ele não quer assumir a responsabilidade por um problema, ele procura se distanciar da força criativa por trás da série da HBO.

daenerys_missandei

Quando ocorreu uma discussão semelhante em seu LiveJournal no ano passado a respeito de Pedro Pascal ser escalado como Oberyn Martell, ele também comentou: “É verdade que perdemos vários personagens negros que aparecem nas novelas (Chataya e Alayaya, Jalabhar Xho, Belwas o Forte) , mas para equilibrar isso, personagens como Salladhor Saan e Xaro Xhoan Daxos, ambos brancos nos livros, foram interpretados por atores negros. Missandei também, embora nos livros, os Naathi sejam de pele dourada, não brancos. “

Ele também acrescentou no ano passado, “O texto – os livros –  são, na verdade, a única coisa que posso controlar, mas o que eu posso dizer, com alguma certeza, é que haverá pessoas de cor nele.”

vento cinzento

Então o que podemos esperar em Os Ventos do Inverno? Como Martin disse, ele provavelmente irá trazer personagens que já conhecemos, que vão assumir papéis maiores na história (e muitos, como Belwas, O Forte, que nós provavelmente nunca chegaremos a ver na tela). Mas talvez possam aparecer alguns novos personagens de Yi Ti ou de outro país asiático que Martin resolva incluir em seu mundo. Quando outra fã perguntou a ele sobre a falta de representação asiática em ambos os livros e série, Martin observou:

“Bem, Westeros é análoga a uma versão fantástica das ilhas britânicas em seu mundo, por isso é um longo, longo caminho até a Ásia. Não havia um monte de asiáticos na Inglaterra York também.

Isso não é sugere que tais lugares não existem, no entanto.Você vai querer ver The World Of Ice and Fire quando for lançado em outubro. Na seção “Outros lugares”, você vai encontrar um monte de material sobre Yi Ti, a ilha de Leng, e as planícies de Jogo Nhai, que você pode achar interessante.”

GOT_Mhysa

É interessante ressaltar que a atriz Jessica Henwick, que irá interpretar Nymeria Sand, uma das Serpentes da Areia é metade chinesa. Claro, uma personagem asiática não irá resolver o problema racial em Game of Thrones, mas pelo menos, pode dar a Martin algo para pensar enquanto ele trabalha em The Winds of Winter. Ele tem sua própria história para contar, é claro, mas não há nada impedindo que ele seja influenciado positivamente por uma discussão sobre a representação racial em seu mundo fantástico.

Por enquanto, parece que as pessoas negras da série continuarão sendo servos, guardas, ou charlatães, o que não nos impede de continuar reclamando.

Fontes: [The Mary Sue, Vanity Fair, WSJ]

Compartilhe:

Ao comentar no site você aceita as regras previamente estabelecidas.

Posts Relacionados

  • Vinícius Davidosiki

    A questão é realmente válida e muito importante, concordo que não exista uma grande diversidade de cores, principalmente entre os personagens principais. O problema é que a etnia westerosi é quase predominantemente branca e ficaria incoerente mudar isso apenas para abranger outras culturas, enfim, o universo criado por Martin é imenso e cheio de possibilidades, fica ai a esperança de que personagens negros ou orientais sejam mais explorados, seja nos livros quanto na série.

  • Renan Maneli Mezabarba

    As opiniões são livres. A minha é a de que ele escreve o que quiser e, igualmente, quem quiser ler… que leia. É só uma ficção isso aí, que não precisa se pautar por qualquer padrão moral, demográfico, ideológico, estatístico, político, etc. que alguém tenha. É isso.

  • Tiago Matos

    Eu acho que uma obra literária não tem obrigação de fazer inclusão, seja social, seja racial ou de gênero, ainda mais um obra que se inspira na nossa era medieval, a autora chega até a abordar essa questão afirmando que se trata de uma obra de fantasia e td é conforme a vontade do autor, mas ainda assim esse autor se inspira em algo e nisso vejo motivos para ele manter a estrutura social da obra como ela é. Qual será a próxima reclamação? Que George R. R. Martin promove a segregação social pelo fato de Westeros ser uma monarquia absolutista e separa as pessoas entre as de baixo nascimento e as de alto nascimento?

  • Desertneo Legends

    Quantos personagens não-brancos existem em O Senhor dos anéis? por que não vejo ninguém reclamando disso? Deixem o cara escrever em paz! se o cenário dele tem mais brancos, mais negros, mais pardos, mais rosa-choque é oque menos interessa!
    ele narra inúmeras guerras e matanças e o pessoal acha ótimo, mas se o equilíbrio étnico não for mantido já começam a reclamar :'(

  • Bel Ribeiro

    Mais um ótimo texto Lidiany. Sempre fico feliz em encontrar mais pessoas nesse fandom que sabem que gostar de uma coisa não é ignorar os seus defeitos, que nosso papel como fãs e consumidores também é questionar, sim. Se não para mudar a obra, para pelo menos gerar discussão, novos questionamentos e exercitar nossos neurônios.

  • Igor

    Deixa o cara escrever gente… Temos que ver o final dessa história. Tenho orelhas grandes e nem por isso fico pedindo um personagem de orelhas grandes também.

  • Caio Oliveira

    Acho que não da para fazer uma mistura maior, é como Martin disse sobre os “lugares”, Yi-Ti e as Ilhas do Verão têm suas características étnicas assim como Westeros tem as suas. Jalabhar Xho é um personagem que está presente desde o primeiro livro, mas fica sempre em segundo plano, mal tem falas. Mas pelo que me lembre bem temos outros personagens que ganham destaque ultimamente como Moqorro e Sarella Sand, e até Sam foi ajudado por um navio tripulado por Ilhéus do Verão, é provável que Martin tenha percebido esse problema e tenha tentado aumentar a diversidade étnica nos últimos livros, ou talvez conforme a história se torna mais “global” mais personagens de origens diferentes irão aparecendo.

  • Samuel Santos

    Coisa chata essa discussão racial em tudo que se faz! Personagens são personagens! Não tem RG e naturalidade! Uma obra tão “politicamente incorreta” não pode entrar nessa celeuma racial!

  • estrelisia

    Parabéns pelo texto! Lucidez isso, ser fã e capaz de enxergar os defeitos e fazer a crítica pertinente. Adorei.

  • estrelisia

    Parabéns pelo texto! Lucidez isso, ser fã e capaz de enxergar os defeitos e fazer a crítica pertinente. Adorei.

  • Lui Spin

    PQP. Mas quanto mimimi nesse mundo.

    A série não foi feita para ser diversa, foi feita para ser assistida.

    Daqui a pouco vão aparecer brancos reclamando da falta de diversidade em séries como “Um Malico no Pedaço” ou “Eu a Patroa e as Crianças”.

  • Romulo Cesar Maximiano

    Eu acho essa discussão toda maior besteira. O cara tem um critério de que westeros tem uma relação cultural com o periodo e localidade X do mundo real, qual o problema nisso? Jalabhar Xho, Hotah, Belwas e Taena são personagens negros bem interessantes pra mim. A “tropa do politicamente correto” tá cada dia mais chata…

  • Bel Ribeiro

    E eu acho que esse seja um problema muito maior e mais flagrante na série que nos livros. Quando Martin cria um momento em que vários escravos aparecem, reforçando que são pessoas de diferentes etnias, e a série cria uma cena com um bando de pessoas de pele escura adorando a mulher mais branca que pode existir, há um problema. Quando um ator caucasiano (por mais moreninho que seja) é escalado para viver um personagem – e introduzir um povo – que não o é, mesmo quando as ilustrações que o próprio autor escolheu mostram que o povo de Dorne não é branco, há um problema. Quando um personagem tem, nos livros, um caráter ambíguo, mas na série ele é um vilão, ganancioso e traidor que paga com a própria vida, e então ele automaticamente passa a ser negro, há um problema.
    Um problema muito maior da HBO que de George R. R. Martin, mas um problema mesmo assim.

