Por que Westeros ainda está no período pré-industrial

Algum dia você já se perguntou por que razão Westeros está há milhares de anos estagnada como uma sociedade pré-industrial?

Peter Antonioni, pesquisador e professor do University College de Londres, Mestre em Economia e co-autor de “Economia para Leigos“, escreveu um breve artigo, bastante didático e bem-humorado, que tenta explicar o motivo para o atraso westerosi – para além, é claro, da mera vontade de deus daquele universo, George R. R. Martin:

Por que Westeros está estagnado no Período Pré-Industrial?

Westeros, o local principal em que se passa Game of Thrones, tem muito em comum com a Europa Ocidental da Idade Média. Sua tecnologia é similar, a sociedade é feudal e até o clima é mais ou menos o mesmo – exceto pela estranha duração do inverno.

Mas a diferença crucial é que Westeros tem sido mais ou menos assim por 6.000 anos. Quando se considera a evolução da Europa Ocidental a partir da queda do Império Romano – apenas 1500 anos atrás – vale a pena perguntar como seu irmão literário permaneceu tão subdesenvolvido. Por que Westeros não sofreu uma revolução industrial?

A primeira coisa a apontar é que desenvolvimento econômico não é um processo contínuo simples, mas que ocorre aos trancos e barrancos. Particularmente, “mudanças graduais” na disponibilidade de tecnologias de uso geral dividem eras: depois que se sofre uma transição tecnológica desse tipo, é difícil imaginar ou lembrar como o mundo era antes. A grande revolução industrial que começou no século XVIII foi uma transição desse gênero.

Chegando à frente

Essa revolução não surgiu do dia para a noite. Ela foi na verdade o ápice de um longo período caracterizado por “trancos” de tecnologias anteriores. Tome-se como exemplo o estribo. Seu surgimento resolveu o problema de como alguém poderia lutar montando um cavalo, e isso por sua vez permitiu o desenvolvimento de instituições de cavalaria.

Um avanço que ainda não chegou a Westeros é o canhão. Na Europa ele já estava em uso à época da Batalha de Crécy em 1345, o que o colocaria bem no meio do âmbito tecnológico do conflito westerosi.

Outro avanço é o sistema bancário, que é uma condição necessária para investimento na construção de capacidade tecnológica; sem bancos para criar dinheiro, Westeros provavelmente ficará num estado permanente de falta de dinheiro com a consequente falta de investimento.

O Banco de Ferro existe, mas está longe de incentivar o desenvolvimento tecnológico.

A coisa mais próxima que Game of Thrones tem do sistema bancário moderno está do outro lado do mar, em Essos, onde o Banco de Ferro de Braavos fornece financiamento para clientes ao redor do mundo. O banco tem um paralelo no mundo moderno: como o Fundo Monetário Internacional (FMI), ele adquiriu uma reputação de manejar mudanças de regime quando acredita que seus débitos podem não ser satisfeitos. Como os livros ilustram, o poder financeiro leva à influência política:

“Quando príncipes faltavam com suas dívidas para com bancos menores, banqueiros arruinados vendiam esposa e filhos para traficantes de escravos e abriam as próprias veias. Quando príncipes deixavam de pagar o Banco de Ferro, novos príncipes surgiam do nada e tomavam seus tronos.” (A Dança dos Dragões)

Entretanto, o maior interesse do Banco de Ferro está em financiamento de soberanos, o que não necessariamente estimula a economia: no reinado de Robert Baratheon os empréstimos se destinavam geralmente a concursos e torneios inúteis. O Banco ignora empréstimos mundanos, do dia-a-dia, para negócios que custeiem atividade e investimento.

Talvez uma parte maior do quebra-cabeças seja o por quê de a competição entre os Altos Lordes não incentivar desenvolvimento armado, e por sua vez o desenvolvimento de complexos industriais militares nos Sete Reinos. Mas Westeros nem sempre foi a região assolada por guerras retratada em Game of Thrones: nos últimos séculos os reis Targaryen e suas armas de destruição em massa – dragões – impediram os reinos individuais de desenvolver essas capacidades. Há um paralelo não-europeu interessante aqui com a China, em que a inovação foi retida por uma sucessão de dinastias que queria impedir ameaças ao controle central.

Crescimento industrial também requer energia. Carvão, mais eficiente que turfa ou madeira, forneceu o combustível para a revolução industrial e não há evidência de que carvão ou outros combustíveis fósseis existam em Westeros ou além. A habilidade de colocar grandes motores para funcionar talvez esteja além até de Sete Reinos em industrialização.

Mas, apesar disso, Westeros tem força de trabalho, muita terra, uma indústria bancária aproximada e recursos presumivelmente similares aos da Europa do século XVIII. Parece que a maior parte das condições existem para uma série de inovações tecnológicas. Então por que não conseguiu sair da idade média?

