Análise do episódio 4.02: “The Lion and the Rose” (sem spoilers)

Esse texto NÃO CONTÉM SPOILERS DOS LIVROS e é destinado principalmente para aqueles que não terminaram ou sequer começaram a leitura dos mesmos. Se você já leu ou não se importa em saber o que vai acontecer, confira a análise COM SPOILERS, que em breve deve tá saindo por aí.

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“The Lion and the Rose”. Não foi à toa que escolheram esse título, que é uma clara referência ao casamento de Joffrey e Margaery – o leão e a rosa –, palco do acontecimento que, provavelmente, será um dos mais determinantes nesse ano da série, e que foi responsável por toda a carga dramática do episódio escrito por George R. R. Martin (autor das Crônicas de Gelo e Fogo) e dirigido por Alex Graves (responsável pelo sucesso de episódios como “And Now His Watch is Ended” e “Kissed by Fire” na última temporada).

E não estou dizendo que as outras cenas foram ruins, pelo contrário. Eu só acho que elas não pareciam fazer parte desse episódio, mas sim do anterior, já que todas tiveram aquele caráter introdutório que eu mencionei na minha análise de “Two Swords”, o que é completamente compreensível. Game of Thrones é uma série com tantos personagens e núcleos marcantes, que é sempre preciso mais de um episódio pra que a temporada comece de fato. É praticamente impossível mostrar, em menos de uma hora, tudo que acontece da Baía dos Escravos ao outro lado da Muralha então, naturalmente, algumas histórias precisam ser “empurradas” para uma semana após a estreia. E é com uma delas que começaremos.

forte do pavor

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Até agora, a grande marca dessa temporada tem sido a violência. Nas milhares de entrevistas que saíram antes da estreia, os atores, produtores e diretores da série avisaram que esse ano seria o mais cruel para os fãs, mas isso é uma coisa que eles sempre dizem. No último episódio, vimos o Cão de Caça e Arya matarem cinco homens por causa de umas galinhas (e uma espada, e uma vingança). Dessa vez tivemos, além da morte grotesca do rei, Stannis queimando o próprio cunhado por continuar seguindo a fé dos seus antepassados e Ramsay caçando uma pobre moça na floresta com seus cachorros, apenas por diversão. Mas tudo bem, afinal estamos falando de Game of Thrones, não Glee.

Agora, além dos cachorros, Ramsay tem mais dois novos mascotes: a bela Myranda, uma das garotas nuas em “The Bear and The Maiden Fair”, que o bastardo de Bolton parece ter tornado sua amante, e Theon – ou melhor, Fedor (Reek), uma sombra daquele que um dia foi o Príncipe das Ilhas de Ferro. Reparem como em nenhum momento a câmera consegue filmar diretamente o rosto do ator.

Quando Jaime perdeu a mão, ele começou a galgar o caminho para a redenção. As pessoas passaram a gostar mais dele ao acompanhar as provações pelas quais ele passou (e ainda passa) depois daquilo. As pessoas passaram a gostar mais dele. Se não sua família, nós, os telespectadores. Depois de ver a performance de Alfie Allen nesse episódio – especialmente quando ele recebe a notícia da morte de Robb Stark, resistindo ao impulso de rasgar a garganta de seu mestre –, eu acho que o mesmo vai acabar acontecendo com Theon. Aliás, foi um ótimo artifício da série fazer Ramsay colocar nas mãos de Fedor uma navalha para mostrar ao pai como este havia sido torturado até a total submissão. Mas como isso vai ficar quando sua família, os Greyjoys, entrarem em cena?

Aliás, aqui vemos uma alusão interessante a um diálogo de “The Night Lands”, na segunda temporada, onde Theon retorna às Ilhas de Ferro, confronta o pai e, quando mencionada a morte de Ned Stark, Balon pergunta: “How do you feel about that?”

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Nesse episódio nós pudemos conhecer melhor o Forte do Pavor, a esposa gorda de Roose Bolton, Walda Frey – com quem ele se casou por que Walder Frey lhe prometeu o peso dela em prata (fato mencionado em um diálogo com Catelyn durante o Casamento Vermelho) –, e a relação nada paternal entre ele e seu bastardo, que fica pianinho na presença do pai.  Eu nunca gostei muito da atuação de Iwan Rheon, por fazer de Ramsay um personagem extremamente caricato. Mas nessa cena, ao ver ele e o pai juntos, comecei a achar que esse é um interessante contraponto à atuação mais equilibrada de Michael McElhatton, que desde o ano passado vêm se revelando como um ótimo ator.

