Kit Harington fala sobre a terceira temporada e mais em entrevista exclusiva

O site Winter is Coming publicou nessa última sexta-feira (15/03) uma entrevista exclusiva com o ator Kit Harington, o Jon Snow de Game of Thrones. A entrevista é bem longa, e nela o ator fala sobre a terceira temporada (soltando até alguns pequenos spoilers), sobre sua relação com os novos atores, sobre um pouco de sua vida pessoal e também sobre as cenas mais aguardadas pelo público.

Nós traduzimos a entrevista na íntegra, vale a pena conferir!


Winter Is Coming: Obrigado por concordar em participar.

Kit Harington: Não, de forma alguma, eu realmente queria fazer isso.

WiC: Eu não sei se você está ciente, mas esse é o resultado de uma longa jornada para conseguir uma entrevista com você. Nós tentamos há muito tempo atrás, quando eles ainda estavam filmando o piloto da série, e na época recebemos um e-mail educado porém bem direto da Mara (responsável da HBO) basicamente nos dizendo “É apenas um piloto, vão com calma. Ainda não estamos dando entrevistas”. E isso foi um pouco engraçado, e é ótimo finalmente poder conversar um pouco com você.

KH: Acho que eu ainda nem conhecia a Mara nessa época. Foi há muito tempo, parece que passou muito tempo desde aquele piloto, e eu acho que de certa forma passou mesmo.

WiC: Sim, passaram-se três anos, eu acho.

KH: Hmm… é mesmo.

WiC: É mesmo bastante tempo, e sabemos que muita coisa aconteceu na sua vida nesse período, por isso deve mesmo parecer como se fosse numa outra era. Bom, vamos começar. Você acabou de voltar da Islândia, certo?

KH: Sim, há mais ou menos uma semana, na verdade. As filmagens lá foram bem mais curtas esse ano do que no ano passado. No ano passado a maioria das cenas foi filmada na Islândia e nesse ano a maioria foi filmada em Belfast, e nós tivemos algo em torno de 10 dias na Islândia para terminar as cenas “ao norte da Muralha” como deveriam ser.

WiC: E nesse ano vocês filmaram próximo a um rio? No ano passado foi numa geleira, mas pelo que ouvimos nesse ano escolheram um local diferente. Como foi filmar lá, em comparação com o ano anterior?

KH: Sim, foi num local diferente. No ano passado nós voamos para Reykjavik e então fomos à três locais distintos na costa sul. E então começamos a filmar no mais distante, que era uma enorme geleira, e então retornamos a Reykjavik filmando, basicamente. Esse ano foi apenas uma locação, e ficamos em um hotel. Fomos até Reyjavik e então voamos mais 40 minutos numa jornada para o norte. É um país enorme, a Islândia. Você só percebe como é grande quando vai até lá. O lago se chamava Mývatn, era enorme e ficava bem no meio do país. Mas a maior diferença foi que estávamos no norte do país, então o frio era bem mais intenso. A neve meio que foi mais forte do que nossas expectativas.

É um dos riscos que você corre quando filma num lugar como a Islândia. Você vai até lá pelos belos cenários e pela paisagem, e ao mesmo tempo você quer evidenciar a força da neve e do gelo, e as difíceis condições de se viver ali, além da Muralha. E de repente o diretor viu lugares incríveis, mas você não consegue mostrar essa beleza por conta da nevasca e do tempo. Algumas cenas precisam evidenciar a beleza daquela região, outras a agressividade do clima, por isso é um pouco arriscado filmar lá. Mas com certeza nesse ano as temperaturas foram muito mais baixas, e o clima muito mais hostil. Foi incrível, assim como fora o ano passado. Eu poderia continuar falando da Islândia sem me cansar. Eu me apaixonei por aquele país.

WiC: Você acha que filmar no local facilita, no sentido de incorporar o personagem, ou prefere filmar em algum outro lugar mais quente, como num estúdio por exemplo?

KH: Muitas das cenas de Porto Real, e das cenas do Sul, são filmadas na Croácia e no Marrocos, e muitas das cenas internas foram filmadas em Belfast. Quando vejo minhas cenas penso que fui muito sortudo, porque a maioria delas se dá em algum lugar. É sempre alguma região incrível do mundo. E eu, particularmente, prefiro filmar essas cenas ao ar livre e não dentro do estúdio. Mesmo considerando que os estúdios são fenomenais e os sets são impressionantes. Novamente esse ano eu fiz poucas cenas em estúdio e eu amo isso. Eu acho que, como ator, poder estar nesses ambientes selvagens contribui muito para uma boa atuação e veracidade da cena. Para a filmagem dela como deve ser.

WiC: É, eu posso imaginar. E você teve a chance de visitar Castelo Negro novamente este ano?

KH: Você sabe que eu não posso deixar escapar esse tipo de coisa…

WiC: Ah, você é bom, você é bom!

KH: Não! Com esse tipo de série você aprende a não deixar nada escapar, mas eu ainda sou péssimo nisso. (risos)

WiC: (risos)

KH: Não sei o que eu deveria dizer, de verdade.

WiC: Certo, parece justo.

