Folha de S. Paulo entrevista George R. R. Martin

A jornalista Raquel Cozer, colunista da Folha de S. Paulo, publicou ontem uma ótima entrevista com George R. R. Martin onde ele fala, dentre outras coisas, sobre sua série dos anos 80, “Wild Cards”, que acaba de ser lançada no Brasil pela editora LeYa com tradução de Alexandre Martins, Edmundo Pedreira Barreiros e Peterso Rissatti.

A obra é escrita em conjunto por alguns amigos de George e editada por ele, tarefa que, segundo o escritor, não ocupa muito tempo mas é muito desafiadora.

George R. R. Martin em foto tirada pela sua esposa, Paris McBride.

Confiram as perguntas logo abaixo:

O sr. se tornou escritor devido ao interesse por quadrinhos, como costuma dizer, e em “Wild Cards” o sr. leva os super-heróis dos quadrinhos para a literatura. Como é usar na literatura um tema tão característico das HQs?
Bom, nós buscamos, nos livros, fazer uma abordagem mais realista. Para começar do básico: eu amo quadrinhos, cresci lendo quadrinhos, mas há muitas convenções no formato que não fazem sentido quando você pensa nelas. A noção de que alguém que consegue superpoderes vai imediatamente comprar uma roupa de spandex e combater o crime. Não acho que isso funcione. No mundo real, se você conseguisse superpoderes, se eu tivesse a habilidade de voar, bem, provavelmente eu ainda seria um escritor, com a diferença de que não andaria mais de aviões. Isso iria mudar minha vida, mas não como acontece nos quadrinhos.

Então essa foi a situação quando pensamos no básico. Partimos da premissa: ok, depois da Segunda Guerra, algumas pessoas conseguiram superpoderes. Poderes e habilidades que vão muito além daquelas dos simples mortais. E começamos a pensar como o mundo seria transformado, como a vida das pessoas atingidas seria transformada.

Outra diferença entre “Wild Cards” e outras histórias de heróis é que a série lida mais diretamente com a história real e, conforme ela passa, muda seus rumos.
Sim, o realismo nos fez colocar os super-heróis no tempo real, interagindo com o mundo real. Por exemplo, eu lembro, quando era garoto, que estava na escola e apareceu o Homem-Aranha. Ele estava no ensino médio, igual a mim. Houve uma identificação imediata, e pude entender problemas pelos quais ele estava passando. Então me formei no ensino médio e entrei na faculdade, e o Homem-Aranha terminou o ensino médio e entrou na faculdade, Peter Parker fez isso. Estávamos mudando.

Mas saí da faculdade em quatro anos, e o Homem-Aranha levou uns 20 anos para se formar. E, depois que saiu da faculdade, ficou preso naquela coisa de ser um cara de 20 e poucos anos que tinha acabado de sair da faculdade. E ficou um tempo casado, e depois não estava mais casado, disseram que o casamento nunca tinha acontecido. Você pega um livro do Homem-Aranha hoje e ele ainda tem lá seus 23 anos e saiu da faculdade poucos anos atrás. Lembro ter lido livros do Homem-Aranha em que ele estava envolvido em demonstrações dos anos 1960 conta a Guerra do Vietnã… Obviamente, o tempo dos quadrinhos não faz o menor sentido. Ele era da minha geração e agora é parte de uma geração muito mais jovem.

O Superman veio à Terra nos anos 1920, eu acho, e aterrissou pequeno e se tornou o Superman público no final dos anos 1930, mas, agora, se você lê os livros, ele veio à Terra em 1995 ou algo assim. Os criadores ficam revisando a história para mantê-los eternamente jovens, e essa é uma armadilha na qual decidimos não cair em “Wild Cards”. Queríamos fazer algo mais ligado ao tempo real. Heróis que conseguiram seus superpoderes em 1946, data do primeiro “Wild Cards”, e tivessem 20 anos naquela época, bem, agora eles estão aposentados, estiveram casados, têm filhos e casaram de novo e seus filhos cresceram. Eles tiveram todo tipo de problema que as pessoas têm ao longo da vida. Ser superforte ou lançar raios pelos dedos não eliminam os problemas que as pessoas têm na vida real.

