Análise do episódio 3.01 “Valar Dohaeris” (Com Spoilers)

O episódio trabalhou elementos do livro Fúria dos Reis (Daenerys IV) e A Tormenta de Espadas (Samwell I, Jon I, Davos I, Davos II, Tyrion I, Daenerys I, Davos III, Daenerys II). O texto a seguir possui spoilers de aspectos de A Tormenta que ainda não foram mostrados na TV e não fazem parte dos capítulos citados. Leia por sua conta.

 

E lá vamos nós de novo! A nossa série favorita está de volta ao ar adaptando um dos livros mais esperados, desde que a série foi anunciada anos atrás. Mamilos de todos os tipos, cadáveres, homenagens ao livro, problemas orçamentários que comprometeram cenas que poderiam ser maravilhosas, um timing meio esquisito, atores em sua melhor forma e cenas belíssimas. Valar Dohaeris, dirigido por Daniel Minahan e escrito por David Benioff & D. B. Weiss foi recorde de audiência tanto na TV americana quanto nos downloads no Bittorrent. O mundo inteiro parou pra acompanhar o que aconteceu com Sam durante seu encontro com os White Walkers.
A abertura começou e vimos Winterfell queimando. Aquilo me deixou desconfortável de uma maneira inacreditável. Acho que foi porque a queda de Winterfell é uma das coisas mais tristes que existem e é algo que a história vai carregar por muito e muito tempo ainda.

E então temos a cena inicial, que possui elementos de Samwell I. Por óbvias questões orçamentárias, a batalha no Punho dos Primeiros Homens, tão brilhantemente narrada no livro, foi mostrada através de uma tela negra em fade-in e o grito dos patrulheiros no ardor da luta. E então ficamos sabendo que os Corvos levaram a melhor porque, bem, eles estão machucados, porém vivos. E porque eles são basicamente fodas. Uma pena não termos visto. Enquanto a série mostra Sam correndo como se não houvesse amanhã com a coragem que resta em seus pulmões, nos livros a sensação é completamente mais aterrorizante, fria e sem perspectiva de um final feliz. Sam não consegue correr, e psicologicamente não se acha apto a fazer tal coisa. Além disso, nos livros Sam na verdade consegue enviar os corvos, e Ghost a essa altura ainda estava na guarda de Jon. Como Elio e Linda apontaram em sua resenha, tudo teria tido mais valor se o cliffhanger do Punho tivesse sido exibido neste episódio.
storyboard original do resgate de Sam. veja mais aqui.
E adiciono o seguinte: que usassem a grana do CGI desta cena usada no fim de temporada pra incrementar A Casa dos Imortais e mostrar uns flashbacks maneiros que são tão ricos pra história original. Aqui, mais uma vez a série utiliza-se de cliffhangers que são pontos chaves da narrativa sem muito cuidado e apenas pra gerar ansiedade. Porque depois dessas “grandes cenas” nada acontece. Eu ainda não esqueci a cena da segunda temporada em que Craster golpeia Jon Snow. Mas não me entendam mal. Essa cena inicial, apesar de TUDO isso foi realmente boa. Eu senti medo e excitação, e vocês também sentiram. Esse lance da neve soprar tão violentamente que não se consegue enxergar bem um palmo a frente do seu nariz é a coisa mais assustadora do mundo. Estou ansiosíssima pra ver mais disso nesta temporada, mais ação na Muralha e além. Até porque…

