“Eu me perco nas histórias”, diz R. R. Martin em entrevista ao jornal O Globo

Um dia desses, o site do jornal O Globo publicou uma entrevista exclusiva com nosso autor preferido, George R. R. Martin, onde ele fala a respeito do sucesso e do futuro de Game of Thrones e de séries de livros como O Cavaleiro dos Sete Reinos (As Aventuras de Dunk & Egg) e Wild Cards, ambas de sua autoria e publicadas recentemente no Brasil. É claro que ele também falou de sua grande obra, as Crônicas de Gelo e Fogo, confirmando o que já tínhamos noticiado aqui a algum tempo: o sexto volume da saga, “Os Ventos do Inverno”, não sairá até 2015.

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Além disso ele também nega os boatos de que virá à Bienal do Livro em 2015, o que também já tínhamos feito aqui. A entrevista segue logo abaixo:

Escrever “O Cavaleiro dos Sete Reinos” o ajudou a compor as histórias de “As Crônicas de Gelo e Fogo”?

“O cavaleiro…” se passa no mesmo reino de Westeros, mas um século antes. São novelas, que eu tentei escrever entre um e outro volume das “Crônicas de gelo e fogo”. Embora passadas no mesmo universo, elas têm um enfoque diferente. Mas é claro que ajudam a construir o ambiente das “Crônicas…”. Eu me apaixonei pelos personagens dessas novelas. Minha ideia é escrever umas oito histórias sobre eles, espero contar o resto de suas vidas.

Parece que “As Crônicas de Gelo e Fogo” atinge um público mais amplo do que “O Cavaleiro dos Sete Reinos”. Você quis alcançar os leitores mais fanáticos por fantasia?

Não tento alcançar público algum. Só escrevo o que me vier à mente, o resto é com meus editores. Tanto é que já fiz ficção científica, horror e híbridos de gêneros. E também histórias de super-heróis, porque sou fã de quadrinhos. Não faço considerações comerciais. Eu me concentro na narrativa e na criação do universo em que a história se passa, em descrever as cenas da melhor forma.

Ver os personagens na TV influenciou a forma como você os imagina ao escrever?

Comecei as escrever “As crônicas…” em 1991. Vivi 15 anos com esses personagens antes de eles aparecerem na mente de um roteirista. Eles são parte de mim, do meu subconsciente. Quando ligo o computador para escrever, a série desaparece.

Você cultiva sua legião de fãs, inclusive nas redes sociais. Como concilia isso com o tempo para escrever?

Com o sucesso ao longo dos últimos anos, há mais e mais demanda do meu tempo. Não é algo necessariamente ruim. É como a entrevista que estamos fazendo, que está tomando só 30 minutos do meu tempo. Não é muito. Mas, se eu fizer uma todos os dias, fica excessivo. Agora tenho assistentes que me ajudam a recusar as entrevistas.

Foi por isso que o tempo de lançamento entre os volumes das “Crônicas de Gelo e Fogo” ficou maior?

Teve um papel, mas não foi o principal fator. O maior espaço foi entre os volumes três e quatro. Tomei uma direção errada no quarto. Escrevi por um ano e recomecei. Os livros quatro e cinco são extensos e complicados. A demora se deve mais a questões criativas do que falta de tempo.

Há um lado ruim em ter seguidores tão fanáticos?

É claro, se você tem centenas de milhares de fãs, alguns serão um pouco obsessivos, assustadores, raivosos. Eles reclamam que eu tinha que escrever mais rápido. Só que, se eu entregar os livros mais rapidamente, eles vão odiá-los.

Com centenas de personagens, como você não comete erros de continuidade?

Às vezes eu me perco nas histórias. Mas tem várias coisas que ajudam. Primeiro é escrever no computador. Uso aquela ferramenta de busca de palavras, para poder consultar o histórico de aparições de cada personagem. E também tenho fãs incríveis, dois deles em especial: Elio García e Linda Thompson  Antonsson, que acompanham as “Crônicas…” desde o começo. Os dois conhecem Westeros melhor do que eu. Quando estou em dúvida, ligo para eles: “Vem cá, já escrevi tal coisa antes?”. Eles respondem: “Sim, você mencionou isso no primeiro livro, na página 374.” Meu Deus! É por eles que eu sei já ter dito que tal personagem tem um nariz quebrado, portanto não preciso me repetir.

A memória não ajuda?

Eu tenho uma memória ótima. Acho que os escritores são diferentes. Esqueço as pessoas reais o tempo todo, tenho uma memória terrível para rostos e nomes. Posso ser apresentado a alguém e não me lembrar da pessoa na semana seguinte. Mas consigo me lembrar dos personagens sem problema. Se alguém apareceu rapidamente no segundo volume, consigo me lembrar dele enquanto estiver escrevendo o sexto. Acho que uso uma parte do cérebro que outros usam para a vida real (risos).