E como surgem esses novos heróis com o tempo, à medida que os outros envelhecem?
Isso depende. A genética de “Wild Cards” é complicada. É uma mudança na estrutura genética e se torna uma… Se os dois pais têm o vírus do “Wild Cards”, então a criança seria um Carta Selvagem [na tradução da LeYa, embora o título do livro seja em inglês, os infectados recebem no texto o nome em português], mas poderia também morrer, porque 90% das pessoas que pegaram o vírus e tornaram Rainha Negra [gíria para morte usada nos livros], como dizemos, morrendo. E 10% viram Curingas [personagens que ficam deformados], só um em cem se torna Ases e acabam como super-heróis. O bebê infectado tem as mesmas chances de qualquer um, não é algo simplesmente herdado.

Os Curingas, nesse sentido realista, são importantes para tratar de questões como o preconceito, não?
Sim, sim. Muitas mutações não são boas. Queríamos dizer: ‘Sabe, se você sofresse uma mutação como essas dos quadrinhos, seria possível que isso não fosse tão bom, e isso é muito mais provável que uma mutação boa, inclusive’. Isso torna a história diferente de qualquer outra da Marvel, da DC Comics, Universal, a comunidade Coringa e a existência desse segundo time junto com os superpoderosos Ases, isso é algo que ninguém mais faz.

Acontece de um autor escrever para “Wild Cards” algo que o sr. acha que não vai caber na história como um todo e isso ser vetado? Como é escrever em equipe para um autor tão acostumado a escrever sozinho [como em “As Crônicas de Gelo e Fogo”]?
Isso acontece o tempo todo. Vem acontecendo há 20 anos, e por isso sou necessário como  editor. Os autores escrevem suas histórias e meu trabalho principal, além de também escrever as minhas, é juntá-las. E há um grande trabalho de reescrita envolvido, porque as histórias nunca ficam perfeitas juntas de primeira. Às vezes, tenho autores que escrevem duas cenas que se contradizem ou que se duplicam, e essencialmente eu conduzo a sinfonia aqui, como se fosse uma “big band”, com todos os instrumentos e personagens funcionando juntos.

É um trabalho difícil. Editei uma série de publicações ao longo dos anos, mas o trabalho envolvido em “Wild Cards” é certamente o mais desafiador tipo de edição, simplesmente  porque você tem que pensar em equipe e ao mesmo tempo conseguir boas histórias dos escritores. Criamos um mecanismo pelo qual o criador de cada personagem revisa o texto quando seu personagem é usado por outro escritor. Além de mim como editor, os escritores interagem. Então, se alguém vai usar um personagem meu, como o Tartaruga, posso dizer:  ”Não, ele não diria isso dessa maneira”, ou “Ele nunca faria isso”. Muita reescrita. Mas, felizmente, a maior parte dos escritores faz o trabalho com muita vontade, adora escrever sobre esses personagens e esse universo.

Há algum personagem de outros autores que você gostaria de ter criado?
Provavelmente o Dorminhoco, que foi criado por Roger Zelazny, um amigo querido e um dos melhores escritores que a ficção científica já produziu. É muito original, parte do time original [personagens do primeiro livro]. O Dorminhoco é flexível, tem suas características,  mas pode caber em praticamente qualquer história dos outros autores, às vezes como herói, às vezes não. E ele é um homem do nosso tempo. Ele vive em 2013, era um garoto quando o vírus chegou à Terra, em 1946, então ele se lembra de um mundo diferente. Toda vez que ele vai dormir, não sabe como vai acordar [se com poderes de Ás ou deformidades de Coringas] ou se vai acordar. É um personagem incrível, provavelmente o mais icônico do “Wild Cards”.

Atualmente a série está saindo em vários países, mas a maior parte das histórias se passa nos Estados Unidos. Não pensam em torná-la mais global?
A maior parte das histórias se passa em Nova York. Mas, de tempos em tempos… O quarto livro da série, chamado “Aces Abroad”, é um livro no qual os personagens fazem uma turnê mundial, visitam várias cidades. Acho que eles passam pelo Brasil, embora não tenham uma história aí. Mas temos uma história no Peru. E temos histórias no Oriente Médio, na Europa Oriental e Ocidental, no Japão. Depois, muitos volumes depois, aparecem histórias que têm uma base mundial. A série que começa com “Inside Straight”, volumes 18, 19 e 20, começa em Los Angeles, passa para o Egito e o Oriente Médio, e lá e personagens se envolvem com a ONU. Tentamos dar um sabor mais global. Soube que no Brasil pediram por esses livros, gostaria de sediar histórias aí. Isso seria divertido.