Ah, e não posso esquecer de mencionar a presença de Locke (Noah Taylor), o cara que cortou a mão de Jaime Lannister. Tudo bem que ele serve aos Bolton, que agora servem aos Lannisters, mas nem por isso ele merecia perdão. Ele cortou a mão do filho preferido de Tywin Lannister! Como ele pode ainda estar vivo? Se eu fosse Roose Bolton, teria no mínimo cortado a mão dele e mandado para o chefão como prova de lealdade. Ramsay certamente o faria. Mas parece que, ignorando esse fato, a série arranjou outra utilidade para o maldito: Caçar e, quem sabe, trazer um pouco mais de ação aos núcleos de Bran e Rickon, que viajam separados desde “The Rains of Castamere”.

porto real

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Depois da primeira cena, quando a câmera foca o rosto de Theon, o diretor corta para a capital, onde vemos Tyrion na companhia do irmão, comendo salsichas porco. Coincidência? O diálogo nos mostra como os dois estão próximos, agora mais do que nunca, já que Jaime está passando por algo parecido com o que o irmão passou a vida inteira: a humilhação de ser desmoralizado e ridicularizado pela própria família.

Jaime está puto e sem fome por não conseguir lutar com a mão esquerda e, consequentemente, não ser capaz de proteger o rei, que é o seu dever como membro da Guarda Real. Tyrion sugere que pra ser Comandante ele não precisa, necessariamente, saber empunhar uma espada, apenas saber comandar. Mas não é isso que Jaime quer, como vimos no episódio anterior, quando ele recusou a proposta de Tywin de se tornar Senhor de Casterly Rock. Ele é o Regicida, e prefere ser temido e respeitado por suas habilidades lendárias do que pelo poder de seu pai. Mas sem essa habilidades, ele não é nada. E seu maior medo é que as pessoas saibam disso, então a melhor solução é treinar seu braço esquerdo com um homem que pode ser facilmente silenciado pelo ouro dos Lannisters: Bronn.

Já faz um tempo que eu venho achando a relação entre Bronn e Tyrion um pouco desgastada, e fiquei feliz por ter sido atribuído esse novo papel ao mercenário. Eu jamais perdoaria os criadores da série se eles tivessem se livrado de um ator tão bom como Jerome Flynn. E ver essa interação entre ele e Jaime, que é diferente do irmão em praticamente todos os aspectos, será no mínimo interessante. O único problema é que o Regicida quer se livrar daquela imagem de “homem sem honra”, e nós sabemos que Bronn não luta com honra.

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Outro personagem que fez falta na estreia foi Varys. Eu realmente gosto de Conleth Hill e do modo quase honesto como ele interpreta o mestre dos sussurros (prestem atenção nele durante o casamento). O diálogo entre ele e Tyrion nesse episódio mostrou que Varys parece ser de fato aquilo que ele diz que é: um homem que não serve a Tyrion, Tywin ou Cersei, mas sim ao reino. Mas, pra fazer isso, ele precisa manter sua cabeça sobre os ombros, e mentir para a Mão do Rei nunca é uma boa ideia. Aqui vemos o primeiro desdobramento de uma cena do episódio passado, quando uma das aias de Sansa ouviu a discussão de Tyrion e Shae e saiu correndo pra contar a rainha regente (ou, como Oberyn fez questão de lembrar, ex-rainha regente). Varys também lembra que, lá no primeiro episódio da terceira temporada, “Valar Dohaeris”, Tywin prometeu enforcar a próxima prostituta que visse com o filho. Mas como ele sabia disso se ele nem estava na sala? Pergunte a algum de seus “passarinhos”, se você for capaz de encontrar.

Então, pra proteger sua amada, Tyrion a destrata, obrigando-a a viajar para Pentos, onde Varys tem amigos que podem ajudá-la a começar uma nova vida (como ele mesmo disse ao oferecer aquela bolsa de diamantes pra ela em “Mhysa”). Embora esse seja um velho clichê – que inclusive já foi usado na série, quando Arya atirou pedras em Nymeria para que ela fugisse do sacrifício –, foi a melhor cena do casal desde que eles chegaram à capital, lá na segunda temporada. A partir dali foram só juras de amor e ataques de ciúme, com muita pouca variação até esse momento, onde os dois atores – excelentes, por sinal – puderam mostrar um pouco mais da sua capacidade dramática. Será que veremos Shae novamente? Eu espero que sim (e Tyrion também).

joffrey

Muitas pessoas reclamam que, ao contrário de séries como The Walking DeadGame of Thrones faz com que você ame os personagens antes de mata-los. Bem, certamente isso não pode ser dito sobre Joffrey. Para que serviu aquela cena do café da manhã senão para que odiássemos ainda mais o jovem rei? Também serviu para que conhecêssemos o famoso Senhor de Jardim de Cima, Mace Tyrell – que de maneira muito suspeita presenteia Joff com uma taça desejando-lhe vida longa –, o filho mais novo de Cersei, Tommem, que agora é interpretado por um novo ator (o mesmo que fez Martyn Lannister, um dos prisioneiros mortos de Edmure em Correrrio, na terceira temporada) e o destino da segunda espada de aço valiriano forjada a partir da Gelo de Ned Stark no episódio anterior. Ela foi dada a Joffrey pelo avô como presente de casamento e, ironicamente, foi chamada de Lamento da Viúva.

