Sob o cerco do fãs – George R. R. Martin no The Sydney Morning Herald

Andrew Stephens, escritor sênior do jornal australiano The Sydney Morning Herald (o mais antigo ainda em circulação no país), fez esta reportagem baseada em um conversa telefônica com Martin as vésperas de sua visita a Austrália que aconteceu em Novembro.

Segue abaixo a tradução da matéria, onde Andrew relata um pouco da infância de George, o autor comenta sobre seu processo de escrita e também sobre como ele gosta de mergulhar em Westeros e de seus personagens.

 George R.R. Martin

 

Dos sonhos de infância às sangrentas maquinações de Westeros, a imaginação selvagem de George RR Martin tem cativado leitores e espectadores. O homem por trás de Game of Thrones refaz a viagem para um lugar de gelo e fogo.

Bayonne, New Jersey foi tudo menos um país das maravilhas durante a infância de George R. R. Martin. A família Martin vivia em uma habitação federal para famílias de baixa renda, que possuíam pouco, nem mesmo um carro, e a infância daquele garoto se passou principalmente entre a 1ª Rua (a casa da família) e a 5ª Rua (sua escola). A vida era bem contida nesses poucos quarteirões dessa península urbana, diz ele, embora às vezes pegasse um ônibus até uma sala de cinema na 25ª Rua.

Era uma fuga.

De sua casa, ele também saia da realidade assistindo os navios porta-contêineres que chegavam através do estreito Kill Van Kull (um canal de águas profundas que separa Staten Island em Nova York de Bayonne em New Jersey) olhando através de Staten Island. Manhattan – outro mundo, muito mais glamouroso – era logo depois do rio, mas os navios que Martin via com as bandeiras coloridas flutuando vinham de lugares tão distantes que [para um garoto] poderiam muito bem ser outros planetas.

Suécia, França, Libéria, Austrália ou China, eram lugares que ele só podia imaginar. “Estavam do lado de fora da minha janela“, diz ele. “Eu podia olhar para aqueles navios e sonhar sobre viagens e outras terras. Eu fiz todas as viagem em minha imaginação com os olhos da minha mente com os livros que eu estava lendo.”

Gradualmente, com o desenrolar de sua vida, ele entrou em mundos ainda mais estranhos e mais distantes do que os países cujas bandeiras ele assistiu passar: mundos com muralhas gigantes de gelo, pessoas mortas que andam, fazedores de magia e dragões cuspindo fogo. No entanto, sua muito bem escrita série de Canções de Gelo e Fogo, que seriam um só livro (verdade) e nada clichê, são povoadas por pessoas incrivelmente reais que conspiram, destroem e sujeitam uns aos outros às mais complexas intrigas políticas. Elas também estão repletos de amores, aventuras e desejos de glória, assim como muito sangue.

Desde 1991, Martin (os dois R’s são de Raymond e Richard) gastou muitas de suas horas do dia – e de seus sonhos, provavelmente – em Westeros, o continente em torno do qual gira sua saga de sete livros.

Tem sido incrível“, diz ele , por telefone , de sua casa em Santa Fé, Novo México, onde ele vive com sua esposa Parris McBride. Realmente, parece que é um outro mundo para mim às vezes”.

Quando a escrita está indo bem, eu me perco nela, eu quase vivo lá. Ocupa a minha mente. Estou pensando sobre isso constantemente. Vou dormir pensando nisso. Acordo pensando sobre isso, atravesso a rua pensando sobre isso – o meu escritório fica em frente da minha casa.

Eu passo o dia todo em Westeros e Porto Real. O mundo real parece quase a desaparecer.”

Todos, ao que parece, querem que ele se apresse em terminar os livros. Ele é um escritor lento e está trabalhando no sexto livro, os ventos do inverno, e ele não vai andar mais rápido que isso.

Eu acho que serão [ terminar ] sete livros, diz ele, esperançoso, “mas eu estive errado sobre isso antes“.

Quando ele começou a história há anos atrás, pensou que poderia ser um (01) livro. Dentro de alguns meses, ele sabia que seriam pelo menos três. Quando A Guerra dos Tronos (o primeiro livro) foi lançado, ele não era tão expansivo, mas conforme os anos se passaram e Martin ele escreveu mais da saga, variando de cerca de 700 para mais de 1.100 páginas cada um, ele sabia que a história estava ficando cada vez maior, e com isso, ele entrou mais no “mundo conhecido” de Westeros.

Muitos de nós nunca tinhamos ouvido falar dele ou de Westeros até 2007 quando a HBO começasse a produzir a série de televisão Game of Thrones, (que foi nomeada assim em homenagem ao primeiro livro) colocando David Benioff e Dan Weiss como criadores com a primeira exibição na temporada de 2011.