Os direitos de adaptação foram comprados pela Universal para o cinema. Em que pé está isso? O sr. lida bem com a ideia de transformar a série em um único filme, algo que não quis aceitar para “As Crônicas de Gelo e Fogo”?
Bom, Wild Cards não é bem uma história, são centenas de histórias, é um mundo. Esperamos que o primeiro filme conte uma história de um grupo particular de personagens, e, se fizer sucesso, o segundo filme pode ser com um time completamente diferente de personagens. E pode ser no passado, no futuro. Temos centenas de personagens e histórias. É uma franquia incrível, que funciona para uma série de filmes, que é o que esperamos conseguir, ou para uma série de TV, o que pode vir a acontecer se os filmes fizerem sucesso. Mas agora estamos no estágio inicial, Melinda Snodgrass [uma das autoras da série e coprodutora, com GRRM, do fillme] está escrevendo o roteiro, está no segundo rascunho. Estamos esperando.

Os leitores no Brasil o conhecem mais como autor de fantasia que de ficção científica. É diferente criar uma e outra?
Não há grande diferença. Em ficção científica, você tem aliens e naves espaciais; em fantasia, tem dragões e cavaleiros, mas de toda forma está contando histórias, e o coração de toda história, no passado, no presente ou no futuro, seja ficção científica, seja mistério, seja romance, o coração de qualquer história são os personagens. Se você tem bons personagens, que os leitores achem interessantes e com os quais se preocupem, sua história vai funcionar. Não importa o gênero.

William Faulkner, o grande escritor americano, uma vez disse que o coração humano em conflito consigo mesmo é a única coisa sobre a qual vale a pena escrever, e acredito nisso. Não acho que o gênero importe tanto.

Se o gênero não importa tanto, e considerando que o sr. gosta de histórias muito realistas, envolvendo questões políticas, violência, sexo, nunca pensou em escrever abrindo mão da fantasia?
Gosto de violência, sexo e política, é verdade [risos]. Mas fantasia, bom, eu amo a fantasia, ela permite usar a imaginação. Quando eu era criança, vivia uma vida de imaginação. Éramos pobres, não tínhamos dinheiro, não íamos a  lugar nenhum. Vivíamos perto de um canal, e eu olhava a água, e eu via embarcações o tempo todo indo a Hong Kong ou Japão ou França ou Brasil, eu olhava para as bandeiras e imaginava quem estava naqueles navios. Daí começava a pensar também como seria estar em naves espaciais ou com aliens. É tudo imaginação. Amo ser levado a mundos fabulosos de maravilhas e cores.

O sr. ainda tem tempo para se dedicar a “Wild Cards”? Os leitores de “As Crônicas de Gelo e Fogo” permitem isso?
Bom, alguns ficam irritados. Mas, dito isso, hoje não escrevo muito para “Wild Cards”. Faço a edição, que é algo que demanda tempo, mas não tanto quanto escrever as histórias. Gostaria de escrever mais para “Wild Cards”, adoro esse mundo, adoro meus personagens nesse mundo, mas não posso até terminar as “Crônicas de Gelo e Fogo”. Essa é a minha prioridade, ainda tenho dois livros a terminar e isso vai me tomar alguns anos, e ainda tenho a série de TV vindo atrás de mim.

Como é a receptividade de “Wild Cards” entre os fãs? Eles não chegam a ser intensos como os das “Crônicas de Gelo e Fogo”, imagino.
Eles existem em menor número. “As Crônicas de Gelo e Fogo” são a coisa mais bem-sucedida que fiz, então tem mais leitores. Mas os fãs de “Wild Cards” também sabem ser intensos, formam relações com personagens diferentes. Odeiam alguns, amam outros, discutem quem venceria quem numa briga. É sempre interessante. No geral, adoro a intensidade dos fãs. Você quer que eles se importem, que discutam os livros e implorem por lançamentos. A pior coisa para um escritor é quando os leitores não se importam, o que é a triste verdade para a maior parte dos escritores.