A economia do conhecimento

A falta de desenvolvimento em Westeros é explicada em última análise pela forma como o conhecimento é retido por um grupo de pessoas.

Na Europa, a industrialização dependeu da disseminação de ideias. Quanto mais o know-how se espalhava, mais pessoas ouviam falar de uma inovação e podiam copiá-la ou melhorá-la, construindo um ciclo acelerado de desenvolvimento tecnológico.

Em Westeros, entretanto, inovações tecnológicas estão trancadas em uma instituição: a Cidadela, sede de uma ordem de estudiosos conhecidos como os Meistres (pense em Meistre Luwin de Winterfell que protegia Bran e Rickon, ou o Grande Meistre Pycelle da corte em Porto Real).

Por que não temos carros voadores? A culpa é desse cara.

Os Meistres sentam sobre o único tesouro de conhecimento científico de Westeros. Junto com a nobreza, eles estão entre os pouquíssimos que sabem ler e escrever. Seus membros estão inseridos em quase todos os castelos e grandes casas do Reino e eles parecem nesse momento usar seu controle da informação e o sistema Corvo Net de comunicação para cultivar sua influência.

Então, em última análise pode-se precisar de uma chacoalhada política para que o universo de Game of Thrones alcance a Europa do século XVIII. Quebrar o sistema feudal com os absurdos que vêm com ele ajudaria – afinal, seria desaconselhável para um Lorde médio atrair atenção ao desenvolver maquinário.

E, da mesma forma que a Reforma do século XVI quebrou o quase-monopólio da Igreja sobre a educação e pavimentou o caminho para avanços tecnológicos futuros, também Westeros precisa reformar seus Meistres.

Enquanto os Meistres não aceitarem isso e a educação se alastrar, Westeros está fadado a permanecer na mesma rotina medieval. Boas notícias para os fãs de alta fantasia, más notícias para os personagens presos nela. O inverno está chegando, e seria bom que eles tivessem aquecimento central.

 [Fonte: The Conversation]

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  • Bruno Lacerda Balbi

    Excelente, Felipe. Obrigado pelo ótimo conteúdo! Já havia me perguntado isso antes…

  • Izabela

    Ótima reflexão! Enquanto esperamos novos livros e novidades da série, aprofundar todos os aspectos da obra com esse tipo de reflexão é um distrativo de excelente qualidade!

  • Guest

    Não gosto dessas análise como se Westeros tivesse relação com nosso mundo, no mundo de ASOIAF não é preciso de desenvolver pq há magia, onde há magia não há tecnologia, Westeros tem muito oq melhorar, como as estradas, sua organização e sua exportação, a medicina, se eles fizerem uma organização, podem controlar o mundo, logo virariam uma potencia mas não iam se desenvolver tecnologicamente acho isso chato…

  • Eduardo Amorim

    Muito bom o Post, eu queria saber se tem aquele cartão do Banco de Ferro pq EU QUERO UM!!! XD.

  • Joval Junior

    No trecho em que o autor fala que “não há evidência de que carvão ou outros combustíveis fósseis existam em Westeros ou além” me veio na cabeça logo que o Fogo Vivo poderia ser usado para tal fim, mas lembrei que também eles são dominados por um grupo de pessoas, os Piromantes, que também retém o conhecimento sobre sua fabricação…

  • Guilherme Borges

    Cara, você tem que lembrar quem a magia em ASOIAF não é como em outras sagas de fantasia, pois ninguém usa abertamente ela a um ponto de substituir tecnologia

  • Torna ainda mais claro como os Meistres tem controlado os Sete Reinos.

  • Renato Reis

    Concordo com o artigo, principalmente na ênfase dada ao monopólio do conhecimento westerosi por um grupo minoritário de pessoas, o conhecimento sendo centralizado pela instituição dos meistres da Cidadela, impossibilitando a sua difusão, monopólio que a partir da invenção da imprensa por Gutenberg e da Reforma Protestante não existia na Europa. Existe também a teoria conhecida como Economia Política dos Sistemas-Mundo, elaborada pelo sociólogo norte-americano Immanuel Wallerstein, que explica porque a Europa, cultural e economicamente mais atrasada, conseguiu se industrializar antes da China, a maior potência do mundo até o século XVIII. Ela diz que a China teve a grande desvantagem de ser um ”Império-Mundo”, ou seja, um único estado era totalmente dominante dentro do seu “mundo conhecido”, dessa forma a competição deixou de ser um fator que impulsionava o crescimento, com a elite política e econômica do Império Chinês se tornando acomodada. A Europa passou a frente da China devido ao ambiente de competição árdua entre os vários estados que estavam se formando a partir da Baixa Idade Média e da Renascença, eles competiam para sobreviver, competição que trouxe inovações no campo militar e civil, que levou a criação do que chamamos de Estado-Nação democrático de direito e a formação do próprio capitalismo. A oligárquica e isolacionista China das dinastias Ming e Qing sempre esteve a frente das monarquias europeias até o advento da Revolução Industrial, produto dessa competitividade, empreendedorismo e inovações de uma Europa Ocidental dividida entre estado-nações rivais que disputavam a hegemonia político-econômica entre si. Enquanto em isso, em ASOIAF, regiões de Essos como as Nove Cidades Livres estão ”anos-luz” à frente do ocidente, com Westeros preso a um sistema feudal milenar – onde nem mesmo revoltas campesinas ocorrem com frequência – que remonta aos Ândalos, enquanto isso, nas Cidades Livres, como Volantis, existe uma ”burguesia”, e além disso, existe uma espécie de capitalismo mercantil e existe um grande desejo por mudanças, é o único lugar do universo da saga, nas atuais condições, onde revoluções são possíveis.