Quando cortamos para Jon indo conhecer Mance Rayder temos elementos de Jon I. Eu, vocês e Jon vimos pela primeira vez o maravilhoso e deslumbrante gigante, embora na descrição do livro, os gigantes estejam acompanhados de mamutes. Além, é claro, da ausência dos wargs e outras criaturas legais. Que gigante maravilhoso! É CGI mas não parece, porque é lindo. Na cena do livro somos apresentados a uma infinidade de personagens que não vemos aqui: pra citar o mais importantes senti falta de Val e Dalla, Styr, todos esses que não foram escalados e serão compilados em outros personagens como Orell que ainda aparecerá na série. Tormund nos livros é muito engraçado, bem humorado e espirituoso. E Mance Rayder é mais… sensual. Não vou entrar nos detalhes da diferença da idade porque todos os personagens da série foram envelhecidos como já sabemos. Mance nos livros era um bardo, mais introspectivo e sábio. Na série ele tem bem mais pinta de guerreiro e pouco carisma. O que é ótimo e eu vou explicar o motivo. Achei a construção desse Mance parecidíssima com a de Stannis. Basicamente: escale um excelente ator e faça uma caracterização não muito expressiva. Ganhe o espectador domingo a domingo através da trama e transforme suas primeiras impressões em uma admiração eterna. A diferença crucial nesta cena ficou por conta da ausência de Ghost (o lobo é um elemento crucial pra Jon fazer mais parte daquele mundo), e a motivação de Jon para “virar a casaca”. Enquanto nos livros ele convence Mance falando que o fez porque é humilhante ser um bastardo, na série Jon tem essa motivação mais heróica (e essa motivação, Mance usa contra ele, como se fosse a voz da audiência. Mance não é burro;) com a causa da guerra contra os mortos e o que viu ali na estadia com Craster. E elogiando mais Kit Harington, vale lembrar que eles estava com o tornozelo machucado durante as gravações.
Um detalhe muito bacana na produção da série é esse jeitinho que os produtores fazem pra identificar diferentes classes sociais dentro dos costumes do nosso mundo real. Em Porto Real todos os nobres falam com aquele afetado sotaque inglês (até mesmo Jack Gleeson que é irlandês, por exemplo), enquanto ao norte da Muralha os selvagens arrastam um sotaque fortemente escocês.
Onde quer que Jon vá, ele sofre represália. Pelos selvagens, pela família, pelos patrulheiros. Jon se ajoelhando foi bem engraçado. Quanto a tensão corvo x selvagem, acho que a série não precisa ser muito maniqueísta usando trilha sonora. Os momentos de tensão, na maioria das vezes, são bem genuínos. Dá pra perceber que, seja você homem ou mulher, todo mundo no universo da série tá pronto pra matar alguém a qualquer hora do dia. Quando Jon chama Mance de traidor, por exemplo. E Jon tem uma sorte, que é algo que vem dos livros, algo que o “pai” dele nunca teve e está na aura do personagem. E é por isso que ele é tão querido, também.
Eu tenho algo breve a sobre as cenas de sexo e nudez. Porque a primeira cena porto-realesca que vemos é a de Sor Bronn of the Blackwater sendo recompensado pelos seus feitos. Ninguém pediu pra ver Bronn realizando seus desejos sexuais na TV. E Game of Thrones não só está aqui pra te dar sexo quando você não pediu. A série faz questão de te entregar o tipo de sexo que você não faria e que você não quer ver, porque existe aqui toda uma tentativa de crítica usando essa linguagem. Com uma prostituta, ou com um guerreiro mercenário cheio de marra. Na verdade eu acho isso tudo bem engraçado, uma vez que Bronn acaba levando um #PODBLOCK.
Tyrion olhando no espelho, uma metáfora para o “novo Tyrion” depois de Blackwater, um momento “quem sou eu?”. E então o encontro com Cersei. Porque Tyrion sofreu uma tentativa de assassinato por um homem que seria a sua casa. E na cabeça dele, bem, foi ela quem mandou.
A cena de Cersei e Tyrion também é nova. Muito bacana o jogo de câmeras através das janelas da cela do anão. É a tradução da falta de confiança e da inevitável dependência que um tem em relação ao outro. Esses Lannister são um caso sério. Todo mundo basicamente se odeia a essa altura do campeonato e mesmo assim eles defendem a família com unhas e dentes, por conta do legado. Ter dinheiro e prestígio é bom. É um orgulho tão idiota e tão maravilhoso ao mesmo tempo… e, na verdade, mais sustentado pelos bannermen do que pelo próprio patriarca. Tywin odeia os filhos, todos. Não só Tyrion. Todos lhe deram desgosto na vida. Tyrion nasceu feio. Cersei nasceu mulher. Jaime não tem mais uma mão (ok, still coming) mas já era problemático por ter se juntado a Guarda Real e não poder fazer bons casamentos. Also, incesto. Pior pai do mundo, família mais doente ever.