Com aspirações de tela grande – cinematografia e cenas de batalha impressionantes, projetos e figurinos suntuosos e o maior elenco da televisão – seu sucesso e sua tendência a chamar atenção tem sido muito falados. O show é magnificamente atuado e encharcado com um excesso de sangue. As cenas de violência e de sexo jorram tão livremente que chocariam até a Roma antiga.

Martin, que escreve pelo menos um episódio por temporada como produtor executivo (ele trabalhou em Hollywood como produtor e roteirista por uma década antes de voltar a escrever), recebe os reflexos da glória da série, mas também tem que receber os reflexos de críticas de passagens que pouco tem a ver com seus livros – estereótipos racial e cultural, uma abundância de mulheres com pouca roupa e muito gore. Isso inclui uma mulher grávida sendo violenta e graficamente esfaqueada na barriga na terceira temporada.

Robb e Talisa

Alguns pensam que o programa de TV é apenas vistoso, insensível e oco. Personagens populares aparecem e morrem tão facilmente quanto se apaixonam.

Isso, porém, é o programa de televisão. A obra de Martin é certamente literatura, não somente fantasia. E nesta rodada, o barbudo, popularmente conhecido como GRRM, que [com sua aparência] parece que conseguiria mais facilmente um papel em LotR (The Lord of the Rings) do que em GoT (Game of Thrones), teve que aprender a equilibrar a silenciosa solidão de escritor com seu nicho relativamente barulhento de fãs que ele conquistou como uma nova celebridade em escala global.

Os fãs, agora como uma legião tão grande quantos os exércitos de Westeros, são implacáveis. Muitos deles, possivelmente, passam mais tempo do que Martin pensando sobre tudo isso. Análises sem fim, críticas e especulações sobre como a complexa trama finalmente acabará causam muita discussão em fórums e nos sites sobre Game of Thrones. O principal tema entre as conversas é o desejo de que Martin libere logo o próximo livro.

É ótimo que tantas pessoas estejam ansiosas com o próximo livro e, certamente, estas são as pessoas que estão pagando minhas contas e me permitem ter uma casa em frente a minha outra casa (escritório)“, diz ele . “Mas, ao mesmo tempo , às vezes eu só queria que parassem de me pressionar sobre isso. Ficará pronto quando estiver pronto. Eu estou trabalhando nisso eu não sei o que mais eu posso dizer . . . Sou um escritor lento, eu sempre fui um escritor lento, e estes são livros gigantes.

O que acontece então, se o programa de TV alcançar os livros? A quarta temporada, que trata da segunda metade do terceiro livro, está sendo feita. Martin não está preocupado: eles ainda têm dois livros publicados para trabalhar.

Como o show chega cada vez mais perto, eu preciso ir mais rápido e mais rápido, admite. “Eu disse a eles [ Benioff e Weiss ] alguns pontos para onde estou indo com os livros, então eu acho que eles sabem o destino final, mas não posso deixar que me alcancem.”

Rose Leslie, Emilia Clarke e George.

Rose Leslie, Emilia Clarke e George.

Em 2011, [o jornal] New Yorker publicou um artigo que comentava a pressão dos fãs sobre Martin. Segundo o artigo, Martin não dava mostras de permitir que isso o estressasse, e aprecia seus fãs e apoiadores.

O artigo cita Anne Groell, editora de Martin na Random House (editora inglesa) que costuma dizer a seus autores que “a divulgação e construção da comunidade com os leitores é a coisa mais importante que você pode fazer por seu livro nos dias de hoje“. Mas Martin quase não precisa correr atrás de vendas: nos países da Commonwealth* sozinhos foram vendidas 27 milliões de cópias de seus livros de acordo com sua editora na Austrália, HarperCollins.

*organização intergovernamental composta por 53 países membros independentes que, originalmente faziam parte do império britânico.

As pessoas que compram os livros, diz ele, às vezes até mesmo aparecem em seu escritório/casa em Santa Fé. O que é um pouco chato, diz ele. A maioria deles são fãs e pessoas encantadoras, mas alguns aparecem com uma caixa de cerveja e só querem sentar-se e jogar conversa fora comigo – o que é bom, mas se eu começar a pular o trabalho todos os dias para beber cerveja com os fãs, não vai ser muito legal.

Nos primeiros dias d’As Canções de Gelo e Fogo, Martin tomou conhecimento do primeiro fórum sobre GoT, o Dragonstone, que por coincidência foi criado na Austrália (que Martin já visitou meia dúzia de vezes e a qual regressa este mês, ele gosta de viajar). Naquela época, ele era fascinado pelas discussões.

George R.R. Martin

Quando começou, foi muito gratificante e haviam todas essas pessoas inteligentes, que tinham lido o livro e o analisavam prestando atenção [aos detalhes] e tendo todas essas discussões e debates”, lembra ele. “Eu olhava ocasionalmente. Então me dei conta de que, provavelmente, não era uma coisa boa para mim, olhar essas coisas.