  • Renato Reis

    E além da unificação do continente pela dinastia Targaryen ter promovido a estagnação impedindo a evolução e desenvolvimento econômico e tecnológico, acredito que o fato de Westeros não ter tido algo análogo a Roma Antiga também influencia nessa estagnação: a aurora do capitalismo mercantil ocorreu nas cidades-estado italianas da Baixa Idade Média, elas saíram na frente do resto da Europa devido ao enorme legado cultural deixado pela Roma Antiga, o fortalecimento precoce da burguesia, a economia fundamentada no comércio, no acúmulo de dinheiro – fundação dos bancos em Florença, Veneza e Gênova – nos investimentos – o mecenato, patrocínio a Renascença, foi parte desse fenômeno – e na interação constante com o Oriente via Mar Mediterrâneo, fazendo comércio com bizantinos e árabes e servindo de ponte entre o Sul da Europa e a Ásia, no universo da saga a maior parte de Essos teve Valíria e seu império como sua Roma, ao passo que em Westeros nunca houve nada similar a Roma, nem mesmo os Targaryen, que pouco mudaram estruturalmente o continente, o sistema feudal e as bases culturais westerosi – como os meistres da Cidadela e a Fé dos Sete – permaneceram as mesmas -, Essos teve sua Roma, Westeros não, isso somado a centralização do conhecimento pelos meistres e a unificação dos reinos fragmentados pelos Targaryen, que deteve os avanços tecnológicos, explicam o porque de Westeros ser um continente pré-industrial. Acredito que a figura política de Petyr Baelish tem a chance de ser um divisor histórico, quebrando o status quo e rompendo paradigmas, ele é claramente a imagem viva dos príncipes da Itália renascentista, chegando a evocar Maquiavel: conspirador, inventivo, empreendedor, especulador, bancário e financiador, transitando entre a nobreza e a plebe, se há possibilidade de Westeros finalmente deixar de ser feudal, Peyr é o maior expoente e símbolo dessa possibilidade.

  • Eduardo Amorim

    Pra complementar: Também até quem controla a magia como Melisandre e os piromantes do fogo vivo dizem que a magia é mais forte em certos locais e também depois que os dragões voltaram.

  • Jonathan Campos

    ha tbm um outro problema, apesar do fogo-vivo ser uma fonte bem quente de energia, ele serve mto melhor como arma do que como combustivel, pois ele não tem uma grande queima continua, e só pode ser usada uma vez, acho q seria dificil fazer maquinarios e maquinas a vapor com um combustivel que queima tao rapidamente

  • Júlio Felipe Hartmann

    De fato, Fogovivo é o que há de mais avançado em Westeros, e os Piromantes venderam a tecnologia para Reis. Acredito que os Meistres também possam desenvolver outras tecnologias, como pólvora, e vender para Reinados. Claro que eles só não o fizeram porque Martin não quer, e espero que nunca queria. kkk

  • Felipe Lobato

    Tava torcendo pro Renato chegar brilhando aqui.

  • Don Ramon

    Westeros e a América Latina.

  • Laiks

    China a maior potencia mundial até o século XVIII? Isso foi uma piada?

  • Tattinha

    Pra ser sincera, vivo me perguntando isso!

  • Thiago de Paula Carvalho

    Teoria besta, mas talvez o ciclo diferente de invernos/verões de westeros explique o motivo da sua sociedade ter, aparentemente, estagnado. Os filhos da floresta usavam obsidiana, os primeiros homens bronze (ou cobre, não lembro bem agora)… depois chegaram os ândalos com ferro… por fim tivemos os Targaryen com aço valiriano (e dragões)…. isso em um período de tempo muito maior do que o equivalente da Europa para esses mesmos desenvolvimentos…

    mas talvez, se contarmos o tempo em Westeros pelo ciclo de inverno/verão, ao invés de pelos anos o número de ciclos fique mais ou menos próximo do que foram os anos no nosso mundo…. entre a queda de Roma, no ano de 476, até a Revolução Industrial, 1760-1829, foram +/- uns 1300 anos… 1300 invernos/verões…. em Westeros, com seu ciclo imprevisível, onde as estações podem durar anos, a mesma quantidade de invernos/verões, e supondo que em uma década possam ocorrer uns três oi dois ciclos… em alguns casos talvez sequer um ciclo completo… isso daria uns, vá lá, trinta ciclos por século… em mil anos seriam trezentos… possivelmente menos… 1300 anos teriam cerca de 390 ciclos… um pouco mais do que um quarto do número de estações aqui na nossa terrinha…