Quanto ao encontro de Tyrion e Tywin, gostaria de dizer que vocês precisam prestar atenção no fato de que a ambientação da sala da mão está mais ensolarada e iluminada, mostrando que a guerra acabou. Achei isso maravilhoso.
A cena é idêntica aos livros e o texto foi reproduzido de maneira quase integral, incluindo cada palavra do tenso diálogo exibido. Não se pode tentar vencer uma discussão com Tywin. Principalmente se você for um de seus filhos. Melhor plot do episódio, sem precisar de dragões, lobos e gigantes. É na TV que vemos o quanto o “jogo dos tronos” é a melhor parte do texto, porque é a parte que dispensa alegorias. Temos o núcleo dos Lannister, Tyrell e Sansa unidos em um só lugar. O único problema da adaptação aqui, na minha opinião, é o fato de que o texto de Tywin na segunda temporada foi inventado (e ficou muito bom, eu sei). Mas a série colocou Tywin de volta ao seu lugar de Lannister dos livros ao reproduzir Tyrion I com tanta perfeição. A profundidade que tentou se criar com o personagem ficou estranha. Tywin é duro como é com os filhos, ou um mestre sábio e eloquente, como foi com Arya? Nesse aspecto de fazer você amar e odiar um personagem a cada virada de página, Martin é mestre. Mas, na HBO, não há para Tywin uma linha muito clara nesse sentido. É claro que é esse conflito de Tywin com Tyrion que levará o anão a matar o pai, e talvez as coisas comecem a se desenvolver se criarem um interesse amoroso entre Tywin e Shae. Isso é algo que eu estou torcendo pra que a série “invente”.
Davos está velho, peludo, estranho. Game of Thrones é uma série que valoriza seus personagens sejam eles anões, crianças, donzelas, avós, briennes, gigantes, crianças com cárie ou dragões. Todo mundo é representado. E daí você vê um velhaco todo queimado com dedos faltando e fica feliz por ele estar vivo. E ah, eu curto o Salladhor Saan, o ator entende o personagem, é muito genuíno. Confesso que acho engraçado a fofoquinha dos dois em relação a Mel. Eles zombam dela, mas morrem de medo.
Quanto a Davos sendo resgatado, vemos algumas pequenas diferenças em relação ao livro, no fato de que Davos passa um bom tempo questionando a vida, os deuses e pensando em ficar ali e morrer em luto pelos filhos que perdeu em Blackwater. Ao ser resgatado, nos livros Davos fica sabendo que o navio pertence a Illyrio Mopatis. E ao chegar em Pedra do Dragão, ele é preso pelos Florents e não chega a falar com Stannis prontamente. O conflito com Melisandre é bem fiel ao texto original, embora no livro ela coloque mais culpa em Stannis no que em Davos propriamente.
Nesse aspecto da Mel, a série não está, ao menos por enquanto, preocupada em tridimensionalizar a personagem, que tem POVs a partir do quinto livro, que são bastante reveladores no sentido de quem a feiticeira realmente é. É estranho que a série adiante esse caráter em vários personagens como Margaery, e não nela. Fazem parte das cenas com Davos elementos de Davos I, II e III. Que são capítulos em que basicamente mostram o quanto o Cavaleiro das Cebolas ama seu rei.
Os produtores da série jogaram o mapa de Westeros pela janela a resolveram pirar. Primeiro Mindinho, e agora Robb. Os homens de Robb “expulsaram” os Lannister, mas não antes da Montanha Clegane estraçalhar com a vida de 200 nortenhos em Harrenhal. Pô, essas mortes deveriam ter sido da Arya (hahahaha). E poxa, não os nortenhos legais. Toda vez que vejo o velho Karstark parece que estou vendo um filme bíblico. Robb em Harrenhal é algo completamente novo. De todas as mudanças em Harrenhal que ocorreram na temporada passada, essa foi a raspinha do tacho. A presença de Qyburn como único sobrevivente do massacre da Montanha ali, quando na verdade nos livros ele é um membro dos Saltimbancos Sangrentos me deixou realmente curiosa com o papel dele na história, incluindo a possível chegada de Jaime e Brienne por ali em alguns dias. A cena se desenvolve para estabelecer Roose Bolton como protetor da área, sem dúvidas. Mas estou mais interessada nessa relação da Catelyn com o Robb.
Mindinho não pode ficar de segredos com Sansa à luz do dia. Ela e Sor Dontos tomam muito cuidado pra se encontrar nos livros. E Mindinho faz questão de mostrar que é o tio tarado pra quem quiser ver, incluindo toda a guarda do castelo e todo mundo que puder estar tomando um ar fresco na janela. Bitch, please. Sansa é uma prisioneira de guerra. Alguém está de olho nela? E o que eles conversaram? Sansa é um POV. HBO, me devolve o que é meu! Eu quero saber!
Sansa, Mindinho, Shae e Ros são uma dinâmica completamente nova. Eu não acho que Sansa cresceu tanto como personagem como tantos estão falando. O que eu vejo é um amadurecimento da atriz, e não da personagem. Porque essas inteligentíssimas frases de efeito dela (“because the truth is always either terrible, or boring”) é algo que ela sempre teve. Ou vocês não se lembram da maneira que ela tratava Septã Mordane? Acho que o desejo de Mindinho por Sansa é bastante genuíno porque é mágico como os atributos dela, fisicamente, são como os dos livros e isso acontece com pouquíssimos personagens. Gosto como Ned sempre volta em alguns diálogos. Nem que seja quando Ros conta que quando Sansa nasceu os sinos tocaram por um dia inteiro. Isso é coisa do Ned, isso é coisa de quem dava valor a família. Quero chorar.
Eu particularmente não gosto do que estão fazendo com Mindinho (acho inclusive que o de School of Thrones é muito mais legítimo hahaha), mas estou curiosa pra saber onde a série vai levar essa trama, uma vez que Sansa só poderá partir quando Joffrey morrer. HOLY SHIT, acabei de me dar conta de que ela e Tyrion se casam em breve. Daí vai ficar mais difícil pra Mindinho ficar dando uma de tiozão. E Shae? Porque a Shae da série é muito mais envolvida e possivelmente ama Tyrion de verdade. Mas quanto a Mindinho, me pergunto se teremos o Vale de Arryn ainda esse ano. Os Tully estarão tão em voga. Seria bacana. Tantos mamilos polêmicos, menos o de Lysa.