Pobre Margaery… Mas antes ela do que Sansa.

pedra do dragão

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Eu fico realmente triste toda vez que vejo o núcleo de Pedra do Dragão na série, e talvez essa seja a intenção dos produtores, mas não é uma coisa boa. Stannis passou a última temporada inteira remoendo sua derrota e eu cheguei a pensar que depois da carta da Patrulha que eles leram em “Mhysa”, as coisas fossem começar diferentes esse ano. Ledo engano. Fico triste por que esse é o núcleo mais apagado e desprezado da série sendo que é o único em que absolutamente todos os atores e atrizes são de primeira linha. Stephen Dillane é incrível mesmo quando tudo que Stannis faz é ignorar a histeria da esposa, ameaçar Davos e reclamar da carne podre. O mesmo pode ser dito de Melisandre, que mesmo servindo basicamente pra propagar sua religião, graças a interpretação de Carice Van Houten, nunca fica cansativa. E acho que nem preciso mencionar o trabalho de Liam Cunningham como Davos, que demonstra rija fidelidade mesmo quando o rei vira pra ele e diz “se Axel Florent, que me forneceu centenas de homens e navios para a batalha, foi sacrificado em nome do Senhor da Luz, imagine o que pode acontecer com você?”

Até as atrizes que menos aparecem, Tara Fitzgerald e Kerry Ingram, que interpretam, respectivamente, Selyse e Shireen Baratheon, quando aparecem, arrebentam na performance.  Aliás, acho que elas foram os destaques do núcleo nesse episódio, e por isso fiquei feliz, já que ambas mal apareceram ano passado. Além da cena servir pra conhecermos um pouco mais a relação de Stannis com a esposa, uma mulher capaz de ver o próprio irmão servindo como sacrifício para as chamas com lágrimas de felicidade nos olhos, ela também foi uma total antítese à abundância que vimos na capital durante o casamento. Enquanto lá eles deixam os restos de seu banquete para os pobres, em Pedra do Dragão até o rei come carne estragada. E foi legal como a série usou isso pra fazer referência ao cerco de Ponta Tempestade, um episódio da Rebelião de Robert Baratheon onde Stannis e Selyse também passaram fome e foram salvos por Davos, que ao contrabandear comida para dentro do castelo ganhou seu título, suas terras, seu apelido e quatro pontas a menos nos dedos.

(Para saber mais sobre o cerco de Ponta Tempestade, acesse nossa wiki).

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branAí vamos para o outro lado da Muralha, que parece bem menos glacial que nas temporadas anteriores, embora visualmente essa cena seja uma das mais bonitas. Aliás, a capital também parece bem mais ensolarada, com aquele mar azul ao fundo. Desse jeito fica fácil esquecer que o inverno está chegando.

Assim como os Caminhantes Brancos e os dragões, o núcleo de Bran existe pra nos lembrar que embora a política, os conflitos da nobreza e a guerra sejam os temas centrais em Game of Thrones, a magia também existe em Westeros. Uma pena que isso não seja tão bem explorado, embora essa cena talvez tenha sido a que mais se esforçou pra nos mostrar como realmente funciona o poder de um warg. Conhecemos a possibilidade de que Bran pode se perder em seus sonhos de lobo. A possibilidade dele esquecer como é ser humano. Esse é um dilema inteiramente novo, e pode ajudar a alavancar a história do garoto esse ano. Não seria melhor pra Bran viver na pele do lobo, onde ele poderia correr e se alimentar sem precisar da ajuda de terceiros? Provavelmente. Mas não seria tão bom para o resto do mundo.

“Se nós perdermos você, perdemos tudo”, diz Meera, cada vez mais convencendo a audiência de que nos poderes de Bran está a chave para combater a ameaça dos Caminhantes Brancos. Se ele é tão importante por que a série continua tratando ele assim dessa maneira? Depois de tocar o represeiro, ele começa a ver imagens randômicas de temporadas passadas e um voz sinistra pedindo pra ele ir ao Norte procurar embaixo de uma árvore. A voz provavelmente é do tal corvo de três olhos que eles procuram. Mas a “ação” acaba por aí. Depois de dizer que sabe pra onde eles devem seguir, a cena acaba, e tudo fica por isso mesmo, o que não seria um problema tão grande se a próxima deles não fosse daqui à duas ou três semanas. Espero estar errado mas, se esse ano for igual ao ano passado, veremos um pouquinho de Bran a cada dois ou três episódios, e isso é muito desanimador.