    Um período equivalente aos 1300 de nossos anos precisaria, pelo menos 5200 dos de Westeros…

    Alguém ai veja se não errei nas contas.. 😉

  • Renato Reis

    Não, a China das dinastias Ming e Qing, antes do Iluminismo e da Revolução Industrial no Ocidente, era uma superpotência, o papel, a pólvora, a bússola e a impressão em tipos móveis já eram conhecidos na China séculos antes de chegarem na Europa, inclusive entre 1405 e 1433 os imperadores Ming patrocinaram as viagens da marinha chinesa – os juncos chineses eram oito vezes maiores que as caravelas espanholas e portuguesas – ao Sudeste e Sul da Ásia,África Oriental e Oriente Médio liderada pelo explorador, diplomata e eunuco Zheng He (1371-1433). Geoffrey Blainey diz: ”Como a China possuía em abundância os três ingredientes da pólvora – o enxofre, o salitre e o carvão -, não é de surpreender que tenha descoberto esse explosivo. Um trabalho chinês de 1044 contém três receitas diferentes para se fazer pólvora militar e, com certeza, foi usada de tempos em tempos no século seguinte. Várias técnicas de navegação e para a construção de navios muito provavelmente vieram da China, embora algumas tenham sido melhoradas e usadas com mais eficiência na Europa Ocidental. Pontes suspensas por correntes de ferro foram construídas na China muito antes de a Inglaterra ter feito sua famosa ponte de ferro no início da Revolução Industrial. Cinco anos antes da chegada à Inglaterra de Guilherme, o Conquistador, construiu-se um pagode de ferro fundido na província de Hubei, onde se encontra ainda hoje. Em 1400, um observador perspicaz com o dom de prever o futuro poderia ter pensado que a China corria a passos largos, à frente da Inglaterra, em direção à primeira revolução industrial do mundo. Logo depois, porém, essa corrida diminuiria seu ritmo até se tornar um simples rastejo pelo chão…”

  • Renato Reis

    ”Na medicina e na saúde, os chineses foram vigorosos em experimentar novas soluções, mas também obstinados em apegar-se aos velhos remédios, principalmente na medicina fitoterápica, que provavelmente era a principal forma de cura. Muitos dos chineses usavam pasta de dente e uma escova de limpeza, artigos desconhecidos na Europa. Os médicos chineses vislumbraram as doenças maléficas que estavam ligadas a certas ocupações: como os mineradores tinham os pulmões enfraquecidos pela poeira cortante suspensa pela perfuração de buracos nas minas subterrâneas, como os ourives de prata inalavam o mercúrio que usavam em seu ofício e como os cozinheiros, que constantemente inspecionavam o fogo em seus fornos de massas, aos poucos prejudicavam a própria visão. Em anatomia, também, os estudiosos chineses fizeram grandes avanços… O infortúnio dos chineses foi que, tendo liderado por muito tempo em muitos ramos da tecnologia, eles foram quentes e frios, criativos e letárgicos, na técnica que provou ser o portão de entrada para o futuro: eles fracassaram no mar. É verdade que inventaram a bússola, mas não o desejo persistente de navegar para o desconhecido. Eram cartógrafos habilidosos, mas seus melhores mapas eram de seus distritos agrícolas de pequena escala. Um mapa do mundo era de pouco interesse para eles, pois acreditavam que as planícies férteis da China eram o centro da Terra, um Jardim do Éden Oriental, e que tudo além daquelas planícies era de menor importância. Os cientistas chineses ainda acreditavam que a Terra fosse plana com uma borda definida muito depois de essa ideia confortante ter desaparecido na Europa. Não podiam ver sentido na atormentadora teoria, cada vez mais defendida na Europa, de que viajando para o oeste, em vez do leste, um navio europeu acabaria alcançando a China. Para os navegadores chineses, em 1492, o corolário dessa ideia era que, navegando para o leste, eles acabariam chegando à Europa Ocidental. Se os chineses tivessem se agarrado a essa ideia, seus navios poderiam ter partido primeiro e descoberto a costa oeste das Américas bem antes de a costa leste ter sido descoberta por Colombo. Mas eles não acreditavam que a Terra fosse redonda. Os chineses mostravam uma alta capacidade na arte da construção de navios. Entre 1405 e 1430, seu almirante Zheng He supervisionou viagens de grande importância, feitas em grandes navios, a terras distantes. Sua esquadra chinesa, quando saía em exploração longe de casa, praticamente só visitava portos bem conhecidos da Ásia e do Oceano Índico. Se podiam ser chamadas de exploração, dentro do espírito de Colombo, é duvidoso, e, em todo caso, as viagens logo cessaram. A navegação costeira havia sido reduzida na China, e o Grande Canal, depois de alargado, é que era usado para o transporte norte-sul, em vez da costa do mar. Notavelmente, os chineses evitaram o mar, no qual eram especialistas, na mesma época em que a Europa Ocidental estava embarcando rumo a oceanos distantes com resultados surpreendentes.” – Uma Breve História do Mundo.