  • Carleo

    Puts, até nesse espaço tem coxinha minimizando o debate com argumento falacioso. Discutir diversidade nunca é ‘coisa chata’ exceto para aqueles que se acham ameaçados por essa discussão…

  • Juliana Meneguitte

    Não vejo sentido em questionar questões sociais e históricas numa obra ficcional fantástica se a pessoa não aceitar um argumento social e histórico do autor pra um aspecto da mesma obra. Pra dizer a verdade, não gosto muito nem da ideia de se discutir numa obra desse gênero… Como já disseram, coisa chata ficar procurando pêlo em ovo em tudo que se vê… T.T

  • Vitorfg

    Argumentos um tanto fracos pra amarrar um texto que… Não encontrei o embasamento ainda… Voce diz “É estranho que Martin comente sobre a diversidade em Westeros comparando a um determinado período de tempo, como se fosse um fato histórico e não um universo fantástico criado por ele mesmo e povoado exatamente como ele deseja” – Ridículo, GRRM ja deixou claro em diversas entrevistas que apesar de Westeros ser um universo alternativo o autor se inspira SIM em um contexto historico, principalmente quando se trata de cultura e mentalidade dos contemporaneos do medievo. Quanto ás etnias, muitas das caracteriscas esteticas dos livros foram deixadas de lado na serie da HBO: as diversas tonalidades de cor de olhos, os cabelos azuis dos Myrish, as barbas exuberantes e indumentaria dos habitantes das SUMMER ISLANDS. Quanto aos personagens femininos, Cersei Lannister é evidentemente uma das personagens mais inteligentes nos livros, muitos esquemas e “plots” se desenrolam em seu nucleo. Asha Greyjoy é outra que nos livros é estremamente destemida, aos moldes de Joana D’Arc. E quanto a Daenerys? Arya? E por fim a polemica do estupro. Eu concordo que é delicado exibir isso em televisao, mas em nenhum momento tais cenas foram “pintadas” com ar de impunidade ou apoio ao que estava sendo executado. Acontece que, voltando ás inspiraçoes historicas, no contexto da Idade Media a mentalidade era outra quanto a relação homem-mulher, infelizmente isso acontecia, nao retratar isso talvez pareça um desserviço a historiografia, já pensaram nisso? Quando o cinema frances exibe uma cena quilometrica de estupro com Monica Belucci em “Irreversivel” o mundo choca mas premia o filme, nao entendo pq a repentina retaliaçao, se fosse algo deliberado eu entenderia, mas não é… Mas tudo bem, essa discussao pelo menos indica que a serie atrai mentes pensantes, e contestadoras… Só não precisa ser chato. Vamo deixar o cara continuar escrevendo genialmente, que tal?

  • thais

    Pois é, eu adoro os livros, adoro ler sobre esse universo e tenho gostado muito também da série (com algumas ressalvas), mas compreendo demais essas críticas. Os livros não se passam apenas em Westeros (de forma que não se justificaria a ausência de outras etnias) e a representação dos negros não é a única problemática.

    Além da absoluta inexistência de personagens com traços asiáticos, a construção da cultura dothraki é bastante eurocêntrica, já que mostra a Dany, a moça branca de cultura superior, civilizando os bárbaros guerreiros selvagens estupradores comedores de coração de cavalo cru.

    Coincidentemente, esses bárbaros possuem pele marrom e, do mesmo jeito que Westeros se compara à Inglaterra, poderiam ser comparados aos povos do Oriente Médio.

  • Brum

    Boa parte do que se conhece como literatura fantástica tem como base a Europa medieval, onde embora existissem pessoas negras, ou “de cor”, essas eram bem raras, no mediterrâneo a presença, na península ibérica, sul da França, ou Sicília, mas no norte e na Inglaterra eram raros, embora houvesse a curiosa moda das bandas turcas na Europa no fim da idade média, formadas por negros e gente “de cor”, mas geral era só gente branca mesmo. Dessa forma, falta de diversidade seria justificável, pelo menos em Westeros. Só que a Baia dos escravos, é meio que um “oriente médio” no universo da série, havendo correspondência deveriam haver mais pessoas de cor, o que justificaria as criticas. Mais nada que não seja necessariamente discriminatório, é só um vicio Hollywoodiano, bastante comum.

  • Felipe Dias de Moraes

    o povo reclama de mais, ele já falou que westeros é baseada na Inglaterra feudal, e a descrição dos personagens segue essa linha, ou seja, como eram os habitantes de la na época( ahhh, mas é um mundo fantasioso, com dragões e zumbis de gelo, daria pra colocar um lorde nortenho negro. – NAO DARIA, porque não faz sentido, mesmo na fantasia, não é racismo do cara, só não tem logica com o próprio continente que ele criou).
    Teve uma vez que reclamaram da HBO, que naquela cena final da 3 temporada, todos os escravos tinham pele mais escura. – Porra, os caras tavam filmando no Marrocos, iam pegar um monte de figurante de la mesmo e pronto, não ia buscar gente de cada canto do mundo só pra ter uma mistura racial grande.
    Xaro Xhoan Daxos na serie foi interpretado por um ator negro, e ele era uns dos fodoes de qarth, mas não é relevante lembrar disso né?
    Deixe o cara escrever, se toda minoria do reclamar que sua classe não esta sendo representada com personagens principais, o sexto livro terá infinitos novos personagens com POV

  • Eu entendo plenamente o questionamento e concordo que o universo é completamente eurocêntrico e tudo o mais. Mas não consigo concordar com o momento em que a samara lá vai falar isso com o GRRM no blog, por exemplo. Digo no sentido de que o cara idealizou a série em 1996 JÁ com esses problemas de falta de diversidade racial em personagens relevantes: acho que agora simplesmente não vai ter como mudar, a história já é assim. Ele fala aquilo de Westeros 300AC não ser como EUA do séc. XXI pra paralelizar com a Inglaterra medieval: não tinha negros também. Se ele poderia ou não inserir outras etnias num universo inventado, isso é outro questionamento, mas a série infelizmente já não é assim, ele decidiu mesmo se inspirar na Idade Média europeia.
    E tem uma outra coisa que me incomoda. Principalmente no que concerne ao casting dos Martell, ele ficou sedimentado no fandom “progressista” do tumblr como um “erro” da série: eles seriam negros no livro e a série racistamente não os escalou como tais, e a Linda Antonsson foi eleita a vilã do ano por falar (bem agressivamente, de fato) que eles não eram. Chegaram ao ponto de falar que o GRRM, quando ele falou que eles eram latinos, tava fazendo “retconning” pra acobertar a decisão da série. Até hoje se acredita cegamente nos círculos do tumblr que eles são mesmo negros, simplesmente ignoram o que GRRM já declarou sobre o assunto.
    A verdade é que muita gente imaginou eles como sendo de uma forma, e quando a série não atendeu essa expectativa, colocaram tudo na conta da exclusão por motivo racial (a despeito de, nesse caso específico, ter coincidido com a intenção original do autor).
    Pra essa parte do fandom, é tão pacífico que os Martell são “PoC” (apesar de, até onde eu sei, esse termo se aplicar só a estadunidenses), que a questão da ausência da Arianne vai além do que nós questionamos como a exclusão de uma personagem feminina forte: para eles teria o agravante de ser a exclusão de uma personagem feminina forte E PoC.
    Acho que essa “decepção” (que ao que parece afetou muita gente) alterou fortemente as percepções de muita gente em relação a essa questão. Acho que esse é um dos motivos pra samara ir lá falar isso agora, em julho de 2014. E eu tenho sérias dúvidas se ela realmente leu os livros. Agora, se vamos questionar se o GRRM poderia ter feito diferente desde o começo ou não (e poderia sim claro, e seria louvável fazê-lo, e aí seria um outro universo), isso já é outra história, no meu entender. São duas discussões diferentes, penso eu.
    E, falando da série, que D&D pegam tudo que tem de ruim nos livros no sentido de exclusão de minorias ou de gênero e banalizam isso tranquilamente é fato. E é de fato revoltante. Os cara fazem isso com uma naturalidade assombrosa, a objetificação de mulheres chega a um nível absurdo.

  • Jobson Barbosa

    Era só o que faltava, cotas raciais em séries e livros ….

  • Bel Ribeiro

    Eu não conheço ninguém que identifique o povo de Dorne como negros, mas como árabes (o que os encaixaria como PoC). Alguns anos atrás, uma coletânea de ilustrações foi lançada com curadoria e aprovação de George R. R. Martin. Nela, as ilustrações de Dorne mostram pessoas com características árabes. E a cultura de Dorne reflete muito a de países árabes, do norte da África e de algumas partes da Ásia, tal qual a de Westeros reflete a da Inglaterra medieval.
    Quando o Pascal foi escalado, ele disse que Dorne seria uma representação de parte da Espanha, mais no sul, moreninhos, mas ainda brancos. Assim ele pode por em prática seu maior talento depois de escrever, tirar o dele da reta quando se trata da HBO.
    Concordo que a pergunta deveria ser direcionada mais para as mudanças que a série fez do que para a escrita do Martin, que possui uma certa diversidade. Mas também não podemos creditar as críticas a enganos no Tumblr.