Nós sabemos que o destino de Bran é promissor e grandioso mas, assim como o inverno, parece que nunca vai chegar.

o casamento

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A cerimônia do casamento de Joffrey e Margaery no Septo de Baelor foi belíssima. Primeiro por que o Septo em si já é uma atração à parte, aliado à trilha sonora fantástica, ao trabalhos dos atores, da produção de arte e dos figurinistas, o resultado não podia ser diferente. A festa porém, em termos de direção, me pareceu meio confusa e desorganizada. Os personagens saíam de seus lugares pra interagir com os outros e a câmera cortava pra lá e pra cá o tempo inteiro, o que pode até ter sido intencional, se levarmos em conta como tudo termina. Talvez a bagunça tenha servido pra desviar nossa atenção do que realmente estava acontecendo.

O diálogo entre Tywin e Olenna sobre as despesas da celebração foi uma ótima oportunidade pra ver dois atores sensacionais em cena, mostrando que, embora Mace seja o Senhor de Jardim de Cima, quem realmente dá as cartas é a Rainha dos Espinhos. Também serviu pra nos lembrar de que “o Banco de Ferro obterá o que lhe é devido.”

Supondo que Joffrey tenha sido assassinado, e não vítima da magia negra de Melisandre – que em “Second Sons” atirou aquelas sanguessugas nas chamas pedindo a morte dele, de Robb Stark e de Balon Greyjoy –, acho que um dos principais suspeitos seria o Oberyn. Dorneses tem um alto conhecimento sobre venenos, e as pessoas na capital amam um vinho dornês. Fora que o último episódio deixou bem claro o ódio que o príncipe sente pelos Lannisters, tanto que a cena em que ele enfrenta Tywin e Cersei durante o casamento pareceu um pouco forçada pra mim. Foi legal ele ter lembrado a rainha de que sua filha mais nova, Myrcella, está em seu poder. Mas precisava ter chamado ela de “ex-rainha regente” três vezes? Só vamos relevar por que, mesmo assim, ele continua sendo um dos personagens mais legais. Aliás, tenho quase certeza que aquela piada envolvendo dorneses, sexo e cabras teve origem no Oberyn. O cara é uma máquina! Viram como ele vai na direção da contorcionista de Podrick como se ela fosse parte do buffet da festa? E até trocou uns olhares com Sor Loras. Tudo com o aparente consentimento da amante bastarda, Ellaria Sand.

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Finn Jones e Nikolaj Coster-Waldau foram excelentes no bate-boca cavalheiresco entre Loras e Jaime, o que pra mim foi como uma resposta ao diálogo entre Cersei e Brienne, mostrando que os dois irmãos, embora brigados, ainda sentem ciúmes um do outro, e parece que não se preocupam muito em esconder isso das pessoas.

Lena Headey também teve momentos excelentes de disputa direta e indireta com a nora e atual rainha, Margaery. Principalmente na cena hilária entre ela e o incrível Julian Glover, que esteve apagado por um bom tempo. Pra contrariar o pedido de Margaery, Cersei ordena que as sobras do banquete sejam dadas para os cães e não para os pobres da capital. Uma atitude bem estúpida, que acabaria prejudicando seu próprio filho, mas que é bem digna da ex-rainha regente. O velho meistre a questiona, e ela ameaça dar ele como alimento aos cães. Ramsay ficaria orgulhoso.

E a cena em que Olenna elogia Sansa, com um papinho estranho de que algum dia Tyrion poderia leva-la a Jardim de Cima? Bem mais ou menos, e diria até descartável, se não fosse por um detalhe bem peculiar: enquanto fala, Olenna discretamente pega uma das pedras no colar de Sansa.

Isso mesmo. Assista de novo e verá (ou, se não quiser assistir de novo, confira a imagem abaixo com pontos da cena em destaque).

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Sabemos que o colar foi um presente dado por Sor Dontos Hollard – que de alguma maneira sabia sobre a morte de Joffrey, pois assim que o rei começou a passar mal, o bobo apareceu pra resgatar Sansa. Mas não acho que ele seria capaz de arquitetar tudo sozinho. Olenna e a pedra tiveram alguma relação com a morte do rei? O que ela ganharia impedindo que a própria neta se tornasse rainha? Talvez seja apenas uma das várias pistas falsas dadas ao longo do episódio, já que a Rainha dos Espinhos deixou claro que matar um homem em um casamento é um ato terrível. Que tipo de monstro faria isso?