Alguns dos participantes colocavam teorias sobre para onde Martin estava conduzindo a história: muitas teorias estavam incorretas, mas algumas estavam certas. E eu comecei a pensar que eu deveria mudar as coisas [por que alguém acertou], e isso é um erro.

Mesmo assim, Martin acha os sites da internet sobre os livros e sobre a série TV muito encorajadores.

Com seus primeiros romances e coleções de contos publicados antes d’As Canções de Gelo e Fogo, Martin diz que era como jogá-los no poço, quando foram publicadas, tal era a falta de feedback. Você dedicou um ano de sua vida a esse livro. Você quer saber o que abalou os leitores e o que os afetou, o que os enganou, encantou e emocionou eles. Você quer ouvir o riso e saborear as lágrimas“.

A internet trouxe isso com as discussões. As pessoas não estão dizendo somente ‘eu gosto’, ‘eu não gosto’ ou analisando isso em 500 palavras. Eles estão gastando milhares de palavras e anos de suas vidas investigando todos os detalhes e cada personagem. Para um escritor, isso é muito intoxicante. Essa é a recompensa que você procura, mesmo se eles dizem que é terrível quando analisam detalhadamente.”

Talvez o elemento que fisgue os leitores não sejam os elementos de fantasia, – eles são escassos, na verdade – mas a relação que As Canções de Gelo e Fogo tem com a autêntica história humana, especialmente a Guerra das Rosas. Assim como a violência e as mortes aumentam a cada livro, e a forma como os personagens principais são subitamente “dispensados” de várias maneiras terríveis…. É como na vida real, onde não há garantias.

É claro que todas essas coisas não são nada comparado com o que aconteceu na história real, diz Martin. Se você ler a história real da Idade Média, o nível de carnificina e barbárie pode ser extremo. É por isso que é um período tão interessante. Você tem esses opostos dramáticos. Você tem toda a idéia de nobreza e cavalheirismo, um dos códigos mais idealistas para um guerreiro que já vimos na história. Mas a realidade era que os cavaleiros frequentemente cometiam atos que poderíamos considerar hoje como sendo crimes de guerra horríveis – matando prisioneiros, estuprando e matando em seu caminho através do território inimigo.”

Você pode combinar esses dois extremos, o sentimento muito nobre e a realidade horrível: há drama nessa oposição, esse conflito interno.” Ele cita William Faulkner, que falou poeticamente sobre “os problemas do coração humano em conflito consigo mesmo.”

George e Peter Dinklage como Tyrion Lannister

George e Peter Dinklage como Tyrion Lannister

Para Martin, parece haver pouco conflito sobre o curso que sua vida tomou. Claramente, ele adora habitar Westeros, a criação contínua que ainda o excita. É misterioso. Eu não sei como ele funciona, diz ele sobre o processo criativo. Eu ainda amo o mundo [Westeros]. Eu ainda amo os personagens. Ainda quero voltar e passar tempo com eles.”

A fama significou muito mais intrusões em seu tempo. Sua rotina diária é de atravessar a rua para o seu escritório/casa, responder alguns emails e em seguida, engrenar o modo escrita.

Em dias bons eu desapareço em Westeros e o mundo real desaparece e então eu passo o dia lidando com os meus personagens, diz ele. Há dias ruins também, quando há um monte de distrações. O mundo real é sempre uma ameaça para o mundo imaginário. Atualmente há certas coisas para lidar que vêm com sucesso. Eu não sou apenas um escritor mais, mas também um empresário, então eu tenho três assistentes. Sete anos atrás eu não tinha nada.”

Para escrever, que ele descreve como um estado frágil, ele diz a seus assistentes para não lhe passar quaisquer chamadas. Quando ele entra nesse estado de concentração, ele vê o mundo através dos olhos de seus personagens – os livros são escritos a partir do pontos de vista dos personagens principais, um por capítulo. Seja Tyrion, Arya, Daenerys ou Jon Snow, para ele, alternar entre esses focos é um grande esforço.Eu preciso reler o último capítulo desse personagem para conseguir trazer ele de volta.”

No entanto, mesmo ele estando sempre focado em trazer à tona as características do caráter do personagem, Martin acredita que o enredo é o coração de uma história, e ele se esforça muito e bem para fazer a escrita rica e bonita também.

Na minha opinião, [o personagem] é uma das coisas mais importantes, mas a escrita, a prosa, como você evoca uma cena, é algo em que você precisa gastar algum tempo. Como dar vida a isso e colocar o seu leitor lá e evocar todos os sons certos, cheiros e paisagens, de modo que eles não sintam que estão apenas lendo, eles estão vivendo. Esse é sempre o objetivo, a luta“.