  • Gustavo B. Passos

    Acho que é meio natural, o mundo de song of ice and fire não é “justo”, tão pouco é moderno(em sociedades modernas e pacificas a miscigenação ocorre mais, além de mais povos formarem um país).
    Primeiro temos que partir do pressuposto que ele se baseou na Europa medieval para criar o seu mundo, depois que as etnias de lá não são exatamente correlatas com as nossas. Targeryans tem cabelos prateados e olhos roxos, Missandei tem pele dourada (quem tem pele dourada no mundo real?!).
    E não só é baseada na europa é baseada numa europa mais atrasada que nossa europa já que ela tem 6000 anos sem revolução industrial.

    Sociedades primitivas desde a mais tribal até a mais feudalista tem uma “coesão etnica”, indíos tem traços indígenas, assim como Chineses, etc.. se não cada etnia não teria um nome associado com sua origem.
    Pois bem para piorar Westeros sempre esteve em “conflito”, e países em guerra dificilmente trazem estrangeiros sempre tem alguma revolta ou coisa do tipo. Westeros foi povoada por um número pequeno de povos, primeiro vinheram os “primeiros homens” (e as crianças que sempre estiveram lá), depois disso veio os ândalos , e finalmente os Targeryan (não me lembro quais outros povos compõe o reino, se souberem podem complementar).
    Cada povo que veio subjugou o anterior se tornando uma casta acima da outra.. quando os Targeryan finalmente dominaram a porra toda eles começaram a casar entre si para se manterem como “raça superior”.

    Do outro lado do oceano temos as outras etnias (assim como no nosso mundo o oriente e ocidente ficavam separados na idade média). Apesar deles estarem pelo menos tão desenvolvidos quanto Westeros belisticamente e economicamente, nenhum país é tão coeso quanto Westeros.. e diferente de Westeros lá escravidão é norma.. logo a maioria dos povos são guerreiros e os povos derrotados são escravizados.

    Os Dolthraki não são escravos, são guerreiros formidáveis e eles não são brancos, claro que também não são africanos, mas mostra que não é apenas uma questão de ser branco que faz você estar “no topo”. Os “lamb people” tem características semelhantes aos dolthraki fisicamente e provavelmente eram um povo só num passado distante.. pode ser uma alusão aos negros que vendiam africanos para a escravidão (derrotados em batalha), esses “cordeiros” também podem ser uma alusão aos católicos /Judeus que são tratados como cordeiros de Deus (afinal ele é o pastor), os Dolthraki os ridicularizam por isso.

    Lembrando que a situação de servidão se inverte! Em Bravoss, os Bravossi eram originalmente servos/escravos dos Valirianos que começaram a servir ao deus da morte e ficaram ricos criando seu banco de Bravos. Provavelmente exércitos que ganharam um dia perderam num outro e seu povo pode ter mudado de escravo para senhor pelos séculos.

    —-

    Não dá para retratar um mundo sofrido e medieval e fingir que as merdas não aconteciam, miscigenação e convivência de povos são características de sociedades modernas e pacíficas.

  • PHSA

    Falando em relação aos livros, acho bem ruim as críticas. Quando se diz que o Martin tem a liberdade pra incluir dragões e zumbis na sua história, não se pode “exigir” (sim, sei que não é uma clara exigência, até pq não ia adiantar nada) que ele coloque personagens para suprir determinada carência de raça, credo ou até ideologia. Nisso se pauta essa liberdade. Brando Sanderson escreveu um livro onde existiam pessoas brancas que reluziam e apenas uma pessoa de pele mais escura que eu me lembre. É a liberdade criativa do cara. Temos que parar de achar que o Martin vai colocar algo do nosso agrado. Ou que ele vá se incomodar o suficiente com isso. Se ele quiser ele cria uma sociedade branca e pronto. Criatividade. Dele. Se isso continuar, ou ele chegar a dar atenção a esse tipo de coisa vai virar uma bola de neve e vão começar a achar que mandam na história dele. Quem acha estranho essa falta tem sim o direito de se incomodar e debater. Mas ir atrapalhar o Martin por isso, é demais. O problema é a certeza que as pessoas tem de que estão certas e que suas ideologias são as melhores. Então, se eu repugno o racismo eu tenho que mostrar pro mundo. Tenho que lutar ferrenhamente pela minha minoria. Eu sou mais do lute por si e pense que a minoria pode se defender sozinha, e se ela precisar de ajuda, ela pedirá. O Martin não tem compromisso nenhum em manter cotas, isso é coisa do governo brasileiro.

  • Gustavo

    “Problema racial em Game of Thrones?” Sério que isso está sendo questionado em um universo ficcional? ~Também sinto falta da representação de ameríndios e aborígenes na saga.

  • Gustavo B. Passos

    Sobre asiáticos.. pode até ser que eles existam no mundo do Song of Ice and fire, mas tem que lembrar que a Europa medieval (que era mais evoluída que Westeros) não tinha contato com a China! Os países asiáticos em longe e fechados! Quem sabe tem um oceano grande (por que o oceano que conhecemos é bem pequeno e mesmo assim isolou westeros do resto do mundo conhecido). Eles não conseguem mais ir a antiga Valíria desde o “doom” , podem haver mais dragões, mais fontes de magia e mais povos só que é irreal pensar que esse povo chegaria neles quando a américa e a ásia ficaram tão restritos por tanto tempo no mundo real.

  • Vitorfg

    Na boa, To com GRRM e seu respaldo historiografico… Ou vai me falar que polemica com respaldo em fontes como VANITY FAIR ou mesmo esse Anacronismo exagerado que ta ficando chato tem maior moral?

  • Charles

    Concordo plenamente

  • Charles

    Falou tudo

  • Joao Palmadas

    “Até agora na série, há apenas uma mulher negra com falas e estou amando que ela esteja recebendo um enredo romântico também”. Deixa eu ver se entendi: A Missandei (que é dela que estamos falando) está tendo um caso com um castrado e a fã afro-americana está amando isso?

    Depois o racista são os brancos… (bem, se alguém queria uma explicação para a HBO colocar cenas com a Missandei flertando com o Verme Cinzento, eis aí uma: foi por causa das patrulhas politicamente corretas)

    E os negros reclamam de barriga cheia. Num mundo baseado na Europa medieval não tem mesmo que ter negros. E até que na série tem negros. Tem negros e não tem nenhum chinês, nenhum japonês, nenhum indiano, e nenhum índio também. (ouvimos falar que lá longe, do outro lado do Mar de Jade, tem civilizações parecidas com as chinesa e japonesa, mas por enquanto é só de ouvir falar. A Melissandre veio de Asshai e ela não traços orientais, como os chineses, ou os japoneses). E, considerando sua história e sua mitologia, chineses, japoneses, indianos e índios como os astecas, os incas e os maias merecem não apenas alguns personagens, mas civilizações inteiras baseados neles. Eu pensei que em Qarth teríamos algo semelhante à China medieval ou ao Japão medieval (até pelo nome), mas não, ficou parecendo muito mais uma cidade comercial do mediterrâneo do que do Oriente.

    E eu não estou dizendo que não deveria ter civilizações negras na série, ou nos livros. Claro que deveria. Mas junto com civilizações baseadas nas chinesas, japonesas, indianas, pré-colombianas, etc. Tem os Dothrakis, baseados nos mongóis de Gengis Khan, mas é pouco. Os japoneses medievais são muito mais interessantes do que os mongóis.

  • Anderson Ramos

    Que chato isso, as pessoas gostam de polemizar por pouca coisa. Jaime por exemplo, loiro de olhos azuis, incestuoso, assassino, quase matou um criança, etc, etc. Se fosse negro, era porque é negro, mas é branco, então será que os brancos deveriam se ofender? Joffrey então, um dos maiores viloes da serie, mesma coisa. E me vem falar de uma mulher, ex-escrava, super inteligente e linda e de um soldadao cheio de valores. Quem não gostou, que escreva sua própria estória e aguente as críticas depois.

  • Realmente esse segmento do fandom os identifica como árabes, não como negros. Erro meu.

    Mas não deixam de estar errados por isso.

    Eu pessoalmente (como muitos outros ao redor do mundo todo, ao que parece), mesmo antes de sair a polêmica, sempre identifiquei Dorne exatamente com o tipo de cultura e etnia que o GRRM falou depois do episódio Pascal: “uma representação de parte da Espanha, mais no sul, moreninhos, mas ainda brancos”, como você resumiu. Até porque ele já tinha dito isso antes, que Dorne era inspirada em Gales e na Espanha influenciada pelos mouros.