Quanto a Margaery Tyresa de Calcutá (esse nome foi inventado por uma pessoa genial na nossa página no Facebook), há algo que falo desde o ano passado sobre a Campina: eles são aqueles que enxergam as coisas a frente de seu tempo dentro do texto de Martin. Vemos isso em seu manto arco-íris, na força de Brienne, na obstinação de Renly e na inteligência política de Margaery. A ideia da série é mostrar que, quando Margaery chega na corte, as coisas mudam, porque ela é boa, divertida e inspiradora. O que o reino precisava para salvar a moral do rei. Enquanto nos livros, toda essa ideia está ligada primordialmente ao fato de que são os Tyrell os únicos que podem prover o que comer depois da destruição que a guerra causou por onde passou. Essa relação de antipatia de Cersei com os Tyrell é algo que acontece mais tarde nos livros, principalmente quando Cersei se dá conta que foram eles que provavelmente ajudaram a assassinar seu filho. Mas também falta a rainha mais glamour, né? Ela não está passando muito awesomeness desde a temporada passada. Ninguém a respeita.
Mas tá, todo esse lance dos órfãos de Blackwater é algo que não pode passar despercebido. São crianças que moram em favelas da Baixada das Pulgas, e agora nos orfanatos da Fé. Seus pais tiveram que lutar e morrer por um rei que ficou com medo e correu pro quarto quando o bicho pegou. E daí você é uma dessas crianças, vivendo na lama e na merda. E daí o corpo do teu pai aparece na costa do rio enquanto você brinca de pique esconde com as meninas da rua de cima. Essa é a realidade da guerra. Sendo forçados ou não, é dos Tyrell que essa porra desse reino precisa!
Quanto a cena do jantar, adoro como os jantares aparentemente voltaram a ser mais cerimoniais. Adoro essa comunhão tensa entre as famílias.
Sobre Dany em seu novo navio badass, que ela deve ter comprado com a grana que roubou em Qarth: Dany não tem mais aias. Quem fez esse vestido bonito e a ajudou a se vestir e se pentear? Sor Jorah?