Qual, então, é a vida real de Martin? Quando pergunto o que ele faz para relaxar e ele menciona viajar e socializar com os amigos, parece que mundos escapistas não é só o que lhe atrai. Ele começa a se entusiasmar sobre assistir os jogos de futebol americano religiosamente todos os domingos durante a temporada, participar de jogos de RPG com seus amigos, ir ao cinema, assistir muita televisão e ler vorazmente, de História à ficção científica.
O menino de Bayonne ainda está perseguindo essas bandeiras de outros mundos.

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  • Caroline Oliveira

    Adoro todas as entrevistas do Martin e em todas elas eu acabo ficando mais e mais fã dele, para mim ele é um gênio.

  • Martin, quando terminar “As crônicas de gelo e fogo”, escreva uma auto Biografia!

  • LyannaStarkWIC

    Vida longa ao nosso bom velhinho! As Cronicas do Gelo e Fogo não se tratam apenas de livros, mas de um grande presente aos leitores. Somos gratos a GRRM por compartilhar as histórias fascinantes de Westeros, o quanto aprendemos sobre a alma humana!

  • Athos Guizzardi

    Tenho escrito um livro também e george Martin é uma inspiração, sempre que leio suas entrevistas vejo que muito do que eu sinto com as palavras ele também sente, para mim é o mesmo que Deus me chamar de bonito…

  • Rafael Rodriguez

    boa sorte com seu livro!

  • Athos Guizzardi

    Obrigado, quando eu publicar, COMPRE-OOOOOOOOOOO

  • Eduardo Amorim

    GRRM vai parar de escrever o livro agora no fim do ano pra fazer um bico de Papai Noel. Rsrs

  • Caleb Peres

    Queria jogar uma partida de RPG com ele

  • Messinho’

    Entrevista muito, mas muito boa. Mesmo. Parabéns ao pessoal do site pelo conteúdo. E vida longa ao nosso bom velhinho õ/

  • Joana D’arc

    Que entrevista bacana! “[o personagem] é uma das coisas mais importantes, mas a escrita, a prosa, como você evoca uma cena, é algo em que você precisa gastar algum tempo.” Isso explica bem pq a obra de Martin é tão rica e envolvente! Difícil existir algum fã da saga que não ame Tyrion, por exemplo, o Martin desenvolve esse personagem muito bem, além dos outros, claro. Agora, esses fãs das cervejinhas não estão ajudando muito. Fala sério!

  • Eduardo de Sousa

    Que ótimo texto! Não é atoa que o cara é escritor sênior…

  • André Luiz Brandolisi

    O cara é gênio, muuito bom.

  • ayrton

    Virei fã desse cara,foi só eu ver a série que não resisti…Agora quero ler os livros que com certeza devem ser muito bons.

  • Isabella Mendes

    Tenho orgulho de ser fã do Martin, ele é um escritor que respeita e que quer realmente o melhor pros seus fãs. Vida longa ao bom velhinho. kk

  • Wellington

    Adorei a entrevista. Muito bacana… (nao eh aquela coisa de pergunta e resposta, rsrs). E realmente bom velhinho, gaste o tempo que for preciso para escrever seus livros. Aguardaremos(faze o que neh) nao tao pacientes, mas saberemos que é garantia de uma leitura fantastica, em que, como ele mesmo disse, nos evoca para Westeros em todos (TODOS) os ângulos e isso é talento que poucos autores conseguem. Ele é Demais!!! (Tolkien era quem mesmo…?Hhihih)
    PS: Please… sei que gosta de matar personagens, mas nao mate a Daenerys, nem Arya e nem Tyrion. Nao sei o que faço da minha vida se isso acontecer. RSRS

  • Kaique Marchionta

    Cara, desnecessário comparar Tolkien com Martin. São dois escritores de épocas diferentes, não há motivos para tal comparação… Os dois são ótimos. 😉

  • Kaique Marchionta

    Excelente a entrevista. Estou no começo do primeiro livro e não consigo mais parar de ler. A trama é tão bem escrita que prende o leitor de uma forma incrível, não tem como não se apaixonar pelos personagens e aguardar ansioso para ler o próximo capítulo do livro. Agora, descobrir que o bom velhinho curte jogar um RPG com os amigos foi demais. Hehehe XD

  • Júlia Machado

    Desnecessário é seu comentário… qual o problema de o cara achar o George melhor que o Tolkien? Nem todo mundo acha que o Tolkien era tão bom assim, deixe o cara com a opinião dele.

  • Kaique Marchionta

    O cara tem todo o direito de achar melhor quem ele quiser. Respeito a opinião dele embora não dê a mínima pra isso. Só quis dizer que essa comparação entre os dois autores é desnecessária pois já é muito batida. Todos querem compará-los. Os dois são ótimo, porém não há como negar que J.R.R. Tolkien é o mestre da literatura fantástica. O próprio George Martin admite ser fã do cara.