Peter Dinklage mais uma vez mostrou que é quando Tyrion está nas piores situações que ele consegue interpretá-lo da melhor maneira. Havia certa dignidade no modo como ele abaixava a cabeça para as provocações do sobrinho, ou no modo como ele pega a mão de Sansa antes de se levantar para encher a taça do garoto. Deve ser por isso que ele sofre tanto. Depois de mandar a única coisa boa que tinha na vida para Pentos, ainda teve que aguentar as humilhações do rei perante toda a corte. E foi apenas o começo. Quando Joffrey deu seu discurso sobre história e aquele gigantesco leão alegórico abriu a boca, aposto que todo mundo pensou: “Aí vem merda”. Dito e feito. A caracterização daqueles anões… O modo como eles representaram a Guerra dos Cinco Reis… Foi simplesmente hilário! Especialmente se levarmos em conta as outras atrações da festa, que foram bem caídas. Tyrion não gostou, porém. E com toda razão. Aquela foi a gota d’água pra ele. Quando Joffrey veio desafiá-lo ele teve que responder à altura, daquele jeito que só ele sabe. Mas só conseguiu piorar sua situação.

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“It’s only wine”

Os momentos seguintes, onde Joffrey é tomado por sua raiva infantil, foram constrangedores até para nós que estávamos assistindo. Tão constrangedores que foi impossível não sentir simpatia pela Margaery quando ela grita pela torta a fim de acabar com aquele tormento. Natalie Dormer foi ótima durante todo o casamento, com todas as expressões de descontentamento que esboçou diante das atitudes pueris do marido.

Aí chega o momento fatídico. Depois de obrigar Tyrion a servi-lo de vinho mais uma vez, Joffrey começa a engasgar e, para o desespero de Cersei, começa a morrer ali mesmo. Embora nem de longe tão boa quanto Michelle Fairley ao ver o filho morrendo no Casamento Vermelho, a interpretação de Lena Headey foi satisfatória, especialmente quando ela grita pelos guardas exigindo a captura do irmão.

Quem esperava que isso fosse acontecer? A cena foi terrível.  Em pouco tempo vemos a cara do rei ficar roxa e começar a expelir sangue dos olhos, narinas e boca. Mesmo com uma visão tão grotesca, acredito que muitos de vocês, à essa altura, já estavam essa dancinha na frente da televisão.

Até que o rei finalmente morre nos braços da mãe (e do pai).

Verdade seja dita, se você acha que a morte de Joffrey trará algo de bom para os Starks, está bem enganado. Em vários momentos do episódio, vimos os próprios membros das Casas Lannister e Tyrell desconfortáveis com o comportamento do rei, que para eles era uma fraqueza. Agora que ele se foi, Tywin pode coroar Tommem, que com certeza é mais fácil de se controlar. E então o reino estará nas mãos daquele que foi a mente por trás do Casamento Vermelho.

Mas não quero tirar a alegria de vocês. Joffrey foi responsável pela morte de Ned Stark, e agora teve o que mereceu. Embora, pessoalmente, eu vá sentir falta dele. Até por que Jack Gleeson era um dos melhores atores no elenco, e a performance dele nesse episódio, especialmente na cena de sua morte, deixa isso bem claro. Para o bem ou para o mal, Westeros jamais será a mesma sem o seu rei.

Pouco antes de morrer, ele ainda comete um último ato de maldade, apontando para o tio como se o acusasse de tê-lo envenenado. E aí percebemos como tudo apontava pra isso. Mesmo quando mata um personagem odiado pelos fãs, George R. R. Martin torna miserável a vida de outro personagem que eles amam. 

E o episódio termina com uma versão mais triste da música dos Lannisters, As Chuvas de Castamere (The Rains of Castamere). Tão triste que soa quase como um réquiem. Não foi a toa que Joffrey mandou a banda Sigur Rós embora da festa.

Nada como um casamento após o outro. Mesmo sem ter aparecido no episódio, Arya já pode riscar mais um nome em sua lista, e é apenas o segundo capítulo da temporada! Enquanto as pessoas comemoravam felizes o fato de Joffrey estar queimando nos sete infernos, Melisandre nos lembra que, na verdade, existe apenas um: aquele em que eles estão vivendo. O que realmente faz sentido se você parar pra pensar.

Em um mundo onde pessoas como Ramsay Bolton andam à solta, a morte de Joffrey realmente faz alguma diferença?

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  • Gui M.S.

    Rafael, parabéns pela excelente análise!
    Mais uma vez, soube abordar, interpretar e relacionar, de forma muito perspicaz, simbologias e situações que passam despercebidas, por muitos dos espectadores!

  • Gabriel Sansigolo

    Linda analise parabéns pessoal.