Sobre a relação com fãs, o sr. já disse que prefere não ler o que eles escrevem, como as fanfics [histórias de fãs usando universos de um escritor], inclusive para não ser acusado de plagiá-los. Como lida com a ideia de que um dia deixará sua história de herança para outros, como aconteceu com Tolkien?
[pausa] Bem, algum dia, eu imagino, sim…

Digo, um dia num futuro distante, é claro.
Certo [risos]. Não me preocupo com o futuro distante. Acho que o presente me mantém ocupado o suficiente.

O sr. lida com muita pressão para terminar as “Crônicas”, há quem até tenha medo de que não consiga terminar o sétimo livro, dado que já se passaram mais de 20 anos desde que começou a escrever e ainda faltam dois títulos. O sr. costuma dizer que guarda na memória, mas não tem algo no computador, uma linha geral, algo que eventualmente sirva como base num futuro distante?
Tenho alguma coisa anotada, sei para onde está indo a história e estou seguindo isso. Não tenho todos os detalhes anotados, isso é algo que prefiro pensar à medida que escrevo.  Essa é a aventura de escrever, quando os personagens e a linha da história vão para lugares não imaginados, mas sei as principais coisas que vão acontecer. Sou um escritor lento, reescrevo tudo. Não imagino que isso vá mudar, então as pessoas que ficam aflitas com a chegada dos meus livros vão ter que se acalmar e lidar com isso. Não posso ir mais rápido só porque estão impacientes.

Quando o sr. começou a criar “Wild Cards”, não se usava a internet. Com o tempo se popularizaram não só a internet como ferramentas de pesquisa, como o Google, e de organização. Há escritores que usam Excell, que nem é uma ferramenta nova, para se organizarem. Como lida com essas tecnologias?
Elas foram bastante úteis para “Wild Cards”, preciso dizer. Quando começamos, e estamos falando do início do início dos anos 1980, com o primeiro livro saindo em 1987, não havia internet. Muitos dos escritores nem computadores tinham, era tudo na base da máquina de escrever. Tínhamos de redigitar as histórias, e então havia ligações telefônicas, enormes distâncias a superar… Mas isso mudou com o tempo.

Na metade dos anos 90, vários de nós já estávamos na internet, e existia um serviço, que não existe mais, da General Electric, que tinha fóruns e mensageiros, nos quais você podia tratar assuntos privados. Criei diferentes tópicos sobre “Wild Cards”, e discutíamos ali, o que certamente era bem mais fácil que fazer ligações telefônicas e mandar pelo correio os manuscritos ao redor dos Estados Unidos. Agora, é claro, está tudo na internet, mandamos tudo por e-mail. Isso faz as coisas mais fáceis quando você trabalha em grupo.

Agora, com as “Crônicas de Gelo e Fogo” não uso nada disso. Sou só eu, sozinho, com meu computador, escrevendo histórias. Sim, quando termino posso mandar por e-mail ao meu editor, mas é algo muito básico para escrever. Não uso nenhum tipo alta tecnologia. Na verdade, faço a maior parte do meu trabalho num DOS [sistema operacional comum nos computadores até os anos 1990].

E também tenho algo que não chega a ser uma tecnologia nova, que é função de busca do computador, o que torna fácil encontrar detalhes como as cores dos olhos dos personagens.  Tenho um arquivo gigante que contém todos os cinco livros e posso pesquisar neles para evitar contradições.

O sr. trabalha como consultor de “Game of Thrones”, série de TV baseada nos livros, sem poder de veto, até onde entendo. Como lida com as mudanças feitas pelos roteiristas, que estão mais comuns nesta terceira temporada? Há alguma solução deles que o sr. chegou a achar melhor do que o que estava no livro?
Bom, adoro a série de TV, mas gosto mais dos livros. Foi de grande ajuda para mim, em relação a série, o fato de eu ter trabalhado em TV por dez anos, nos anos 1980 e 1990 [foi roteirista das séries “Além da Imaginação” e “A Bela e a Série”]. Não trabalhava na criação, adaptava material de outros escritores. Então sei o tipo de alterações que são necessárias, em geral por questões práticas, como ter só uma hora por episódio, ter que encaixar tudo num certo orçamento.