    Falando das artes, pela ilustração do Oberyn pelo Amok (http://7kingdoms.rolka.su/uploads/000f/69/54/1424-1-f.jpg – o russo que recebia instruções diretas do GRRM – certamente que não dá pra se afirmar categoricamente que são árabes. Pela Arianne da Magali Villeneuve tampouco. Admito, pode-se argumentar por essas ilustrações para qualquer das hipóteses: que tenham aparência árabe ou aparência sul-europeia. Mas pra mim os livros eram claros (para outros, eram claros em outro sentido). A questão é que eu acho que a partir do momento em que o cara se pronunciou a respeito (sendo que já havia indícios fortíssimos nos livros de que o caso era a aparência sul-europeia, e o que ele fez foi só confirmar), a discussão acabou. Mas não foi isso o que vimos. Para muitos na verdade, a discussão acabou mas o GRRM estava errado: eles eram árabes sim, a HBO não quis nem saber disso, e o GRRM quis só tirar o corpo fora pra não entrar nessa polêmica.

    Uma pergunta: você também acha que quando ele disse que os Martell eram como espanhóis, portugueses, gregos ou italianos do sul, ele tava mesmo fazendo retconning só pra tirar o dele da reta quando se trata de HBO? Não será possível que ele tenha idealizado mesmo os caras assim e quis simplesmente esclarecer isso pra dirimir as dúvidas?

    O que exatamente indicaria que a cultura de Dorne reflete tanto assim a dos países árabes e do norte da África e de algumas partes da Ásia pra justificar essa revolta toda, eu sinceramente não sei. Claro que estou levando em conta apenas informações presentes nos livros, e não fanarts de Sunspear com arquitetura similar à daqueles. E falando de ilustrações oficiais de novo, saiu uma da Nymeria (a rainha dos Rhoynar, o povo cuja miscigenação com os ândalos/primeiros homens deu origem à cor de pele mais escura de alguns dos dorneses em relação ao restante dos westerosi), que vai estar no World of Ice and Fire e, surpresa: http://static2.hypable.com/wp-content/uploads/2014/05/WoIaF_Nymeria_011.jpg?5424ee).

    Enfim, eu me embolei um pouco no comentário anterior e ficou parecendo que eu acho que as críticas existem simplesmente por causa de interpretações erradas do tumblr e joguei tudo na conta disso. Na verdade não é isso o que eu penso, o questionamento em si é válido e deve ser feito mesmo, mas como eu disse, acho que em 2 “frentes” diferentes:

    1. Por que GRRM não inseriu personagens principais etnicamente diversos no seu universo fictício desde o começo? Ele poderia tê-lo feito? Qual foi a inspiração dele para aquele universo? Como seria a série se ele tivesse feito?

    2. O quanto a HBO é responsável por situações de diminuição de mulheres ou de pessoas não-brancas por suas alterações em relação ao material fonte? Eles fazem isso propositalmente ou simplesmente não se importam (por sua própria condição social e pelo público que, em tese, é o alvo)?

    É que eu sempre fui meio indignado com as proporções que o episódio do casting do Oberyn tomou, e por algo que eu sempre considerei meramente opiniões pessoais extremadas e birra, e tive que falar sobre ele também, hehe.

  • Tassio Luan

    É só umas pequenas tretas enquanto WoW não lança..

  • Felipe Lobato

    Eu sempre imaginei os dorneses como os sarracenos também x]

  • Lucia

    Acho que tanto o GRRM quanto o pessoal que acredita piamente que pessoas não-brancas não existiam na Europa medieval estão precisando dar uma olhada neste excelente Tumblr que demonstra exatamente o contrário – pessoas não-brancas sempre fizeram parte da história Européia:

    http://medievalpoc.tumblr.com/

    Também vale lembrar que este apagamento da participação histórica de pessoas não-brancas tem um nome: racismo.

  • Henrique Dos Santos Cruz

    Ai ai mano termina o livro pelo amor de Deus… eu sou Negro e nao tenho essas coisas de ver se tem ou não tem negro em certa série ou filme… acho absurdo essa historia de cota para pessoas de cor soa pelo menos para mim como discriminação como se jma pessoa de cor fosse incapaz de fazer algo

  • Glailson Santos

    Qualquer obra literária é reflexo da sociedade de sua época, ela não surge a parte do tecido social tal qual uma representação platônica ideal, mas faz parte desse tecido e de alguma forma vai sempre retratar as contradições, os preconceitos, as ideologias dominantes, seja para questiona-las ou reforçar-las.

    Problemas como o citado no texto estão presentes também na obra de Tolkien, onde negros são retratados de forma desfavorável, estereotipada e preconceituosa. Cabe ao leitor manter alerta o senso critico e ser capaz de enxergar o mérito literário da obra sem negar seus deméritos e sem endeusar os autores.

    Martin é um escritor genial, mas é também um homem branco norteamericano do século XX e tudo isso se refletirá em seu trabalho. A maturidade se mede pela capacidade que demonsstramos de ser capazes de criticar até mesmo nossas maiores paixões. Parabéns Lidiany pelo texto, pela dedicação e pelo senso crítico. E obrigado pelo site.

  • lizziepereira

    Uma coisa, gente: Westeros é inspirado na Europa medieval, mas isso não significa que seja IGUAL à essa época do continente. Fica óbvio pelos livros que a maioria da população desse continente ficticio é branca, mas também fica claro que, pelo menos ao sul, especialmente em Dorne, há uma grande diversidade racial. A questão disso tudo é: por que não refletir isso na série?? Por que os papéis para atores negros estão sendo, em sua maioria, reservado para os guardas e empregados? Por que o Xaro, branco nos livros, virou um cara negro basicamente para incluir um background de escravo, sendo que estávamos nas Terras Livres, justamente onde há muitos negros livres? Vamos ver como eles vão representar Dorne nessa questão, mas eu esperava sim uma variedade maior no elenco da família Martell (sério, aquele ator do Trystane parece que nunca viu sol na vida. ..).

    Enfim, eu concordo totalmente com a fã, mas acho que a pergunta deveria ter sido feita aos criadores mesmo…

  • A questão é polêmica e parece que Game of Thrones atrai tudo quanto é tipo de polêmica. Nunca vi ninguém reclamando dessa mesma questão em outras séries, sendo que na maioria, 100% do elenco é branco.

  • Judah88

    É o discurso politicamente correto afetando até a inteligência das pessoas, já passou do ponto há muito tempo essa chatice.
    Nem é preciso voltar muito no tempo pra saber que o mundo era para os fortes, e ainda era assim no tempo dos nossos bisavós.
    As famílias tinham que ter vários filhos, primeiro pra ajudar nos trabalhos e segundo pois era comum perderem alguns por doenças no correr dos anos, e caso ocorresse uma seca provavelmente passariam fome. Atualmente há mães/pais que perdem um filho e nunca mais se recuperam de uma depressão profunda que acaba prejudicando os demais.
    Aqui citei só dois exemplos de vários e vários outros, o mundo não é fácil, a natureza em si não é, não importa o quanto tentemos maquiar isso.
    Outra chatice que inventam é sobre as idades, estupros, etc. No fundo isso é muita burrice por falta de estudo e leitura. Antigamente era exatamente assim mesmo, não existia adolescência e juventude, as pessoas deixavam de ser crianças para se tornar adultas. Uma menina se tornava mulher tão logo menstruasse e já poderia casar, e não haveria de ser diferente numa sociedade cuja expectativa de vida fosse de pouco mais que 30 anos.
    No fim, fica evidente que o mundo contemporâneo é feito, quase que praticamente, de ‘tolas crianças de verão’.

  • charles arthur

    Procurando personagens negros e asiáticos em Senhor dos Anéis.
    E Harry Potter também, a diversidade racial é igual a dos livros de Martin. O problema não é o Martin, é cultural de muito tempo já galera.

  • charles arthur

    Duas das minhas séries preferidas, nunca me incomodei com a falta de pessoas brancas nelas.

  • Ivan Milazzotti

    Infelizmente, para se ter um universo que realmente lembra uma civilização do passado precisamos apelar para os “defeitos” dessas civilizações. Do mesmo jeito que George Lucas se inspirou no exército nazista, acredito que às vezes precisamos copiar esses erros se quisermos criar uma semelhança ou algo que facilite ao leitor se localizar, se situar.
    E se você trocar de canal verá que Friends não tinha negros, X-Files não tinha negros (não que me lembre), os negros em Star Trek nem sempre eram de uma cultura pacífica, enfim, verá que esse tratamento não é “privilégio” da HBO. Alguém cite um negro em X-Men e nas outras séries de cinema da Marvell.
    Infelizmente.