Quando começou a cinematográfica cena de Dany no navio, não pude deixar de pensar que a Targaryen agora não tem mais suas aias, amigas, confidentes e melhores amigas. Missandei é claro chegou para preencher a lacuna deixada por Irri e Doreah. Mas as garotas dothraki eram o girl power no time da Dany. Eram as pessoas que cuidavam dela, davam atenção, as que mais viram Dany crescer de perto. Curiosamente, Dany não aprendeu em casa sobre o que é ser uma pessoa boa. Dany não teve casa na verdade, e seu referencial era o irmão, louco que a tratava mal. E mesmo assim, vemos no livro que a personagem tenta a todo tempo ser junta e honrada, uma rainha e uma líder. Ok, ela passou por coisas.  Na leitura, vemos que Martin mostra que todos os personagens chegaram onde estão com seus conflitos morais através de um background de anos e anos. Mas Dany não. Ela tinha tudo pra ficar em Qarth comendo uvas esperando seus dragões crescerem. Com quem Dany aprendeu isso, de honra, justiça, orgulho, essa maturidade toda se ela acabou formando seu caráter com fogo e sangue? De ajudar, de olhar pelos pobres, de se orgulhar de quem é, e de se sentir forte. De, mesmo no mais inóspito dos ambientes, sentir curiosidade e sorrir para uma garota warlock qualquer. Ela aprendeu isso com suas aias. As mulheres que estavam ali, dando força, a chamando a todo momento de khaleesi. “Você é uma khaleesi”. E foi exatamente isso o que ela se tornou.

No núcleo de Dany vemos elementos do último capítulo dela em Fúria dos Reis, além de Dany I, Dany II de “A Tormenta”. Basicamente nem se passa pela cabeça de Dany na série encontrar Ilyrio Mopatis de novo e pedir a ele por dinheiro pra conseguir o que precisa. No one cares about citá-lo. A decisão de ir a Astapor foi algo tomado desde o final da temporada passada e parece ser claro na cabeça dela. Essa saga de Dany é muito pouco orgânica em relação aos livros. Nos livros na verdade seus capítulos são tão arrastados que o contraponto com a rapidez da série é bem marcante. Falo isso porque falta até agora um bom background histórico sobre essas cidades de escravos, a guerra da Velha Ghis com Valyria e a própria cultura de Astapor, seus deuses, suas guerras. Porque isso é algo que Dany vai tenta “mexer e melhorar” mas é cultural e ela falha nesse sentido, é claro. Em Dany II, que é onde vemos a cena do mamilo, sabemos na leitura que os Imaculados na verdade não sentem dor porque estão sob efeito daquela bebida mágica (dorgas) durante todo tempo. E como todo mundo tem gritado pela internet nos últimos dias, o fator Barristan, como já sabíamos desde a produção da série, foi bem adiantado na TV (parem de chorar, we all already knew e o nome do ator apareceria nos créditos). Onde está Belwas, o Forte? Eu também não sei, pessoal. Na verdade não vejo muita necessidade, mas seria bacana ter um alívio cômico neste núcleo.
 