O orçamento de “Game of Thrones” é grande na comparação com outros do tipo, mas ainda é um orçamento. Você não tem todo o dinheiro de que precisa nem pode contratar todos os atores de que gostaria. Com isso, personagens têm de ser combinados, outros têm de ser modificados, situações também. Temos dez episódios por temporada. Sempre disse que o ideal seriam 12 episódios, o que permitiria aproveitar mais personagens e situações que infelizmente ficam de fora, mas seria caro. Dez episódios é o que temos, e acho que fazem um trabalho excelente com isso. De algumas das mudanças eu gosto, por outras não são sou tão apaixonado. Mas entendo a necessidade de todas elas.

Pode dar exemplos de mudanças de que goste ou não?
Acho que as novas cenas que estão inventando para o programa estão funcionando, muitas são perfeitas, algumas das melhores da série estão nesses episódios. Sinto falta de algumas das cenas com o Mance [Rayder] ou diálogos que foram cortados. Algumas mudanças eu não faria. Fiz os livros por razões que eram minhas e prefiro na maior parte dos casos elas tal como estão nos livros.

Impressiona a dimensão geográfica e genealógica que a história toda tomou. Ela chega a fugir do seu controle?
Isso é uma razão por que demoro tanto escrever. A história foge constantemente do meu controle. Reescrevo muito, vou seguindo os personagens e às vezes eles me levam pelo caminho errado, então tenho que voltar e entender o que deu errado. E então reescre, coloco numa ordem diferente, até entender como deve ser.

O sr. usa com muita frequência os chamados cliffhangers [estratégia para prender o leitor ao final de cada capítulo]. Diria que é uma forma de arte?
Sim, definitivamente. Esses dez anos em que fiz televisão me ensinaram muito sobre isso. Não sei como é no Brasil, mas, na TV americana, os programas têm muitos comerciais. E é preciso que a cada ato, considerando que um programa tem de quatro a cinco atos em uma hora, exista o chamado “act break”, que pode ser um cliffhanger, embora não precise ser. Algo como uma revelação, um personagem que descobre algo, alguma coisa que impeça que o espectador mude de canal no comercial e que o faça pensar no que vai acontecer.

Essa é uma técnica boa, que prende as pessoas na história. Em “Game of Thrones”, mesmo não tendo intervalos, eu queria que cada capítulo terminasse com um “act break”. Alguma coisa acontecendo do final de cada capítulo, por exemplo, da Arya, que fizesse você imediatamente querer saber o que acontecerá no capítulo seguinte. Mas você não pode saber isso imediatamente, porque agora tem que ler um capítulo do Tyrion ou do Jon Snow. E então você lê o capítulo do Tyrion e ali acontece algo que faz você querer ler o próximo capítulo dele. O ideal é que funcione com todos os personagens. Não é uma técnica fácil, mas acho que tem funcionado.

Qual o sr. diria que é o tema central das “Crônicas” e o que elas refletem da visão que o sr. tem de política ou das sociedades atuais?
Um tema central é certamente a  disputa de poder. As relações de políticas e de governos. Mas prefiro pensar menos em temas e mais em histórias individuais, o que nos leva de volta aos personagens, à questão do coração de que falou Faulkner. Estou mais interessado no que Jon ou Dany faria agora do que nas falhas das sociedades médias como um todo. Os personagens se tornaram muito verdadeiros para mim e espero que também para ao leitor.

O mundo é minha criação. Não estou interessado em criar uma alegoria ou fazer um comentário político ou social, mas inevitavelmente meus pontos de vista e minhas opiniões estão lá, porque eles fazem parte de mim.

Além disso, ela também questionou alguns atores como Raphael Draccon e Carolina Munhóz a respeito da importância de Martin para a literatura fantástica. Para conferir, basta clicar aqui.

Clique nos links a seguir para saber mais sobre Wild Cardsler o primeiro capítulo online e encomendar o primeiro volume.