  • Andre Gomes

    então agora tudo tem que ter cota senão é racismo? fala sério! que os incomodados que procurem uma série politicamente correta, com anões, negros, asiáticos e mulheres e crianças sendo tratadas dignamente e de acordo. e tem gente que ainda acha o texto brilhante…e tem gente que vai se incomodar em mostrar um link que mostra a historia medieval(se achando o portador da novidade e da sabedoria), e ainda chamar o autor de racista…senhor dos anéis nao tem negros nem asiáticos, star wars nao tem esse ultimo. seus criadores também são racistas? matrix tem praticamente todas as etnias, e por isso é mais válido que os outros? já viram animes? também não é sempre que algum personagem mostrado lá seja diferente de japonês, mesmo num universo fictício como o de Martin.

    entao se um autor resolve contar uma história qualquer em qualquer veículo, ele tem que colocar um personagem de cada etnia, credo ou religião senão é racista e/ou preconceituoso? por que não criam uma policia da arte? nos tempos de hoje nesse país, tenho certeza que conseguirão apoiadores para sua causa

  • Eduardo Cruz

    Eu já li sobre a questão racial na série e nos livros mas nunca vi isso como um problema. É como o autor disse, e eu concordo com ele.

    É um universo fictício criado por ele, com dragões e zumbis e que poderia realmente ter negros no poder se ele quisesse. Mas ele optou por não fazer isso. Talvez pra tentar identificar o mundo dele com o nosso mundo em uma determinada época. Ou talvez ele seja um pouco racista, o que seria uma pena. Mas prefiro a primeira possibilidade haha

    A questão é que me parece que a maioria esmagadora das séries americanas não são muuuito diversificadas, então não acho justo criticar apenas game of thrones por isso.

    Seria um ponto a mais pra série se ela escolhesse atores de diversas etinías para fazer a série. Mas se eles não fizerem isso, não é algo que possa ser cobrado deles. Na minha opinião, claro.

  • Castle_Bravo

    O povo reclama de qualquer coisa. Agora uma série de ficção precisa representar todas as etnias, credos, cores e sabores do mundo real. Vou reclamar também o porquê de animes não são serem tão diversos ou as novelas brasileiras praticamente não terem asiáticos que não estereotipados em seu elenco.

  • Ana Caroline Castro

    Eu lembro que imagina o Belwas azul hahaha, pra mim o Martin nos LIVROS coloca diversidade sim, mas na SÉRIE é a escalação dos atores que traz essa polêmica, pois o George não tem controle sobre isso, e assim eles vão escalar mais atores brancos… é engraçado que na minha mente eu sempre colocava a cor dos atores de acordo com o lugar que eles vieram e de acordo com a descrição, nunca pensei que havia discriminação ali…

  • Paulo

    A discussão sobre diversidade é sempre válida, mas curiosamente ASOIAF é uma das obras em que mais percebo essa diversidade étnica e cultural, a questão é que como a maior parte da história se passa em Westeros, que se assemelha com a Europa Ocidental, é compreensível que boa parte dos personagens sejam brancos, mas ainda assim percebe-se que em outros lugares do mundo criado por Martin temos pessoas de outras etnias, como as Ilhas do Verão e Yi Ti. Aliás não precisa nem mesmo ir muito longe, basta observar Dorne, em que os seus habitantes apresentam traços que remetem aos árabes e povos da Africa do Norte e quando é justamente Dorne o único lugar de Westeros que “não se ajoelha” perante ao poderoso Aegon, não dá para dizer que Martin seja racista ou coisas do gênero, quem sabe não apareçam personagens oriundos dessas regiões mais distantes de Westeros e ganhem alguma importância na história. Mesmo na série observo a vontade dos produtores de terem um elenco mais diversificado na medida do possível, até porque é interessante para a própria HBO atrair um número maior de telespectadores, o que configura atrair pessoas de todas etnias possível, logo não seria um bom negócio ter um elenco só com atores brancos. Enfim como disse anteriormente a discussão sobre diversidade é sempre válida, mas não acredito que esse seja um problema na obra de George R.R. Martin.

  • Ana Caroline Castro

    Adorei o tumblr!

  • Jhonny Pompa

    Só queria dizer uma coisa… Se alguém usasse a lógica poderia saber que… Nessa antigamente as pessoas de cor, ou seja negras, eram escravos porque os brancas acabavam que só os brancos eram uma raza superior. Mas nesse caso tanto faz. As pessoas que assistem a seria sempre tem uma coisa para reclamar.

  • Rolnei Tavares

    Não sei se posso concordar que há um “problema” racial na série. Eu entendo muito bem a preocupação de que todos programas de TV não sejam protagonizados exclusivamente por brancos, e entendo o impacto que isso pode ter em pessoas que tendem a inferiorizar um determinado fenótipo, gênero ou etnia. Mas discordo que a solução seja impor diversidade étnica nos elencos de todos os programas. Basta terem diferentes programas que retratam diferentes contextos culturais e étnicos, inclusive ter programas em que a história é situada na África e todos os personagens são negros.

    Game of Thrones é assumidamente baseado na cultura européia da idade média, apesar de ser uma fantasia. Não sinto falta de personagens negros, assim como não sinto falta de personagens indígenas, esses povos não estão inseridos na cultura que gerou esse tipo de fantasia. Isso não significa, claro, que a presença de negros, asiáticos, indianos, aborígenes, indígenas americanos, pigmeus, etc, me incomodem de alguma forma. Apenas não sinto a necessidade de inserirmos as demandas sociais da nossa sociedade em uma obra de fantasia como Game of Thrones, que obviamente não aborda o problema racial causado pelo modelo de escravidão atlântico de 200, 500 anos atrás nas américas.

    Não é porque o problema racial (ou do machismo) é uma questão real hoje que todas as obras de ficção produzidas pela nossa sociedade tem obrigatoriamente que abordar esses temas. Simplesmente essa não é uma questão abordada pela série.

  • Denis Rox

    Sinceramente ja li todos os livros lançados, e eu vejo sim grande importância em cada personagem independente de sua etnia. na verdade isso se torna uma coisa mínima dentro de uma política e enredo tão maravilhoso. sou negro e não me ofendi em absolutamente NADA. pelo contrário. a unica coisa que me incomoda é a demora pelo lançamento do próximo livro. tirando isso o resto está perfeito. creio eu que a maioria esmagadora dos fãs ficam tão empolgados com o desenrolar da história que nem teve tempo de se importar em quem é negro e quem não é e qual sua função. eu acho uma besteira essa obrigação das pessoas com essas “cotas”. eu aprendi que não se empurra pela guela das pessoas que vc é negro ou gay ou seja lá o que for. vc é o que é. seja natural e viva sua vida. e largue esses rótulos de lado. á muito tempo todos temos condições de conseguir o mesmo que o resto do povo. não tem o porquê de se vitimizar com esse papo de minoria.

  • Luan

    Westeros é baseada na europa medieval, e não havia negros reis e rainhas, lords e ladys nessa ambientação. Acho razoável eles adicionarem personagens negros como estrangeiros vindos das Ilhas do verão/Sothoryos (baseadas na áfrica), muitas vezes infelizmente trazidos como escravos. Sobre a cena de Mhysa, essa cena foi gravada no Marrocos, e chamar dezenas de figurantes locais levou a essa cena em que o pessoal era só de norte-africana. Ficaria muito caro trazer figurantes dos quatro cantos do mundo também né, vamos ser razoáveis.

  • Caue Queijin

    Tempestade

  • Renan Maneli Mezabarba

    Acho que vou escrever um conto sobre uma terra lendária onde o povo reclama de várias coisas legitimamente importantes, embora em contextos desnecessários (e inúteis). Nem vou precisar imaginar muito, a maioria dos comentários na internet já será suficientemente inspiradora.

  • Pequeno Cícero Aposentado

    Mas um personagem principal negro em Friends teria total sentido. Coisa que acho desnecessária no mundo medieval de GoT.

  • Breno Nathalie Domingues

    Acho que o mundo e a cultura das crônicas de gelo e fogo são obras privadas, ou seja, pertencem ao velho Martin, se ele não sente a necessidade de incluir personagens com maior “diversidade” seja por inspiração seja por simplesmente não querer ele tem todo o direito de não faze-lo. A obra privada de Martin é comercializada ao público para que esse possa consumi-lo se desejar (até onde sei não existe nenhum ditador maluco que força a população a ler ACDGEF), sendo assim não existe nenhum tipo de preconceito sendo incentivado pela “falta de diversidade”(e não existe no livro nenhum tipo de incentivo ao ódio por alguma etnia que ultrapasse a própria ficção), então acho que qualquer reclamação quanto a isso não possui muito respaldo, não se trata de vagas em escolas, universidades ou emprego, trata-se de um livro que se baseia em uma ficção que pertence a uma pessoa e é disponibilizada a quem quiser.