  • Deco Souza Phoenix

    Parabéns Renato, ótima explicação.

  • E também o fogovivo tem uma inspiração histórica: o fogo grego, usado pelos bizantinos durante vários séculos – http://en.wikipedia.org/wiki/Greek_fire -, e armas incendiárias similiares usadas por outros povos também.
    A diferença é que o fogovivo parece ter um fator mágico na sua produção também, ou pelo menos assim dizem os da Guilda dos Alquimistas.

  • Rodrigo Cristoforeti

    Com relação às tecnologias do mundo criado por Martin, também devemos destacar a cidade de Myr: suas lentes (lentes de Myr) fazendo com que a navegação e até mesmo a guarda de castelos seja mais aprimorada e vigiada, e porque não dizer a astronomia,haha. Temos também as rendas de Myr, setor têxtil bem desenvolvido e de luxo,o que nos remete a Inglaterra (têxtil) e França (artigos de luxo).

  • Don Ramon

    também.

  • Don Ramon

    Um fator não explorado na matéria é a própria globalização marítima. Algo que, aparentemente, o mundo de Essos + Westeros já tem.

  • Davi_Gilmar

    Essa comparação não me parece tão justa, levando em consideração que o ciclo não se inicia no calendário cristão. Os humanos modernos se originaram há mais de 200 mil anos. Então foram 199760 anos até a revolução industrial! xP

  • Will

    Winterfell foi construída ao entorno de um antigo Bosque Sagrado e próximo a uma área termal. “A água quente é canalizada por dentro das paredes e cômodos do castelo para aquecê-los, fazendo de Winterfell mais confortável que outros castelos durante os duros invernos do Norte.’ isso é uma invenção ou uma solução para o inverno

  • Diego Natan Canteri

    Segundo o Martin em uma entrevista em que ele comentava sobre o lançamento do atlas do mundo de ASOIF Westeros, e as partes conhecidas de Essos e Sothoryos são apenas partes daquele planeta. Leve-se em consideração que no mínimo tem um hemisfério inteiro que não conhecemos, já que as ilhas do verão aparentam estar na linha do equador daquele planeta, ou no mínimo entre os trópicos.

  • Na verdade o que ele diz (no começo do texto) é que Westeros está em um momento parecido com o que a Europa Ocidental se encontrava em mais ou menos 500 d.C.
    Só que Westeros chegou nesse estágio há mais ou menos 6 mil anos e permaneceu nele desde então, enquanto que no mundo real em 1500 anos (de 500 pra cá) aconteceram mudanças consideráveis.

  • Diego Natan Canteri

    Sim, mas leve-se em consideração que foram necessários apenas 4000 anos a partir da invenção da escrita, 1500 anos a partir da descoberta do aço e assim vai…

  • Diego Natan Canteri

    Mas também remete à India e à China que infelizmente não se industrializaram até meados do século XX…

  • Don Ramon

    Sim, sim, mas eu entendo na minha leitura que a parte setentrional é a única habitável. É uma impressão que eu tenho levando em conta o deserto superaquecido do nordeste planetário e sudeste. Talvez sul e oeste. Eu tenho a sensação de ser um tipo de América Latina inclinada entre o norte africano e a Rússia.

  • Diego Natan Canteri

    Eu não consigo concordar com o que você disse, não completamente, só com boa parte. Deve-se lembrar que a europa passou por 500 anos de continuas invasões e guerras civis, primeiro os hunos e germânicos (saxões, godos, vândalos…) depois os magiares, eslavos, nórdicos e árabes, enquanto isso os francos caíam em 200 anos de guerras civis, o Reino de Astúrias só sobrevivia graças à divisão dos mouros enquanto as ilhas britânicas e a Escandinávia viviam divididas em pequenos reinos que lutavam por supremacia. Num cenário desses é impossível haver grande evolução tecnológica, filosófica e científica, há muita escassez e o conhecimento que é produzido pode ser destruído facilmente, uma vez que cada monastério pode ser queimado a qualquer momento junto com seus ocupantes. Além disso o conhecimento não podia ser propagado, pois faltavam meios, e realmente a prensa de tipos móveis ajudou muito a resolver esse problema, mas ela foi só metade da equação a outra foi a própria introdução do papel, uma vez que o papel é muito mais barato e mais fácil de produzir em grandes quantidades do que as peles usadas anteriormente. Não acho que seja coincidência o fato de que a renascença tenha começado no mesmo século da chegada do papel, claro que isso também tem a ver com a retomada da rota da seda. Não vamos nos esquecer que o renascimento começa a acontecer no final do século XIII, bem antes da reforma protestante, e que a imprensa surge em 1450, a partir daí o ritmo se intensifica ainda mais. A reativação do comércio traz riqueza que pode ser gasta no financiamento de coisas mais “supérfluas” como arte, filosofia e “máquinas”.