[Fonte: abibliotecaderaquel.blogfolha.uol.com.br]

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  • “Sou um escritor lento, reescrevo tudo. Não imagino que isso vá mudar, então as pessoas que ficam aflitas com a chegada dos meus livros vão ter que se acalmar e lidar com isso. Não posso ir mais rápido só porque estão impacientes.”

    É… essa indireta foi para mim. :C

  • Anderson Lima

    Interessante que no final ele comenta sobre Jon e Dany. Comentário aleatório? Creio que não! xD

  • “Sinto falta de algumas das cenas com o Mance [Rayder] ou diálogos que
    foram cortados. Algumas mudanças eu não faria. Fiz os livros por razões
    que eram minhas e prefiro na maior parte dos casos elas tal como estão
    nos livros.”

    HAUHAUHAUAHUAHAUHAUAHUAHAUHA.

  • “por exemplo, da Arya, que fizesse você imediatamente querer saber o que acontecerá no capítulo seguinte. Mas você não pode saber isso imediatamente, porque agora tem que ler um capítulo do Tyrion ou do Jon Snow.”

    SEI EXATAMENTE COMO É ISSO!

  • estrelisia

    “Estou mais interessado no que Jon ou Dany fariam agora do que nas falhas das sociedades médias como um todo”

    Porque será, eu me pergunto…

    hummmmm……. 😉

  • Guest

    ÒTIMA ENTREVISTA ! Observação: È de fato ótimo a iniciativa de trazer WILD CARDS para o Brasil 😀 . Mais é como Raphael Draccon (autor da leya) disse “Três livros por ano” sendo que são 22 volumes . E ainda faltam ”the winds of winter” e ”A Dream of Spring”’ a serem lançados (sem previsão exata) !! .

  • Ronildo Pinheiro

    Corretíssimo ele. E povo tem que entender que é assim. Você gosta de X alterações, outros de Y, outros de nenhuma mas são suas percepções. A série precisa ser adaptada para outra mídia e vamos considerar que é uma das mais fieis que existe. Dexter, Walking Dead, entre outros só pegaram a essência da obra e foram embora ;D

  • Filipe Parrudo

    Deve ser penoso o trabalho mesmo, eu comecei a ler ASoIaF em 2011 e já me perdi nos detalhes faz tempo. Passando da hora de reler, até bom pra esperar Winsd of Winter mais tranquilo

  • Manucalice

    Reparei nisso também… Então o que pensamos que pode ter acontecido com Jon não aconteceu, né?

  • Rafael

    Autores na maioria das vezes odeia adaptações, os filhos do Tolkien até hoje dizem que os filmes não passam nem metade do que seu pai queria passar, Stephen King odeia a versão de o iluminado do Kubrick e por ai vai..

    Claro que caras que nem ligam como Hemingway, para ele pagou pode usar.

    Geralmente o livro é melhor, então a mensagem final é leia o livro. rs

  • A pior entrevista com ele, nem pra perguntar sobre quando sai VENTOS DO INVERNO, ou quanto do livro ja foi escrito.

  • Angélica

    Essa repórter foi realmente útil, amei as perguntas que ela fez, foi até hilário a parte que ela disse que o Martin “gosta” de sexo, violência e políticas.

  • Angélica

    Essa repórter foi realmente útil, amei as perguntas que ela fez, foi até hilário a parte que ela disse que o Martin “gosta” de sexo, violência e políticas.

  • Murilo Negrello

    Que falta de interpretação de texto. Ele apenas citou Dany e Jon como exemplos aleatórios, porque na verdade ele está pensando mais em quaisquer personagens individualmente.

  • Para todos nós 🙁

  • Raphael

    Quando o Bran caiu, eu queria saber o que acontecia com ele. Ai li o capitulo dele e depois voltei. ueheuheuheuheueh

  • gabriel

    A mídia em geral já está pressionando muito ele com relação ao lançamento dos livros..
    Isso pode comprometer a qualidade dos livros, n acha?
    ta na hora de relaxar e deixar a coisas acontecer.
    e n acredito que tenha coisas sobre o lançamento de ventos do inverno que nós não saibamos.