Há alguma chance de o sexto volume das “Crônicas de Gelo e Fogo” sair neste ano?

No ano que vem, talvez. Neste ano eu duvido.

Nesse ritmo, há o risco de a série de TV ultrapassar os livros?

Espero que não. A temporada que vai sair agora corresponde à segunda metade do livro três. Ainda há os livros quatro e cinco. Há muitas temporadas por vir.

Há duas semanas, Barack Obama pediu para ver a nova temporada de “Game of Thrones” antes da estreia. O pedido dele foi atendido?

Ouvi isso também, achei o máximo! Não sei se entregaram. Não pediram para mim, mas para a HBO. Acho que, se o presidente pede, devem entregar os episódios (risos).

Na série de livros “Wild cards” você trabalhou com uma equipe de autores. Como foi essa experiência?

Sem dúvida é diferente. Como você sabe, eu trabalhei na TV. Fiquei dez anos em Hollywood. Na televisão há uma sala com um grupo de seis roteiristas, cada um escrevendo sua história individual. Todos têm uma ideia geral de qual será a história da temporada, e cada um escreve sua parte. Comenta-se sobre o trabalho do outro, mas tudo está sob o controle do produtor executivo, que é o líder da sinfonia. É a mesma coisa em “Wild cards”: cada um toca seu próprio personagem, e meu trabalho é dar consistência e continuidade às histórias. São escritores criativos, cada um com sua própria voz, o que é desafiador. É como uma big band, com todos os instrumentos. Podemos criar algo juntos que nenhum de nós poderia ter feito individualmente. Estamos no 23º volume aqui nos Estados Unidos, e há apetite dos fãs por mais. Teremos uma série de TV, jogo de videogame…

O escritor americano James Patterson também escreve em equipe. Há quem o critique pelo tratamento industrial da escrita. O que você acha disso?

Acho que o que ele faz é diferente. Ele tem pessoas escrevendo o que ele imagina. Não sei qual é o acordo legal que James Patterson tem com seus escritores. Em “Wild cards” cada um escreve a sua parte. Todo mundo é criador do seu próprio personagem. Não vejo semelhança com Patterson.

No mês passado, houve rumores de que você viria ao Brasil no ano que vem. Isso é verdade?

Claro que eu adoraria, mas não há planos para isso. Recebo convites toda semana para ir a outros países. Por um lado, adoraria. Mas não consigo escrever enquanto viajo. Não consigo. Já tentei, e não dá certo. Não consigo criar em laptop no avião ou em quartos de hotel. Quando eu viajo, quero sair, comer, conhecer os lugares. Só escrevo quando estou em casa, na minha mesa. Eu digo para as secretárias não me passarem ligações, e me perco em Westeros.

Você tem um cinema em Santa Fé, sua cidade, na Califórnia, que está exibindo maratonas de “Game of thrones”. É um novo mercado para exibidores?

Não sei se todas as séries funcionariam para maratonas no cinema, já que em algumas isso tornaria seus defeitos técnicos muito evidentes. Mas a televisão está em uma era de ouro. Ela virou o lugar para se assistir a boas histórias. O cinema, especialmente dos grandes estúdios, foi tomado pelo espetáculo, virou o lugar de ver coisas explodindo, efeitos especiais incríveis, lutas de naves espaciais. Mas é difícil encontrar bons dramas humanos como (os das séries) “Mad Man”, “Breaking Bad”, “True Detective”.

Eles também publicaram uma lista de livros recomendados pelo Martin para os leitores desesperados lerem enquanto esperam que o inverno chegue. Confiram aqui.

[Fonte oglobo.globo.com]

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  • Frank Vinnicyus

    “A memória não ajuda?”
    Que petulância, rs

  • Felisberto Albuquerque

    “No ano que vem, talvez. Neste ano eu duvido.”
    O que me preocupa não é o duvido e sim o talvez…. Lendo nas entrelinhas: 2014 eu duvido…. 2015 talvez aconteça… em 2016 tem grandes chances… 100% de certeza só em 2017.

  • Husky

    Dor no coração ao ler :

    “No ano que vem, talvez. Neste ano eu duvido.”

  • Rafael Manetti

    2015? Velho gordooooooooooooooo!!!!!!!!!!!

  • BrunO_R

    Só ele terminando de escrever o livro esse ano eu já tô feliz….Pq pela pergunta e resposta, eu entendi que falaram sobre o lançamento do livro e não se ele vai terminar de escrever ou não. Até pq ainda tem todo o trabalho da edição, não sei quanto tempo isso demora, mas acredito que ainda leve um bom tempo.