  • Bacellar

    Que bom amigo, essa é minha intenção. Valeu! 🙂

  • China in box

    Eu só tenho uma coisa a pontuar. Eu não consegui comprar a ideia de que o Theon já estava tão quebrado a ponto de fazer a barba do Ramsay daquele jeito.

  • China in box

    Eu só tenho uma coisa a pontuar. Eu não consegui comprar a ideia de que o Theon já estava tão quebrado a ponto de fazer a barba do Ramsay daquele jeito.

  • Seijin Seijinkari

    Tenho de admitir que não vi direito a cena da morte do Joffrey, algo ao lado me atraiu completamente a atenção… tive mesmo de voltar para trás com o video xD

  • wildfire35

    Excelente analise Rafael,

    Gostei bem mas desta, que do review da semana passada,

    Vc voltou a boa forma, hauahaua

  • Bacellar

    hehehehe, a tendência é ir melhorando. Valeu!

  • Bacellar

    Obrigado Gabriel!

  • Bacellar

    Deve ter tido muita tortura que eles não mostraram.

  • Andrea Avalos

    Observar o Varys no casamento….ótima ideia. Perceberam que os anões esbarram nele na hora do espetáculo, e a cara que ele fez?

  • Andrea Avalos

    Outra coisa que não me conformo, por cada ano que os atores envelhecem, o Isaac Hempstead-Wright envelhece 3. O que esse menino esta comendo???

  • Natália Assis

    Assim que eu termino minha contagem regressiva para assistir os episódios de domingo, começa minha contagem regressiva para ler a análise do episódio.
    A análise estava ótima, como sempre, e mais uma vez li aqui detalhes que deixei escapar no episódio. Tão de parabéns 🙂

  • Massi Marques

    Algumas dúvidas:
    1. Nymeria está viva ou morta?
    2. Fedor mata Ramsay? Diz que sim!
    3. Arya mata alguém de sua lista?

  • Saulo Vieira

    Sabe por quê GOT é tão foda? Porque eu sei que após cada episódio teremos excelentes análises como a que foi realizada pelo Rafael, e que os fãs de GOT são de outro nível, sempre com comentários inteligentes e críticos (a maioria). É uma honra dividir essa paixão com vcs.

  • Bacellar

    As caras que ele faz são hilárias, hehehehe.

  • Bacellar

    Muito obrigado Natália!

  • Bacellar

    1. Tá viva.
    2. Não posso falar, é spoiler.
    3. Arya matou Polliver no episódio passado. Ele tava na lista!

  • Bacellar

    A honra é minha, sor. Obrigado!

  • Resenha linda Rafa, Parabéns, estou muito orgulhosa de vc. <3

  • a verdade

    Melisandre sempre q aparece, fala umas frases marcantes q pregam na cabeça: “The night is dark and full of terrors”
    “There’s only one hell. the one we live now”

  • a verdade

    Melhores personagens: Arya, Tyrion, Margaery e Olenna Tyrrell, Hodor, Jaime, Bran, Theon Fedor, Sam, Cersei, Dany, John

  • Bacellar

    Muito obrigado milady 🙂

  • Victória

    Muito boa a análise e, lógico, eu tive vontade de soltar fogos de artifício quando Joffrey morreu…

  • Roberto Pereira

    O seriado/livros é/são ótimos e as suas análises não ficam atrás. Te achei meio reclamãozinho hoje, ou foi só impressão? Mas tá bom, antes uma análise sóbria do que faniquito de fãboy que acha tudo lindo-maravilhoso.

    Eu de minha parte não fui tão crítico quanto você. Achei tudo muito boom.

    A cena da caça humana do começo não tem nos livros… ou estiou enganado. Agora sério mano, ser torturado é uma coisa, ser capado é MUITO OUTRA! Não sei como o Theon continua vivo sem piroca, só virando um zumbi mesmo. CREDO.

    Antes que me esqueça, uma reclamação sua que eu concordo. A pouca presença do Bran – desde sempre meu personagem predileto. O menino nitidamente tá virando um adolescente 4 anos depois – vão ter que correr com a história ou dar um jeito. Mas aí eu não sei se dar pra culpar os produtores, no livro (até onde li) Bran realmente aparece pouco. então…

    Pra não esticar muito, a cena da morte do Joffrey foi rápida, mas SENSACIONAL. Aquela meleca escorrendo dos olhos nariz e a cara dele!!!! Muito bom. De tirar o chapéu.

    GoT continua cada vez melhor. O que será de nós quando acabar?

    Abraço.

  • Lionel Dayne

    Mais ? Na terceira temporada ele só aparecia sendo torturado culminado com sua castração.

    E o China não comprou a ideia dele estar tão quebrado?? Ele estava completamente esfolado e CASTRADO!