  • Messinho’

    A entrevista foi muito bem conduzida, e também ajuda o fato de Martin ser bastante carismático e saber onde o repórter e a entrevista pretendem chegar. Gostei bastante mesmo. Parabéns, pessoal do site, pelo esforço de nos mostrar materiais assim. E não é discutindo, mas o livro é melhor, kkkkkk.

  • Nao custava perguntar………

  • Victor Antunes Campos

    Perguntar pra que? o que vai mudar se ele der uma data?
    O dia que tiver que sair vai sair e pronto U_U

  • Victor Antunes Campos

    Perguntar pra que? o que vai mudar se ele der uma data?
    O dia que tiver que sair vai sair e pronto U_U

  • Victor Antunes Campos

    Eu decidi reler os livros depois de um ou dois anos que sair o sexto, assim quando terminar leio tudo na sequência

  • Victor Antunes Campos

    …?

  • Victor Antunes Campos

    O povo precisa entender que séries televisivas são feitas para um público alvo, ou seja, se você não faz parte desse alvo dificilmente vai gostar. Livros não fogem totalmente dessa regra.

  • gabriel

    vei, fique feliz pq ele deu uma previsão.
    se sabe quanto tempo demorou pra sair o quinto livro?
    pois é, nem queira saber AUHEAUHEUAHUE

  • Um reporter deve perguntar o que o leitor perguntaria no lugar dele, tirar as maiores duvidas dos leitores

    SImples assim

  • opivm

    Tá de brinks que ele é o cara por trás do universo WILD CARDS apresentado aos leitores do GURPS SUPERS… :O

  • MarcusVinicius94

    eu fiz a mesma coisa no capitulo da Arya, na dança dos dragões.
    kkkkk

  • Natalia Opazo

    “E também tenho algo que não chega a ser uma tecnologia nova, que é função de busca do computador, o que torna fácil encontrar detalhes como as cores dos olhos dos personagens. Tenho um arquivo gigante que contém todos os cinco livros e posso pesquisar neles para evitar contradições.” – ou seja, seria difícil ele se confundir com o tamanho do quadril de uma determinada personagem feminina……………………… muito interessante.

  • ferst

    “Estou mais interessado no que Jon ou Dany faria agora”
    hmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm

  • Mario

    “Estou mais interessado no que Jon ou Dany faria agora”

    kkk ele esqueceu de mandar um spoiler alert antes

  • Luna

    Pra quem tá reclamando sobre a reportagem, que tal se ao invés de tacarem pedra na jornalista procurarem se informar antes. Pra quem não sabe, o assunto da reportagem era Wild Cards e ela não poderia fugir muito do assunto.
    Agradeçam e não reclamem, a moça trabalhos super bem!

  • Vangelis Matos Medina

    Opa opa, “sem pode de veto”, isso eu não sabia e explica muita coisa.

    E como está na propria entrevista, nem martin gosta de todas as alterações, porque nos seriamos obrigados a gostar?

  • Flavio Vasconcelos

    Concordo. Ademais, a reportagem foi muito bem feita, com perguntas pertinentes e bem elaboradas. Penso que se a pessoa se julga um nerd tem a obrigação de ser inteligente!

  • Luna

    Acho que vale lembrar que, apesar de ser o mesmo universo, quase todos os mesmo personagens, são duas obras distintas.
    Tanto que ele não é autor da série de tv, mas sim consultor.

    Fizeram um filmes de um dos meus livros preferidos. Na época eu odiei, mas depois analisando apenas o filme em si, ele poderia até não ser ótimo, mas tb não era péssimo…

  • kirito

    Muito bom a reportagem…Martin ele tem sua própria identidade.

  • Marcelo

    Sei que não é exatamente o assunto da postagem mas, não sei quanto tempo faz nem onde foi, eu li sobre uma suposta participação do GRRM na série, então, já aconteceu, vai acontecer? rsr

  • Thiago Ezequiel

    Ainda bem que ele não lê fanfics, porque tem cada coisa absurda por aí..

  • gabriel

    mais essa não é as “maiores duvidas dos leitores”

  • Renan

    Toda vez q perguntam a ele sobre isso ele mata um Stark.