KH: Eu acho que seria um spoiler para todos se eu contasse se filmei ou não.

WiC: Da última vez que vimos Jon Snow, ele estava a ponto de conhecer Mance Rayder, o líder dos selvagens. Como foi trabalhar com Ciarán Hinds, no papel de Mance?

KH: Brilhante. Nesse show, falando como um ator britânico, um ator britânico que não tem quase nenhum histórico de carreira, é sempre incrível ver a qualidade do elenco que eles conseguem para esses papéis de personagens mais velhos. Você sabe desde o começo que vão escolher alguém muito bom para o papel de Mance. Eu me lembro de ter recebido um e-mail de David e Dan dizendo que eles tinham escolhido o Ciarán e eu me senti como um garoto no jardim de infância. Foi brilhante. Eu tinha visto ele numa peça no Teatro Nacional apenas dois dias atrás e tinha ficado totalmente pasmo com a sua atuação. Obviamente já conhecia seu trabalho, ele tem um portfolio enorme. Ele é perfeito. Por ser originalmente da Irlanda do Norte ele conhece Belfast muito bem. E ele é muito magnético no que se refere ao Mance, ele carrega uma aura consigo que é muito “Mance Rayder”. Eu me senti muito privilegiado por poder compartilhar algumas cenas com ele. Honestamente, ele é muito bom. E sem dúvida uma das melhores pessoas com quem trabalhei na série, uma das mais gentis e dispostas a ajudar e compartilhar. Um ótimo ator nesse sentido.

WiC: E o que falar sobre outros novos membros do elenco. Você trabalhou com Kristofer Hivju? Como foi essa experiência? Ele parece uma figura e tanto.

KH: Ele é o Tormund perfeito.

WiC: Sim, ele realmente parece se encaixar no papel.

KH: Ele tem aquela barba gigantesca. E ele é um cara enorme. Fisicamente perfeito para o Tormund. E ele traz uma excentricidade surreal para o papel. Eu acho que ele é um personagem que será amado nessa temporada, e eu sei que Tormund é muito querido nos livros, e foi nisso que ele se baseou, é que nesse grupo de selvagens deve haver personagens que as pessoas gostem e não gostem, apenas para que o público entenda que eles são um grupo de pessoas como qualquer outro. Eles não são “o inimigo”, nem são os “monstros estupradores assassinos”. Jon tem a oportunidade de conhecer-los, e ver que eles não são ruins, e de gostar de alguns deles, o que apenas dificulta suas decisões nessa próxima temporada. E Kristofer fez seu trabalho perfeitamente. Tormund e Jon desenvolvem um laço importante e eu espero que seja interessante de se assistir. E também temos o Mackenzie!

WiC: Aham, ele era o próximo na minha lista. Como foi trabalhar com ele? Ele faz o papel de Orell, o troca-peles (warg), certo?

KH: Sim, o warg. Brilhante. Eu certamente cresci profissionalmente assistindo seu trabalho em The Office ou Piratas do Caribe. Ele estava numa peça chamada Jerusalem e se você tiver a chance de ver verá que é fantástica. Portanto eu estava bem ciente de quem ele era e do seu trabalho. E eu até me canso de falar sempre a mesma coisa a respeito do elenco desse show, mas de uma forma boa, porque eles não apenas escalam alguém que é ótimo para o papel, mas sim alguém que é incrível, também, como pessoa. Na temporada que vem por aí eu e Orell nos odiamos bastante, mas fora da tela nós nos damos muito, muito bem. Nós temos bastante tempo fora das filmagens e ele geralmente fazia alguns quizzes muito legais com conhecimentos gerais. E ele é ótimo em ser odiável, mas ao mesmo tempo um personagem cheio de carisma.

WiC: Você já nos deu uma idéia, mas o que nos poderia dizer sobre a jornada de Jon nessa temporada? Nas últimas temporadas ele teve importantes lições sobre hierarquia e aprender a seguir ordens, sejam as de Mormont ou Qhorin, apenas tentando ser um bom patrulheiro. Mas nessa temporada Jon está por si só, quase independente. Sem soltar muitos spoilers, o que você poderia nos dizer a respeito das descobertas e lições que Jon terá nessa temporada e como será sua jornada?

KH: Eu acho que tanto nos livros quanto na série ele tem sempre essas figuras paternais olhando por ele. A começar pelo seu próprio pai, Ned. E então pessoas como o Comandante Mormont, Benjen e o Meistre Aemon, e mais tarde Qhorin na segunda temporada. Então sempre existem esses homens mais velhos lhe dizendo o que fazer, e onde ele está errando. Nessa temporada ele conhece Mance Rayder, mas obviamente existe uma diferença na relação deles, pois ele está disfarçado, é um espião em meio aos selvagens. E isso foi interessante de vivenciar, porque de certa forma ele conhece outro homem que quer lhe dizer o que fazer, e como ser, e onde está errando, e eu gostei de brincar com a ideia de que, pela primeira vez, ele não precisa dar a mínima para essas ordens e conselhos. Ele precisa apenas fingir que está prestando atenção.