  • Beatriz Oliveira

    “Comecei as escrever “As crônicas…” em 1991. Vivi 15 anos com esses personagens antes de eles aparecerem na mente de um roteirista. Eles são parte de mim, do meu subconsciente. Quando ligo o computador para escrever, a série desaparece.” *——————————————–*

  • Joao Palmadas

    Gordo e preguiçoso.

  • Bruno Alves de Oliveira

    Todos nós queríamos que Os Ventos saíssem logo, mas é compreensível a demora. Uma série como ASOIAF não pode sair qualquer fiasco, e acho que se foi essa a forma que ele encontrou de escreve uma obra tão maravilhosa, que seja! Claro que deve haver um comprometimento para com os fãs, mas o cara não pode parar a vida dele por conta do 6° livro, vamos combinar, né.

  • Daniel Batista

    “No ano que vem, talvez. Neste ano eu duvido.” AFF!!!!!! FALA SERIO MARTIN

  • Eduardo Amorim

    Caramba aquele livro the dragons path parece ser bom pena q não lançaram aqui no brasil ainda.

  • Só digo uma coisa: eu avisei…
    MUAHAHAAHHAAHHAH

  • PHSA

    Acho q dessa vez, em vez de ficar dando datas de lançamentos e previsões falhas, ele vai dar datas de não lançamento tipo “esse ano eu duvido”, “próximo quem sabe”. 2015: “esse ano eu duvido”, “próximo quem sabe”. 2016: “esse ano eu duvido”, “próximo quem …. Espero apenas que termine e pronto, o quando ai ele quem sabe. Estarei esperando nem que seja no túmulo.

  • BrunO_R

    Ôme nem fale isso, bate na madeira aí kkkk Sendo assim, não entendo porque ele diz “Espero que não” quando perguntam sobre série passar os livros. Usando sua linha de raciocínio, é óbvio que vai passar. Se o livro fosse lançado esse ano, o véi ainda ia ter que correr pra não ver a série passando dele, imagina se for lançado em 2017… Provavelmente ele só não quer admitir o inevitável.

  • Felipe Bini

    “Linda Thompson”
    Boa Globo.

  • BrunO_R

    kkkkkkkkkkkkkk fazer o que, né? Só depende dele.

  • BrunO_R

    Eu costumo ser bem realista com as coisas (para uns isso pode ser chamado de pessimismo), mas nesse caso, prefiro acreditar (ou me iludir) que essa pequena frase não passa de uma trollagem do Martin. O povo deve encher tanto o saco dele com essa pergunta que dessa vez ele deu logo uma resposta da boca pra fora pra ver se param mais de questioná-lo sobre isso.

  • Felisberto Albuquerque

    2015 é ainda um talvez…

  • Anderson Lima

    Primeiro ele dá essas previsões de que quem sabe o ano que vem… Então ele diz que acha que a série não vai ultrapassar os livros. Para mim, ele deve estar nos finalmentes, tipo na revisão e prefere não dizer isso para não levantar falsas esperanças. Se não encontrar nada de grave na revisão, já manda pra edição.
    Quanto tempo será que, após ser lançado lá fora, a Leya vai demorar para traduzir o livro e trazer aqui para o Brasil? Alguém sabe quanto tempo levou o livro 5?

  • Maria Dias

    Comparando o Martin com James Patterson… Heresia!

  • Felipe Bini

    O GRRM ao que tudo indica se referia especificamente aos fãs Elio e Linda (Antonsson, e não Thompson como colocaram na matéria) dizendo que consulta os caras, aí vem O Globo e coloca uma manchete dúbia dizendo que ele “precisa dos fãs” pra chamar a atenção. E pior: a Leya ainda repete isso na própria página do Facebook achando lindo dizendo que “ele precisa da gente”. Triste, vindo de uma editora de livros, a propagação desse subterfúgio da manchete sensacionalista.

  • Também acho que ele já está nos finalmentes do livro 6… Ele está muito confiante de que a série não vai alcançá-lo. A 5ª temporada sai em 2015, quando – na minha opinião – sai o livro 6; então, em 2016 e 2017 eles adaptam os livros 4 e 5 simultaneamente e o começo do 6, como estão fazendo agora com o arco da Danny, e aí (em 2017) sai o livro 7, dando mais um ano de folga para a série terminar do seu próprio jeito em 2018. (Aí o Martin surpreende todo mundo e lança o livro 8 em 2019 trollando com o final da HBO kkkkkkk)