  • Raphael Teodoro

    Meu pai é negro, minha mãe é branca. Tecnicamente sou afro-descendente e não me sinto incomodado em momento algum, por quantidade de negros, asiáticos, indianos, índios, latinos…e etc. O enredo é de um continente baseado na Europa Medieval. Quem leu alguma coisa de história sabe que nessa época os negros eram escravos e não simples serviçais. Acho uma discussão desnecessária, com todo respeito a quem pense sobre a necessidade de personagens de etnias diversas. Não agrega valor algum, pelo contrário, faz parecer apelo midiático para que todos se sintam representados e assim aumentar a audiência!

  • Eduardo Redivo Sestrem

    Já ouvi falar em cota para negros em universidades, concursos etc, mas em livros de fantasia foi a primeira vez. A galera vive falando que os livros são bons porque espelham sobremaneira os aspectos da realidade – afastando o batido maniqueísmo dos personagens e tornando-os mortais e mais humanos. Então por que diabos os negros do mundo de Martin deveriam ocupar altos cargos, contrariando a nossa própria realidade? Martin novamente torna crível sua narrativa ao favorecer os brancos como a classe abastada dominante da história. Todos sabem que há discriminação em Westeros como há no mundo real. Afinal de contas, é muito mais simples ser um negro no mundo de Martin do que ser um anão. O problema é querer tornar qualquer obra artística em um tratado político que aborde as mazelas da sociedade. A pessoa deveria ler o livro de fantasia e saber que o limite é a própria fantasia. Há uma infinidade de artigos científicos que abordam o tema discriminação, disponíveis para qualquer pessoa que tenha interesse no tema perder horas do seu dia desbravando a questão. O mais correto é ignorar essas questões, assim como o próprio Martin o fez em sua resposta.

  • zilmar vargas ilha

    Pelo que vc falou é afrodescendente, tanto quanto eurodescendente……

  • Rafael

    Então, se essa fosse uma historia atual até entenderia esses questionamentos, mas essa é uma historia de fantasia, se o Martin quisesse ele poderia falar que todos são rosas com bolinhas amarelas espalhadas pelo corpo, a cor da pele não tem valor algum dentro do contexto da historia é apenas uma característica física.

  • lizziepereira

    Olha, Fernando, você não vê mas eu e muitas outras pessoas veem isso sim, ultimamente muitos fãs mesmo de entretenimento andam pedindo por mais representação na mídia. E eu não vejo ada errado nisso, muito pelo contrário.

  • Simone Kempka

    Muito boa a tua resposta Eduardo.

  • lizziepereira

    a questão não é só negros em Westeros, é na série. e não é só pedidos por mais personagens de cor, é também por um tratamento mais natural. o Xaro virou negro apenas para ter um background de escravidão incluído praticamente, sendo que ele é de Essos, onde há muitos livres.
    sobre Westeros, vamos ver como a série vai retratar Dorne, que tem sim uma variedade ‘racial’ enorme se comparado com o resto do continente. mas o casting da família Martell foi meio decepcionante nesse sentido…

  • Flavio Kilers

    Na minha opinião se ele começar a colocar vai ficar com um ar que ele ta sedendo a pressão dos fãs ai no fim vai fazer o fim de qualquer jeito e vai ser igual o Lost no final, melhor deixar do jeito que esta.

  • Naty Santos

    Não discordo das razões de Martin sobre negros e asiáticos nos livros e serie. Não sou racista, afinal sou branca casada com um negro, mas a questão se trata da época em que se passa a historia, naquela época a ásia se localizava num ponto mto distante para os recursos do período e negros sempre foram tratados como escravos, sem falar q na historia de Martin eles consideram apenas os sete reinos e as cidades livres, se ele vai incluir cidades localizadas nas regiões asiáticas é uma questão somente dele, como boa leitora de histórias épicas, entendo totalmente o ponto de vista do escritor. Reclamar de falta de personagens negros e asiáticos numa história como essa é exigir um pouco de mais, afinal a batalha contra o racismo geral deve pertencer aos dias atuais, e não em histórias épicas!!!!!!!

  • Joana

    samara21 foi infeliz em seu cometário inapropriado à pessoa errada. Mr. Martin cria o mundo que quiser, com as pessoas e raças que vier à sua brilhante mente SEM SE PREOCUPAR EM SATISFAZER ESTA OU AQUELA RAÇA,ESTA OU AQUELA ORIENTAÇÃO SEXUAL/RELIGIÃO ETC!!!. Porque, no momento que essa preocupação influenciar a obra, comprometerá sua criatividade que deve ser ISENTA!!! Isso chama-se “L-I-B-E-R-D-A-D-E C-R-I-A-T-I-V-A, GENTE!!! COME ON!!!!

  • Elaisa Vieira

    Quem quiser que a história seja do seu jeito, que crie sua própria história, ele escreve do jeito que quiser, se não gostar não leia, pronto!

  • Lui Spin

    Exatamente Charles. Eu também não.

  • LovelessLord

    Cara, acusar a história original de pouca mistura racial é bobeira. Até que pelo que bem entendi, os povos das ilhas do verão são bem sofisticados, bons comerciantes, com uma forte marinha e uma cultura bem exclarecida, já mais liberal do que toda Westeros. Só acho uma pena não termos visto Belwas o Forte. Mesmo sendo um seguidor, é um personagem super carismático. (o que cara, nessa sociedade só quem não segue ninguém pelo visto são Mindinho e Varys, de resto, todos estão servindo a alguém, mesmo que nem saiba)

  • Mário Luiz A. silva

    A história real não é o que muitas pessoas querem que seja; a fantasia por mais fantasia que seja, baseia no conhecimento, formação e vivencia no mundo real de quem cria a fantasia; então é até certo ponto lógico que o autor faça sua fantasia fundamentada na realidade que ele vive embora inserido no fantástico. Na Europa medieval a Africa sub-saariana para quase a totalidade dos europeus era um continente desconhecido e fantasticamente lendário e cheio de monstros e seres mitológicos; ainda nos séculos XVII e XVIII havia quem achasse que os negros nem seres humanos eram e os levavam para a Europa para expor em circos e até mesmo zoo. Totalmente deprimente, mas esta é a história da humanidade e as consequências da ignorância passada hoje ignorada por muitos que repetem erros similares

  • Carolina Caproni Nogueira

    Sei lá, cara… livro é o único lugar em que podemos ser realmente livres. E imagine só… se eu quiser um mundo só de brancos, vou ter um mundo só de brancos. Um mundo só de negros, também.
    Imagine que eu acho brancos de cabelos pretos e olhos verdes mais bonitos… então meu livro vai ter mais deles, em papéis mais legais.
    Já se eu prefiro mulheres negras altas e de cabelo curto, vai ter mais delas no meu livro, e vão ter papeis mais legais.

  • Adrian Spitsa

    Ao invés dos afro-descendentes reclamarem e pedirem cota em fantasias medievais que criem suas próprias histórias com seus próprios protagonistas, claro usando a mitologia africana e não usurpando a européia.

    Engraçado como não vejo asiáticos reclamando pela falta de representatividade, talvez porque eles mesmos criem suas próprias histórias inspiradas na sua cultura (embora ainda imitem muito da ocidental).

  • Carolina Caproni Nogueira

    Hahaha :3

  • Isadora Oliveira

    Gostaria de ter o trecho original de que veio esta tradução… “Pessoas de cor” foi um termo carregado de preconceito e tããão 1960

  • No original devia estar “person of color” ou “people of color.” Em inglês o termo não é carregado de preconceito, pelo contrário: é usado (e tem sido incentivado recentemente) pelas próprias pessoas que não são brancas, pra uma designação comum, justamente pra substituir o uso de “non-white” ou “minority”.
    http://www.npr.org/blogs/codeswitch/2014/03/30/295931070/the-journey-from-colored-to-minorities-to-people-of-color

  • Isadora, eu não sou tradutora profissional e desconheço o preconceito em torno desse termo em português. Se fosse escrever teria escrito pessoas negras que é como eu normalmente falo, porém ao traduzir adotei a mesma expressão usada pelo autor, que acho que estaria mais de acordo com a tradução. Caso tenha uma sugestão melhor, por favor indique-a.

    Os links estão todos no texto, destacados em vermelho.

  • “Cabe ao leitor manter alerta o senso critico e ser capaz de enxergar o mérito literário da obra sem negar seus deméritos e sem endeusar os autores.” Excelente colocação, infelizmente falta muito senso crítico nesse fandom.
    Obrigada Glailson. =)

  • Obrigada pela contribuição Luiza.

  • Questionar e exercitar os neurônios parece ser uma grande dificuldade, infelizmente tem muita foca amestrada que só sabe assistir e bater palma, quando se aponta qqr problemática é patrulha, mimimi, etc.
    Obrigada Bel.