Os dragões de Dany estão grandes, em sua adolescência. Eles estão creepy e rebeldes. Dany chega em Astapor e já somos apresentados ao Alto Valiriano. As cenas da khaleesi ainda estão com cara de cenário. E esse parte de Astapor ficou muito parecida com Porto Real, embora tenha sido filmada em Marrocos.
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Eu curti cada segundo da estreia. A série está muito mais cinematográfica, embora alguns pontos sejam mais do mesmo (como Astapor). Sinto que a estreia foi pequena perto do que está por vir, do que vimos nos trailers e se pensarmos em todas as coisas dos livros que sabemos que vão acontecer. Fora o fato de que ainda não vimos Arya, Gendry, Torta-Quente, a Irmandade de Beric, Jaime, Brienne, Rickon, Hodor, Bran, Osha, Jojen, Meera, Theon, Asha, “boy”, os Frey, vários personagens novos inventados que vimos confirmados durante o ano passado, muitos dos selvagens, a Rainha dos Espinhos e os Tully. Sim, falta TUDO ISSO. E os jornalistas que já assistiram aos quatro primeiros episódios dizem que são quatro episódios que se focam em apresentar e colocar as peças em seu lugar, basicamente. Porque realmente é muita coisa pra mostrar. Estou apaixonada pelo design de produção. Os figurinos estão muito bonitos (Margaery e Dany adotaram o azul), temos a oportunidade de aprender alto valiriano e de ver orquestrado momentos épicos da história da literatura de fantasia. Valar Dohaeris, que significa “todos os homens devem servir” é um termo que pode significar tudo e nada neste episódio. Vimos Tyrion pedindo sua recompensa por servir, Jon pedindo autorização pra servir, Sam falhando em servir, Margaery se esforçando para servir, Dany comprando um exército a seu serviço, Barristan implorando por servir, Davos sempre, sempre, sempre ao serviço de seu amado rei, Shae servindo a menina Sansa e Robb não servindo pra nada (brincadeira). Mas isso é algo recorrente. Não é novidade. E tem muito a ver com o lema Tully por exemplo, “Family, Duty, Honor.” Tem a ver com toda a linguagem deste universo e é um bom tema de retorno.

Sam tinha UM DEVER. E ele não o cumpriu. Ele preferiu a vida e não conseguiu. Mormont por sua vez em pouco tempo entenderá isso e será tarde demais. Porque todos os homens devem sim servir, mas é necessário saber servir. É algo que Jon e Dany aprenderam muito rápido e é por isso que eles são tão expressivos na história. E neste momento eles representam aqueles que são livres pra servir (os selvagens) e aqueles que são escravos pra servir (os imaculados). A maioria das pessoas que leram os livros tendem a se importar muito mais com os personagens do que com o tema, e a série é essa coisa de traduzir mais o tema. O que é mais importante: a luta e o estandarte que ela carrega ou a subjetividade de Tyrion, Sansa ou Catelyn?

[IMPORTANTE] Não esqueça de enviar o áudio de suas impressões do episódio para participar do Masmorra Cast no final da temporada. vale lembrar que você só pode mandar um áudio durante toda a temporada, então, se você curtiu bastante esse episódio, corre lá.

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[x] Em todas as minhas resenhas sempre garimpo imagens e gifs do Tumblr pra ilustrar o texto. Aqui você encontrou imagens retiradas de sites como: wicnetfuckyeahgame. O trabalho desses tumblrs na criação e tratamento dessas imagens é muito bacana, bem feito, completo e especial. Não deixem de acompanhá-los.

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  • Cacovsky

    Os comentários estão funcionando?

  • lidianycs

    Teste 2

  • Jaqueline Lopes

    Ainda tem como ver os comentários dessa resenha?