  • Felisberto Albuquerque

    Lançamento entre 2015 e 2016… 2017 eu trollei mesmo…KKKKKKKKKKK..
    Mas
    sobre a série alcançar os livros: Weiss e Beniof ja disseram que
    pretendem encerrar em 7 ou 8 temporadas… o que dariam (ja contando com
    a 4ª temporada) mais 3 ou 4… Uma por ano… Verificando a cronologia
    de lançamento dos livros (Guerra dos Tronos = 96; Fúria = 98; Tormenta = 2000; Festim = 2005; Dança = 2011) verás que entre o lançamento dos três ultimos livros ficou em 5 anos (entre Tormenta e Festim) e 6 anos (entre Festim e Dança). Eu sinceramente tenho a perspectiva de que a série irá fatalmente alcançar, em sua última temporada os livros. É questão de matemática levando-se em conta a evolução da série e o tempo que Martim esta levando pra escrever os livros. Lançando em 2015 o sexto livro (Espero MUITO, mas MUITO mesmo que ele assim o faça) ele teria mais três anos pra lançar o sétimo livro. Pra mim a série vai fatalmente alcançar os livros em 2017 ou 2018. E até lá ele não terá lançado o capitulo final de ASOIAF.

  • Haroldo

    “Se alguém apareceu rapidamente no segundo volume, consigo me lembrar dele enquanto estiver escrevendo o sexto. ”
    Vocês acham que ele pode ter dado uma dica de algo importante para o WOW?
    Quem que apareceu rapidamente no Fúria que ainda há chances de estar vivo? Seria Tyrek Lannister?

  • Felisberto Albuquerque

    Um 8º livro na minha opinião não esta descartado… Pois dois livros seriam poucos pra resolver TODO o arco das histórias. Cara ele vai ter que resolver em dois livros, muitas situações e tramas que foram se desenrolando em 5, pois vejamos:
    – O Norte com toda sua trama incluindo a relação dos Boltons com as outras casas, Stannis Baratheon, Asha e Theon Greyjoy, Rickon e Davos em Skagos;
    – A Muralha com Jon Snow (o grande mistério dos seus pais) e a sua relação com os selvagens e a Patrulha da Noite, além de Bran com a sua trupe. E ainda a tão aguardada ameaça dos Outros;
    – Vale de Arryn com Mindinho e Sansa;
    -Terras Fluviais com Brienne, Jaime, Lady Stoneheart e ainda o destino de Peixe Negro, Edmure, e os Freys;
    – Homens de Ferro com a relação entre Victarion e Euron e ainda o destino de Cabelo Molhado;
    – Porto Real com o destino de Tommem e o julgamento de Cersey, além da influência da religião predominante em Westeros, no poder com o retorno da Fé Militante, Varys (assassinando dois importantes membros do Conselho);
    – Essos com Dany e os Dragões, (essa p044@ loka vem ou não vem pra Westeros??) além do destino de Tyrion (ele é ainda é um foragido e a Casa Lannister não vai esquecer o que ele fez), o destino de Sor Vovô e de Victarion;
    – A situação que esta acontecendo em Poleiro do Grifo e a relação com Dorne (além do destino de Myrcella Baratheon);
    – A trama de Sam na Cidadela e os Meistres.
    São tantos arcos de histórias (alguns interligados) que eu sinceramente não descartaria um 8º livro.

  • BrunO_R

    Sabe que, estamos esperando o livro 6, mas eu já estou pensando no 7. O sexto, provavelmente, virá tão longo quanto o Tormenta e o Dança, e como o Martin disse, talvez ano que vem. Ok, pra quem esperou tanto, mais um aninho não é muita coisa. O problema é que nós, (ou eu pelo menos) estamos com uma fome tão grande pra devorar esse calhamaço, que de repente vamos ler… Depois, meu amigo, tudo vai começar novamente, vamos ter que conviver com o medo do Martin cair da escada da casa dele e morrer igual novela, aguentar ver ele viajando todo dia, enfim, todo aquele inferno de novo. O negócio é: Lançou o livro 6, blz, leia uma página por semana, se delicie com cada frase lentamente que, talvez, quando terminar, ele tenha pelo menos terminado de escrever o livro 7.

  • Husky

    Ótimo comentário. As vezes penso assim, as vezes tbm penso que o Martin poderá fazer dois livros extremamente dinâmico e concluir o livro com um final alucinante. Se tiver um 8º livro eu não achar ruim.

  • Maluco

    Cara, eu não sei pq, é um instinto, mas eu acho que ele termina o livro esse ano.

  • Tenho medo dele fazer o livro nas coxas só pra agradar a HBO…não sei o que é pior.

  • Maluco

    Acho que ao contrário, a hbo tem medo do véio

  • pedro

    Eu tenho orgulho quando ele diz que é fã de hqs, porque foram as hqs que me levaram a ler livros. Tanto que hoje eu não passo um dia sem ler um pouco dos dois. Vida longa ao Martin!!!!!!!!