  • clodoaldo

    De onde vc tirou q “person of color” tem sido incentivado? Esse termo eh altamente pejorativo nos EUA. O q tem sido usado constantemente há algum tempo eh ” african american” ou, como dizemos aqui, afrodescendente.

  • mauricio braglia

    Martin não ouça nada apenas escreva kkkkkkkkkkk

  • Renan Moreira Schneider

    No mundo de westeros existe sim diversidade racial, os povos das ilhas do verão são negros, e como citado acima yiti e a ilha de leng são habitados por asiáticos, só que a história se baseia na nossa idade média e acho que podemos assumir que ainda não houveram as grandes migrações.

  • Don Ramon

    Infelizmente eu preciso concordar. E eu sou “de cor”.

  • Cid D´Avila

    Por que as pessoas insistem em querer comparar o mundo real com um universo FICTÍCIO e IMAGINÁRIO? PQP! Deixem Westeros ser Westeros!

  • Cid D´Avila

    Alguém pode me explicar porque não existem lysenos na Ásia? Ou onde estão os dorneses do Leste Europeu? Por que diabos estão reclamando de não ter asiaticos num mundo onde a Ásia NÃO EXISTE!!??

  • Cid D´Avila

    Quem é que ainda não entendeu o que é um MUNDO FICTÍCIO?

  • Você deve estar fazendo confusão com o termo “colored”, que, esse sim, tem um significado historicamente pejorativo. Mas a tradução, tanto de “person/people of color” quanto de “colored” acaba ficando “pessoa de cor”. E aí causa essa confusão.
    “PoC” e “african americans” são termos diferentes. Não sei se você leu o que eu escrevi, mas “person of color” é usado atualmente pra designar não só negros, mas quaisquer pessoas que não sejam caucasianas: inclui afrodescendentes, árabes, latinos, nativos americanos, e outros.
    Eu não sou nenhum especialista nisso, mas recomendo entrar no link que postei ao final do meu comentário anterior, ou neste: http://www.academia.edu/2078986/_People_of_Color_Race_Ethnicity_and_Society_by_Schaefer_
    E pra exemplificar o uso atual da expressão, é só ler o comentário de uma mulher “person of color” no blog do Martin (uma que se diz politicamente consciente, inclusive), em que ela mesma se define como tal, sem constrangimento nenhum:
    http://grrm.livejournal.com/326474.html?thread=17897034#t17897034

  • Glailson Santos

    Continuo achando que faz falta uma maior diversidade racial na obra de Martin. Faz falta retratar outras etnias como mais do que elementos do cenário em menções de passagem ou como personagens de menor importância. Sua história é obviamente uma obra de ficção e não um tratado histórico, mas ainda como um uma história fictícia meramente inspirada na Europa medieval real, apresenta uma visão extremamente estreita e etnocêntrica, neste ponto, pois é unicamente nas páginas dos livros de história escritos pelos brancos europeus que o mundo é dominado desde sempre por sua cultura.

    No campo concreto da realidade histórica a humanidade jamais se limitou a
    cultura europeia e aos europeus de pele branca. A Europa medieval estava longe de ser uma ilha isolada do resto do mundo. O Mundo medieval concreto, real, histórico, nunca foi limitado à cultura europeia e a etnia branca, a diversidade como hoje foi também uma realidade mundial em qualquer época. Um exemplo emblemático do que digo é a grande influência dos Mouros, negros muçulmanos originários do Norte da África que se fixaram por pelo menos oito séculos na península ibérica durante esse período da história e influenciaram nos mais diferentes aspectos da vida europeia, da medicina à arquitetura, passando pela matemática, a química e a física que forneceram as bases para o Renascimento Europeu que se seguiu a idade média. Acho que muitos apenas confundem a história institucionalizada com a história real, infinitamente mais complexa e diversificada.

    Não é de se surpreender que Martin se paute pela história institucionalizada, pois é ela que domina o imaginário popular. “As ideias dominantes numa época nunca passaram das ideias da classe dominante”. Só podemos lamentar que até mesmo um autor tão genial, esteja também limitado por essas ideologias e que sua ousadia em outros campos não se estenda à necessidade de retratar em sua obra a diversidade racial tão característica da humanidade real, concreta, histórica. Tudo isso porém, não afeta nossa capacidade de admira-lo pela inquestionável qualidade de seu trabalho. Afinal, acredito que em outros aspectos, como ao retratar a questão da mulher na sociedade através dos olhos de Cersei, Arya, Dany, Brienne e tantas outras, ou ao retratar os dramas das limitações físicas e sociais de um anão através de Tyrion, Martin é infinitamente mais feliz em questionar os patrões impostos em nossa sociedade.

  • Adriano Machado

    Que chatice esse negócio de politicamente correto. O livro é do GRRM, e ele escreve do jeito que ele quiser.

    Daqui a pouco a FUNAI vai reclamar que tá faltando índio.
    Depois os ufologistas vão reclamar que tá faltando ET… rsrs

    É uma questão muito simples, se você não gosta da história como ela é, então não leia e também não encha o saco de quem gosta.
    O livro se passa num mundo FICTÍCIO. Não dá pra comparar com o mundo real.

  • drmingus

    Talvez só o Mindinho mesmo, porque o próprio Varys diz que serve o “Reino”.

  • drmingus

    Não me lembro de alguma passagem nos livros que indicasse que a questão da cor da pele fosse relevante no mundo das Crônicas. A questão do preconceito é voltada para anões, bastardos (tidos como traiçoeiros), lhazarenos (discriminados pelos dothraki por criarem ovelhas), cranogmanos (chamados de comedores de rã), o povo além da muralha (chamados de selvagens), etc. Por ter focado os preconceitos nessas fatias da sociedade de Westeros, a falta de diversidade racial não me parece ter sido uma preocupação do GRRM, e em minha opinião, isso não atrapalha a obra em nada. Caso ele colocasse algum negro, asiático, indígena ou outra etnia em algum papel relevante na estória, choveriam críticas e acusações de preconceito assim que o lado menos nobre do personagem aparecesse.

  • Gabriela

    Isso é criar tempestade em copo da água, ficar se apegando a detalhes pequenos. Se George for ficar criando povos e mais povos e ficar descrevendo eles, vai perder o foco da história, ai sim vai ter motivo pra reclamar. Apesar dele ter criado o lugar, a intenção da história não é ficar mostrando um mundo diferente, suas culturas e diversidade racial, a intenção dele é mostrar o conflito de um povo em especifico (ou mais ou menos isso), que está prestes a ser atacado por um bando de zumbi de gelo. Ele mostra no livro aquilo que é relevante pra história. Se quer ver um livro com todos os povos existente do mundo, então lê um livro de histórias, oras, ou procure um da cultura, do seu país com as características que você quer. George ta fazendo um trabalho maravilhoso, eu não conseguiria criar metade de todos os povos, cidades, costumes, que ele já criou. Se ta achando ruim, vai lá e faz melhor, uai…

  • Ana Amélia Falcão

    Problema Racial? Give me a Break!!

  • E *existem* inúmeras histórias interessantes nesses moldes que você citou, com mitologias africanas e pessoas “de cor” como protagonistas; a diferença é que esses autores fizeram alguma coisa de útil e as criaram ao invés de ficar chorando por cotas.

  • Cara, vai fundo, tem tudo para ser épico. Nível “Guia do Mochileiro”, hehe. =D

  • JPaulBeaubier

    Eu sou branco e acho que não devo reclamar de quem reclama da falta de diversidade. Não é porque não é ofensivo pra mim, não será ofensivo aos outros.
    Pessoas brancas… apenas parem.

  • Rogério J

    Deveria se importar com o que as pessoas são e não se se brancas, negras ou asiáticas. Esquecer a cor da pele, afinal somos todos igualmente humanos

  • Jackeline Dias

    Disse tudo. As pessoas falam que existe falta de diversidade racial em um livro/série que o preconceito racial não existe, não é tratado, mas se o autor compara com o mundo real as pessoas dizem que o livro/série trata-se de um mundo fictício e por isso deveria incluir diversidade. Eu não entendo. Não sei como ainda não o denunciaram por preconceito racial por mostrar que pessoas com pele branca, cabelos brancos e olhos lilases eram consideradas lindas e raras e pelos Targaryens quiserem manter a sua raça pura. Você vê pessoas negras e brancas sofrendo igualmente na série/livro, mas sempre tem um preconceituoso para dizer que existe preconceito.