    Eu não sei o que segurou a China ou o que segura Westeros, mas em minha análise a Europa só conseguiu chegar na revolução industrial ao conseguir criar esse “espirito inovador” que por sua vez só foi criado graças à conjunção de estabilidade politica e reativação da rota da seda. Além disso ao contrário do que diz o senso comum, a influência do cristianismo não foi maléfica, mas sim benéfica ao desenvolvimento europeu, uma vez que deu identidade ao continente, preservou os conhecimentos greco-romanos e desenvolveu os conhecimentos e a filosofia ocidental, primeiro nos mosteiros, depois nas universidades.

    Talvez o que tenha acontecido na China não seja uma acomodação, e o fator principal do avanço europeu não tenha sido apenas a competição, mas sim a diversidade de prioridades… se houvesse um grande Imperador da Europa, ao estilo dos Imperadores Celestiais, talvez ele se preocupasse mais em limitar os esforços locais do que em desenvolve-los, Portugal não desenvolveria sua navegação por exemplo, pois ela se desenvolveu principalmente como forma de atacar os Mouros na África do Norte e contorna-los no comércio, um estado europeu tentaria se expandir para o leste ou se concentraria em consolidar e controlar sempre os territórios já sob seu controle.

    Bem, eu não discordo dessa teoria que você apresentou, apenas discordo de dois pontos dela e acho que ela esta meio incompleta.

    Resumindo:
    1 – Muitos estados pequenos e invasões constantes não deixaram a Europa se desenvolver, mas um estado muito grande inibiria o desenvolvimento local.
    2 – Tecnologias que chegam à Europa durante o século XIII e o renascimento do comércio na mesma época levam ao renascimento, principalmente a chegada do papel e a invenção da prensa.
    3 – O renascimento cria o espirito empreendedor e a figura do cientista que serão importantes na revolução industrial.

  • Martins

    A culpa é da Cidadela!

  • Vladson Sebastião Marques de S

    Estou no celular e sem tempo, mas considerem um pouco o Japão feudal, cujo desenvolvimento só ocorreu após o contato com os europeus.

  • Davi_Gilmar

    Vocês rapazes tem razão.

  • Patrik Cotrim

    então, pela sua definição a diferença entre o universo real e ASOIAF são dragões?hum interessante…o que será que a cidadela acha disso?=DDDDDDDDD

  • Diego Natan Canteri

    Não entendi direito o que você disse, hehe, você consegue dizer de outra forma? 🙂

    Como na Terra, há um padrão climático: tropical no norte de Sothoryos e nas Ilhas do Verão, em Dorne e em grandes áreas de Essos existem desertos, como na patagonia, no deserto do Arizona, Gobi e o Saara, depois mais ao norte temos climas mais temperados nas regiões próximas ao mar e estepes e pradarias principalmente no interior de Essos…

    Outra coisa é que me parecem curtas as distancias entre as cidades, levando-se em consideração algumas comparações que tenho visto, me parece que a distancia entre as terras do outro lado do mar de Jade e as ilhas a oeste de Westeros é mais ou menos a mesma que a distancia entre a região de Moscou e a Costa Leste Americana. Um pedaço muito significativo, mas ainda assim somente um sexto de toda a área de um planeta do tamanho da Terra.

  • Konrad Cabral

    DIscordo. Acho que o principal motivo é justamente o clima, as estações longas. Quando os invernos são longos, o excedente do verão tem que ser totalmente canalizado para o inverno, não podendo ser utilizado para aumentar a divisão do trabalho. Isso deixa o progresso tecnológico muitíssimo mais lento.

  • Tassio Luan

    Análise muito interessante.

  • Bluna Brasil

    Eu faço parte dos “fãs de alta fantasia”. Tecnologia é bom na vida real, mas prefiro que não tenha nas histórias.

  • Rodrigo

    Na época dos Faraós já existia o uso do ferro, há 5000 anos atrás. Então o desenvolvimento da idade da pedra para o ferro não foi assim tão rápida entre os povos. Somente depois da domesticação do cavalo que a evolução do conhecimento acelerou. Se o Brasil não fosse descoberto e colonizado estaríamos vivendo em ocas até hoje.