  • Bacellar

    Rapaz, acho que reclamei muito mesmo. Mas gostei do episódio. Sempre gosto, por mais que eu reclame. Ainda bem que temos no mínimo mais duas temporadas pela frente, hahaha. Valeu Roberto!

  • Izabelle

    Como irá fazer falta essa brilhante atuação de Jack Gleeson…isso não

    podemos negar ! Mas ver a morte daquele infeliz, não tem preço!

    Adeus Joffrey ! kkkkkkkkkk

  • Bacellar

    Concordo. Sem ele tivesse culhões, tinha matado Ramsay.

  • M_Tulio

    Que review sensacional!

    =D

  • Matheus Ferreira

    Análise muito perfeita!!
    Semana passada fui ler a análise do primeiro episódio do nada, mas até então nunca tinha lido nenhuma ou acompanhado as análises… e sério, eu adorei demais, e essa semana, fiquei contando os dias pra sair a do segundo episódio, e óbvio, agora toda semana será sagrado ler a análise tanto quanto olhar o episódio.

    Parabéns, de verdade, tu escreve bem demais!! O/

  • Messinho’

    Review quase 100% em concordância comigo, é que você falou que a Shae atuou bem naquela cena. Pra mim foi “meeeh”

  • Messinho’

    Sobre quem matou Joffrey: Hodor é um cara legal demais. Desconfiem dele.

  • brunadoliveirastark

    Por mais que já saiba o que vai acontecer a review foi muito boa nao acho que a atriz que interpreta a shae interprete bem mass…Sobre o Bran nem nos livros o George R R Martin faz com que eu ache os capitulos do Bran interessantes e esse defeito é refletido na série.

  • Fernando Luiz

    Todo mundo tá falando do vinho, mas eu acho que o que pode ter matado o Joffrey foi a torta, na cena em que ele corta a torta dá um close num pombo morto.
    “Pombo é um rato de asa” já dizia minha mãe :v

  • Lennon

    Quem mantou Joffrey foi a própria mãe. O vinho servido a ele estava na mesa dela, nem ela e nem o pai aparecem bebendo. Ela não quer se casar obrigada e muito menos ter uma nora mandando em tudo ao invés dela.

  • Caue Queijin

    só discordo sobre as atuações da Shae e da Lena
    a da primeira foi bem mais ou menos e a da segunda estava ótima por todo o episódio (as expressões de nojinho e a postura de “estou cercada de idiotas” é exatamente o q sinto q ela transmite no capitulos POV dela) a interação com Brienne foi maravilhosa, quero mais disso
    mas na morte do bastardinho… Cersei sabia q ele era um monstro fora de controle, sabia q ele Ñ valia nada, mas amava-o mesmo assim, MUITO, mais do q tudo, ele foi o primogenito, como ela mesma disse no ep passado “durante muito tempo ele era tudo o q eu tinha” ela tinha q ter desabado em choro até mais do q catelyn, e se levarmos em conta ainda a profecia… o baque psicologico nela deveria ser ainda mais artroz, fiquei decepcionado (citar a profecia sem falar sobre o q é Ñ conta como spoiler né?)
    em contrapartida faltou menção honrosa ao Nikolaj, ele foi o perfeito pai-ausente-mas-q-se-preocupa
    acho q anteciparam a volta de jaime pra porto real apenas pra isso, pra mostrar a relação jaime-joffrey, e achei ótimo
    e o oberyn sem papas-na-lingua está ótimo, toda a estravagancia, a luxuria, as alfinetadas, ele é muito perfeito e verossimil, vai virar um fanfavorite tão rapido qto nos livros
    e reitero a atuação da Natalia Dorme como marjorie é de cair o queixo, ñ é de hj q digo isso, e o papel dela é aumentdo (e acho q vai ser cada vez mais aumentado) por conta desse primor, q nem fizeram com robb stark
    bronn tb deve fundir mais personagens e ganhar destaque o q é ótimo, a interação dele com jaime deve ser bem divertida mesmo
    senti falta do mindinho no episodio, ele Ñ foi nem citado

  • Paulo Frank

    POR FAVOR! Eu quero o video da Sophie fazendo aquela dancinha!
    Morri aqui com o beicinho q ela faz! HAHAHAHAHA

  • wallace de castro

    Me lembro de ter visto a Cercei bebendo uma taça de vinho

  • Maya lelis

    Só na quarta temporada passei a ler suas análises, virei fã… Parabéns!!!

  • Wellington Santos Silva

    Concordo com você Saulo. Já faz parte da rotina assistir o episódio e depois ver a análise que sempre é fantástica e com detalhes que as vezes não percebemos.

  • Raul Lima

    Atenção para a torta!

  • Leandro Vian
  • E o Tywin com sua típica expressão serena de “who cares”. Controle emocional absurdo ou a ausência total mesmo. Hehehe. Excelente resenha, Rafael!