  • Hulk de Diadema

    Acho desnecessário. O Livro é do GRRM ,e se ele quiser colocar alguém verde, ele coloca. As Cr^nicas são os livros com mais diversidade racial que eu conheço, não só negros, como asiáticos, indígenas, etc. Se querem reis negros, guerreiros negros, devem aguardar a história chegar nas Ilhas do Verão. E sim, temos um príncipe negro, Jalabhar Xho.

  • Hulk de Diadema

    Exato. O povo das Ilhas do Verão é muito interessante, mas ainda não foi mostrado muito bem nos livros.

  • Mari

    Não sei, mas desde o início a sensação que o George me passa é parecida com a que o Tolkien sempre passou: ele escreve por satisfação pessoal, não por aprovação dos leitores ou por $$$. Esses últimos fatores foram consequências do primeiro e foram muito bem-vindos, afinal, qualquer um ficaria satisfeito com a aprovação de seu trabalho e retorno financeiro.
    Quando eu tenho um projeto pessoal, eu quero fazer isso o mais bem feito possível, da maneira que eu quero fazer e ponto final. Não tenho que ficar agradando os outros em algo que faço para mim. Por isso que eu acho que ele faz tanto sucesso, assim como Tolkien fez. Se ele for mudando as coisas por causa da opinião alheia não acho que seria uma história tão coerente e bem detalhada, de tanta qualidade.
    Pra mim é obvio que mesmo sendo um mundo fantástico, ele ambientou ele num continente semelhante a Europa medieval. Não existem negros e na Europa Medieval e ponto final. Não é questão de preconceito, ele inclui outras cores e etnias em outros lugares do mundo em que ele criou. Agora, modificar os planos dele porque alguém acha que tem que ter mais ‘diversidade?’. Coerência galerinha, o homem faz o que achar melhor. Os livros são dele, o mundo é dele. Se ele acha que não fica bom, não fica. O que atrai nessa história toda é o detalhismo e o realismo, mesmo em um mundo fantástico. Nada cria mais desconforto do que um núcleo que parece que foi criado por causa “da cota”. Prefiro personagens bem contextualizados. Enfim, respeitem o trabalho alheio.

    PS* Um dos motivos pelos quais ele me passa essa sensação é o fato de ele mandar todo mundo tomar no rabicó quando falam que ele tem que escrever The Winds of Winter rápido. Percebe-se que ele quer escrever direito e ta poco se fudendo pra todo mundo. Concordo com ele.

  • Mari

    Concordo 100%. Aliás, toda vez que aparece um personagem com pele morena, dourada, amendoada, escura e derivados passa a ideia de sensualidade, já percebeu? São vistos como pessoas atraentes, na maioria das vezes.

  • Vinicius Lima Silva

    Cara, puta comentário completo.

  • Vinicius Lima Silva

    Ok cara, mas você tem que lembrar uma coisa. Essa história além de ser baseada em uma época específica da Inglaterra, não da Europa, é baseada em um local específico. Ele não está contando uma história sobre o mundo das Crônicas, e sim Westeros. Qualquer núcleo que não acontece lá, acontece por causa de lá. Assim como o próprio Martin disse, não era um momento onde existia diversidade igual agora. A alguns mil anos atrás, asiáticos não se envolviam com ocidentais igual hoje. No máximo era algum comércio, o que até é comentado na série, porém não tem importância nenhuma para o desenvolvimento do plot.

    Para que o Martin deveria falar sobre todas as etnias e enunciá-las ao leitor, sendo que não será aproveitado para o andamento do plot? Um dia, quem sabe, Martin poderá escrever mais sobre esse mundo fantástico criado por ele, mas as Crônicas de Gelo e Fogo não são isso.

    E, caso você diga que seria possível incluir outras etnias na história e acrescentá-las ao plot, eu concordo. Eu também acho que seria possível, mas aí deixaria de ser a obra que o Martin está escrevendo e se tornaria uma outra obra qualquer. A história que ele criou é essa, e basta que nós contemplemos. Ou não.

  • Luísa

    Eu gosto muito dos livros do Martin, mas acho que essa justificativa dele para não haver muitos personagens de cor n’As Crônicas fraquíssimo. Citando Jane Espenson, uma roteirista (que, inclusive, escreveu um episódio de Game of Thrones): “Se não podemos escrever diversidade em sci-fi, então qual é o ponto? Você não cria novos mundos para dar-lhes todos os mesmos limites dos antigos.”

  • Arthur Duarte

    Olá, Mari, apenas uma correção: existiam negros sim e pessoas de pele escura na Europa Medieval. A Península Ibérica era um califado islâmico até a Reconquista Espanhola em 1492. Era povoada por “mouros”, vindos do norte da África. Um dos maiores contos medievais é o “Ciclo Arturiano”, da famosa távola redonda e do Santo Graal. (de onde vem meu nome também). Nele tinham dois personagens negros (que poderiam ser considerados assim): Morien e Sir Palomides. Há também relatos históricos de integrantes de legiões romanas oriundos do contenente africano. Enfim, dizer que não é realista a presença de personagens de outras etnias em um continente fantástico presumivelmente baseado na Europa não tem lá muito sentido. Também não havia dragões ou gigantes, nem por isso esses elementos não deixam de estar presentes na obra de Martin. Nem se fosse uma obra “realista” se poderia dizer que seria justificável a total ausência de diversidade entre os personagens, ainda mais falando de uma obra de Fantasia.

    Indico também esse tumblr: http://medievalpoc.tumblr.com/

  • Suricate Petit

    Representatividade importa.

  • Lucia

    gente socorro comofas tanto racismo num comentário só

  • Isadora Oliveira

    Não, não. Minha dúvida era justamente essa, se o termo utilizado no original foi mesmo o equivalente para a tradução.
    Meu objetivo não era condenar a tradução e sim, entender o ponto de vista do autor

  • Adamilton Borgneth

    Isso mesmo Rogério. Me incomodava o fato de quase todo mundo nas Crônicas ter pele clara e olhos azuis, mas depois de seu comentário lembrei que o que me interessa na Saga é a evolução dos personagens, o que eles fazem e como tudo na história se encaixa para um desfecho ainda maior.

  • Adamilton Borgneth

    Falou o que eu queria dizer. O pessoa devia parar de mimimi e se ligar nas paradas que vão acontecer nos Ventos.

  • Adamilton Borgneth

    Westeros nasceu na mente de GRRM. Pessoas que reclamam deixem o cara fazer o que ele quiser com os personagens dele. Já cansei desse pessoal que inventa mimimi pra tudo. Vão esperar o Ventos quietos. kkkk

  • Adamilton Borgneth

    Martim deixa quem quiser ficar com mimimi, foque apenas no que você já estava fazendo. Dorneses são como você quer, Qarthenos são como você quer e westerosis são o que você quis que fossem. Pessoal do mimimi vão discutir teorias, aguardar a série etc. kkkk

  • tanira

    “Eu não vejo problema racial em Game of Thrones, isso é mimimi de vocês.”
    – Pessoas brancas.

  • Representatividade importa muito. Quem tá achando que é mimimi é porque está muitíssimo bem representado em todos os segmentos.

  • Gin_hunterZ

    Culpa do Robert que tem um monte de bastardo.

  • Danilo Andrade

    Eu sou branco, logo não posso defender um ponto de vista contrário aos negros, asiáticos e índios. Afinal, não importa o quão bom seja meu argumento, no final vão falar “tu fala isso porque é branco”

  • Isadora Oliveira

    era isso, só queria saber como estava no original mesmo
    (trauma das mudanças que algumas pessoas fazem ao traduzir, rs)

  • Mari

    Arthur, claro que sim. Mas temos como base na literatura fantástica as mitologias nórdica, germânica e celta (quando digo celta, digo escocesa-irlandesa). Esses autores se baseam nos povos nórdicos quando escrevem.

  • Cleit_on

    Faz tempo que venho batendo nessa tecla. Se o autor cria dragões, qual é o argumento que o impede de colocar uma família nobre negra lutando pelo Trono? Só a vontade dele. Parem de usar esse argumento de que se trata de tal período, como se fosse História; ou que é uma representação das ilhas Inglesas em um passado medievo… Porque só o é porque o autor quer. Não há em GoT nenhuma preocupação com diversidade racial, ponto final. Qualquer argumento que o autor use pra amenizar isso é balela pra se proteger de críticas. O que ele poderia fazer depois dessas críticas seria colocar personagens fortes e que tenham papeis centrais na série, e não ficar justificando que o guarda negro tem capítulos de ponto de vista. E o que isso tem a ver? Pra mim é a mesma coisa que dizer que “não sou racista, tenho amigos ou pego negros” – digo, no mesmo sentido que não justifica.

  • Daniel Marques

    Textos que abordam problemas raciais? Apenas não leia!