  • mauricio braglia

    não a China é industrializada a mais tempo q o ocidente lembre o papel moeda surgiu na china, só o conceito q papal vale como ouro ja expressa uma circulação grande de bens e serviços tipica de uma sociedade com industrias ….

  • TDRamos

    Mas se vc considerar que o Martin disse que Westeros tem o tamanho da America do Sul, então, o planeta “Terra” de ASoIaF é maior que a nossa Terra.

    O continente americano, que é o maior do planeta e estende do extremo norte até quase o paralelo 60° no sul da Terra, tem em torno de 15 mil km do oceano Ártico ao cabo Horn (pode ser mais ou menos dependendo da fonte),
    só a America do Sul, do mar do Caribe até o cabo Horn, tem mais ou menos 7,6 mil Km, ou seja, mais da metade dele e a maior parte se encontra abaixo da linha do equador,

    Levando em conta que as ilhas do Verão estão na linha do equador do planeta, e elas estão a uma distancia considerável de Dorne, vc tem mais de 7,6mil km de extensão de terra acima da linha do equador.

    Na minha cabeça depois de pensar nisso, Dorne fica mais ou menos no deserto Mexicano, perto do Trópico de Câncer , logo, algo perto 7,6mil km estão acima do “trópico de Câncer” no planeta de ASoIaF, enquanto que no nosso planeta menos de 6,5mil Km estão acima desse trópico, já que esse é o comprimento da América do Norte, do oceano Ártico ao fim do golfo do México. e que parte desses 6,5mil Km estão abaixo do trópico de Câncer. Uma diferença de mais de mil Km

    Concluindo, a impressão que dá que o planeta de ASoIaF é bem maior que o planeta Terra em que vivemos

  • Elen

    Mas um dos principais motivos é como eles não difundem o conhecimento não encontrando assim uma forma de otimizar a produção e se manterem aquecidos de forma mais eficiente e desenvolver maquinário para economizar força de trabalho manual.

  • Elen

    Isso é engenharia pura.

  • Thiago de Paula Carvalho
  • Mari

    Deixando um pouco de lado os questionamentos sobre a teoria, eu achei interessante o fato dela ser bem de acordo com a teoria da Conspiração dos Meistres da Cidadela. Eles não só impedem o desenvolvimento da magia, mas também são os únicos com acesso ao patrimônio intelectual em westeros, mantendo a população ignorante. Mas talvez a própria existência da magia seja um problema. Na “vida real” muito do progresso intelectual/tecnológico foi colocado de lado durante a idade média por causa da crença no divino, em magia ou em histórias fantásticas. Agora imaginem se isso realmente fosse real em algum momento da história e fosse presente na vida das pessoas. Não acho que estariam em busca de grandes inovações tecnológicas se as coisas pudessem acontecer milagrosamente. Acho que um bom exemplo é o citado no texto: pra canhões quando se tem dragões? Lógico que nem todo mundo tem dragões para sair queimando os inimigos por aí, mas quando se existe uma solução “Mágica” acho pouco provável que as pessoas sequer pensem em uma científica. Claro que eu não acho que esse seja o motivo principal do atraso tecnológico, talvez seja apenas mais um fator.

  • Cid D´Avila

    Interessante o texto. Vale mais como um exercício de imaginação do que como uma teoria. É possível comparar Westeros com a Europa ou o mundo de ASOIAF com o Mundo Real, mas no final das contas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Falar que Westeros está numa sociedade “pré-industrial” só é possível para quem entende o que é uma “Sociedade Industrial”. Como algo pode ser “pre-alguma coisa”, se essa coisa não existe? Não concordo que Westeros esteja “estagnado”, pois a evolução naquele mundo é diferente da evolução no nosso mundo. Então, não existe estagnação. Existe, sim, evolução. Só que nos parâmetros daquele universo. Talvez aquele mundo nunca evolua para uma sociedade industrial. Comentar o desenvolvimento de Westeros (ou Essos) utilizando parâmetros de desenvolvimento do Planeta Terra, no século XXI e limitar a possibilidade da existência de outros tipos de desenvolvimento que não o nosso. É um pensamento tipicamente moderno e hegemônico. Pensando assim, poderíamos pensar por que o nosso mundo não evoluiu para uma sociedade pós-mágica?

  • Diego Natan Canteri

    Se esse mapa for seu, eu quero te dar muitos e muitos parabéns maninho… impressive!

    Eu não tinha reparado que Essos tinha essa forma voltada pro Sul, minha impressão era que o Equador passava no norte de Sothoryos e não no Sul de Essos.