  • Melissa Dias de Oliveira

    E que morte sensacional… Cada vez q vejo os gifs me arrepio!

  • Eduardo Amorim

    O video é zuera KKKKKKKKK

  • Eduardo Amorim

    MDS, Sophie sua Linda!!!! *-*

  • AP

    quando sai a versão com spoilers?

  • Marcos Freitas

    poha, sem spoilers? Eu nem sabia que joffrey ia morrer. #brinks

  • Massi Marques

    Ah…
    Mas Polliver era café com leite…quero os grandes!

  • drmingus

    Nas mãos do GRRM isso faz dele mais uma potencial vítima do que um assassino…

  • drmingus

    Nos livros não é mostrada nenhuma caça, mas há várias menções ao fato de o Ramsay caçar as garotas.

  • Ivone

    Achei que outra (possível) prova da submissão de Fedor a Ramsay apareceu quando este contou tranquilamente para o pai, enquanto era barbeado, que Bran e Rickon não estavam mortos, como se imaginava, fazendo Roose Bolton mandar seus homens atrás dos garotos Stark. E como ele saberia disso, se o ex-Theon não tivesse revelado…

  • Qnd q a Cersei não está bebendo vinho?kkkkkkkkkkkkkkkk

  • É a Sohie cantando mesmo?

  • Eu reclamo pq acho o tempo curto. Por mim poderia ter uma hora e meia cada episódio rsrs. Acho 50 minutos muito pouco.

  • Um belo close.

  • Emerson Gutierre

    Infelizmente o núcleo de Pedra do Dragão não funciona na série. Uma pena, pois gosto muito de Stannis; Davos; Melisandre e cia nos livros.

  • Bruna

    Comparar o Bran com o inverno foi maldade, hehe, mas é isso ai msm, espero que o Martin conserte a imagem dele no próximo livro..

  • Bacellar

    Pô, eu acho ela uma ótima atriz. As cenas que são chatas.

  • Bacellar

    Não sei bem se Jaime faz a linha “pai-ausente-mas-q-se-preocupa”. Acho que ele correu daquela forma por que ele era o Comandante da Guarda Real e todos estavam duvidando da capacidade dele em defender o rei, inclusive ele mesmo.

  • Bacellar

    Cara, Charles Dance pra mim é o melhor ator dessa série. Valeu!!

  • Bacellar

    Muito obrigado Maya!

  • Bacellar

    hehehehehe. Sem spoilers dos LIVROS, rapaz. Claro que tem spoilers do episódio.

  • Bacellar

    Na verdade Ivone, ele revela isso no episódio 3×04, quando está naquele túnel acreditando que Ramsay é seu amigo e que vai ajudá-lo a escapar, hahaha. Coitado…

  • Bacellar

    Eu também cara! Sou fanzaço dos três!

  • Bacellar

    Tomara! Gosto muito dele nos livros! E na série também, apesar de todos os problemas.

  • Bacellar

    Um dos melhores atores da série, sem dúvida.

  • Bacellar

    Muito obrigado! 🙂

  • Bacellar

    Pô Matheus, obrigado mesmo. Abraços!

  • Marcos Freitas

    kkkkk de boa, fiquei chocado do mesmo jeito. Muito loko. ‘-‘

  • Marcos Freitas

    Inclusive, foi uma reviravolta brutal aí hein? O infeliz traidor do norte passa de assassino a ‘coitadinho’. To esperando a irmã dele chegar.

  • Messinho’

    Já eu acho que as cenas são chatas pq ela é limitada, tanto que nessa cena, que deu um espaço de atuação maior, ela tinha que sentir raiva e chorar e ficou parecendo a cara do meu primo mimado esperneando

  • Ivone

    Obrigada pela informação. Eu supunha que o ex-Theon tinha contado isso durante suas sessões de tortura, mas não tinha certeza do momento certo, estava meio distraída por causa da tensão daquelas cenas… 🙂

  • Abigail De Souza Pereira

    A morte do Joffrey foi tão realista que eu fiquei assim, 😀 , Wtf?! Até pra morrer o cara é um FDP e põe a culpa no tio! Que coisa escrota! Apesar de dizerem que a parte do Bran e do Ramsay foram essenciais pra sacar uma possível caçada aos Starks remanescentes e um vislumbre do que virá.

  • Ricardo Ghost

    Só tenho uma coisa a dizer para os Lannisters,
    Winter Is Coming.

  • Abigail De Souza Pereira

    ^morta aqui

  • Renato Medeiros

    weh mesmo! tinha até me esquecido da irmã dele!!! 😮

  • Renato Medeiros

    Tywin Lannister eh o Dr. Spock do mal no universo GoT. 😀