  • Diego Natan Canteri

    Talvez Westeros tenha polos mais achatados? Ou talvez ele seja maior mesmo, o que seria problemático por que aumentando o diametros você aumenta muita mais o volume e a massa… mas é até a probabilidade maior mesmo, já que quando Martin criou o mapa e o mundo de Westeros ele não levou tanto em consideração as distancias, tanto que ele mesmo não dá escalas. Outra coisa, não levem tão ao pé da letra que Westeros tem o tamanho da America do Sul, é consenso que o continente tem aproximadamente o mesmo comprimento da América do Sul, mas todas as medições são baseadas no comprimento da Muralha, que corre de leste pra oeste e não de norte a sul, ficando mais exposta aos desvios das diferentes projeções e como não temos nem a localização do Equador a nossa situação fica bem complicada…

  • Diego Natan Canteri

    Isso é ter um sistema monetário eficiente, mas ser industrializado é mais do que isso. Eu sei que a China tinha métodos de produção avançados e produzia principalmente ferro em grandes quantidades, mas industrialização envolve o desenvolvimento ou a implantação de técnicas e processos que facilitem e aumentem continuamente a produção de bens, na china esse processo não aconteceu e eles nunca atingiram um nível e uma forma de produção realmente industrial, continuaram dependendo de artesãos para a maioria das coisas e como tinham muitos servos/escravos mão de obra barata não faltou, assim como não falta hoje. Se não teríamos que considerar que os romanos eram industrializados, que o Brasil era industrializado desde 1850… além do mais a China sempre foi populosa, é natural que por la tivesse havido grande movimentação de bens.

  • DragonSlayah

    Seria muito legal se alguém mais entendido tentasse explicar o porque do Inverno durar tanto! Na real é estranho pois alguns invernos duram mais e outros menos…

  • DragonSlayah

    Interessante, porém, está meio estranho esse mapa de Westeros sobreposto ao mundi. Este link aqui abaixo é a imagem de outro mapa de Westeros e Essos, mostra que Essos não está tão inclinada para baixo assim, o Norte está mais perto de Essos, e aquela ilha isolada acima está mais perto também. Não sei qual mapa é o certo, mas sempre vi mapas parecidos com este que demonstro.
    Não acho que o planeta de Westeros seja maior que a Terra. Acho que Essos possa ser um pouco menor que a Ásia, Westeros do tamanho da América do Sul e Sothorys não sabemos o tamanho, pode ser gigante ou muito pequeno. Ao todo, daria um planeta um pouco menor do que a Terra se tratando de continentes. Lembrando que isso é uma estimativa.
    http://fc01.deviantart.net/fs71/i/2013/010/8/2/new_official_westeros_map_by_gunnar_santos-d5p22qd.jpg

  • Thiago de Paula Carvalho

    montar o mapa foi fácil, peguei as duas imagens pelo google e sobrepus o de Westeros ao nosso, editando o tamanho para que ele ficasse próximo ao da América do Sul. A posição em relação ao equador é trópicos eu fiz “no olho” mesmo, me baseando nas características climáticas aproximadas…

  • Thiago de Paula Carvalho

    para montar o mapa, peguei as duas imagens pelo google e sobrepus o de Westeros ao nosso, editando o tamanho para que ele ficasse próximo ao da América do Sul. A posição em relação ao equador é trópicos eu fiz “no olho” mesmo, me baseando nas características climáticas aproximadas…

  • mauricio braglia

    tem razão! desculpa, confundi industria (manufatura de bens em maior escala) com industrialização que involve muito mais q só fabricar algo rsrsrs

  • rodrigo_Seven

    Acho que não tem como explicar fisicamente porque envolve magia. :/

  • Isac Rezende

    Minha vontade e minha expectativa é de que a dinastia Targaryen retorne ao Trono de Ferro pela Daenerys, implantando um novo sistema que considera um vassalo camponês e um escravo como os de Mereen e Astapor praticamente o mesmo, de forma que a Dany faria um código penal, um sistema politico novo e um molde ditatorial incrível capaz de fazer o período “pré-industrial” (concordo com o que disseram, para nós, em relação ao nosso mundo, eles estão nesse período) para uma sociedade parecida com o que desejam os socialistas. Um dia, os descendentes dela irão refazer a economia e até mesmo a geografia de Westeros, valorizando principalmente os reinos de Essos, transformando os Sete Reinos, as Cidades Livres e o resto do mundo em um grande país único, governados por aquele que senta no Trono de Ferro. Acho que isso pode não funcionar se a afeição por Essos fazer da Daenerys a rainha de lá, dominando tudo e todos, construindo e reconstruindo (creio na reconstrução da Antiga Valíria) e tudo mais.

  • Patrick

    Não acho que Westeros esteja estagnado.O império valariano,sucumbiu a apenas 700 anos.Fazendo um contraponto com o mundo atual eles estão bem meio da idade media e caminhando para o renascimento,neste ritmo,eles chegam a revolução industrial em uns 200 anos.