Haverão momentos em que ele escutará sermões, de novo, e será como nós já estabelecemos – Jon recebendo ordens de um homem mais velho. E o que eu considero interessante nessa temporada é que a história dele forma um arco incrível. O fato dele estar em meio ao acampamento de Mance Rayder colocará seus votos em teste, e até mesmo suas convicções e a noção de quem ele é realmente. E, sinceramente, sem falar mais do que devo, ele realmente acaba questionando se deve ou não continuar na Patrulha da Noite. E é fascinante. Eu acredito que essa seja minha temporada favorita até agora. Eles apenas melhoram. Eu amo a primeira temporada, e gosto mais ainda da segunda. E agora a terceira temporada tem sido… Eu estou realmente empolgado com ela.

WiC: Você comentou em outra entrevista que será uma temporada muito “icônica”. Em que sentido você acha que será icônica?

KH: Eu acredito que eles se superaram novamente nesta temporada. O orçamento aumentou, e embora eu saiba que isso não é tudo, fica claro que eles puderam investir ainda mais nos efeitos especiais e as cenas ficaram ainda mais incríveis. E novamente temos uma nova leva de atores chegando, como o Kristofer, Mackenzie e Ciarán, entre outros, apenas no meu contexto. E isso acontece também nos outros contextos, temos muitos novos personagens chegando. Eu não posso falar pelos outros contextos, porque obviamente nós estamos bastante separados, mas pelo que eu ouvi nós veremos algumas performances sensacionais. E sim, o RW (Casamento Vermelho) parece estar incrível também.

WiC: É, nós temos ouvido algumas coisas muito boas a respeito da cena. Estamos ansiosos, mas ao mesmo tempo temerosos, sabe como é.

KH: Sim, é uma daquelas, não é mesmo? É a cena que eu sempre aguardei, e mal posso esperar para vê-la. Foram alguns dias bem emocionantes para todo mundo no set, por causa da natureza da cena. Sei que estamos entrando num território de spoiler aqui, mas acredito que, pela natureza do que acontece na cena, é um pouco difícil para todos. Ela foi dirigida por um cara chamado David Nutter, que é um diretor fantástico e trabalha com tamanha dedicação que eles conseguiram explorar ao máximo o momento. Mal posso esperar para vê-la.

WiC: Excelente. Bom, acho que é o suficiente a respeito da terceira temporada. Mas, como eu disse que nós estávamos tentando marcar essa entrevista há um bom tempo, eu gostaria de retroceder um pouco e voltar para os primeiros dias, quando você foi escalado para o elenco. Nos conte um pouco sobre o processo de teste e sobre seus primeiros pensamentos quando descobriu que tinha conseguido o papel.

KH: É, eu me lembro de receber o script por baixo da porta de casa, e na época eu ainda estava atuando numa peça chamada War Horse. E então eu recebi o script e li o piloto, e eu nunca tinha lido os livros. E a minha primeira impressão daquele momento foi o quão bizarro aquilo tudo era. Nós temos um famoso jornalista na Inglaterra cujo nome é Jon Snow, então eu fiquei pensando “isso é muito, muito estranho”. Mas foi maravilhoso. Era totalmente original, e viciante.

Havia duas razões pelas quais eu me interessei, A) porque era uma produção da HBO, e receber um piloto da HBO embaixo da sua porta é algo que deve ser levado a sério; B) foi como “o que eles estão fazendo? Isso é insano. Eu não faço ideia de quem são esses personagens”. Mas eu nunca estive tão envolvido com um script, eu li e reli ele, se bem me lembro, antes de sequer começar a decorar as falas.

Sobre o processo de teste, minha primeira audição foi para a Nina Gold. E depois eu conheci o David e o Dan na segunda vez, e na terceira vez a audição foi com eles e também com o Frak Doelger. E, bom, na época tudo pareceu estar indo bem. Você consegue sentir quando faz um teste e as coisas dão certo, e se te chamam novamente você sabe que eles gostaram de alguma coisa em você. É interessante, minha terceira audição teve uma cena que eles haviam escrito entre mim e Ygritte na terceira temporada.

WiC: Uau!

KH: Foi estranho, pois eu e a Rose chegamos num determinado momento nessa temporada em que ambos tinham feito aquela cena nas audições, e na época não sabíamos ao certo se a faríamos mesmo na série. Eu sinceramente não sabia se íamos fazer, quando a li no piloto, mas então nós finalmente fizemos a cena que ambos tínhamos apresentado em nossas audições. Então foi algo bem gostoso de se fazer, de poder pegar um pouco do que fizemos nos testes e de fato apresentar na série, percebendo o quão longe chegamos.

WiC: Sim, claro. E em que momento você diria que percebeu que a série havia se tornado um grande sucesso?

KH: Eu não havia percebido até que, bom eu me lembro de estar no Canadá, estava em Toronto filmando um filme logo após a primeira temporada, e eu fui tão ingênuo sobre o que aquilo seria, sobre como seria a repercussão da estreia da série. E então o show estreou, e eu tentei me policiar e não ler resenhas, críticas e esse tipo de coisa, mas as vezes eu tenho alguns momentos de fraqueza e leio. É claro que a série era algo grande pra mim, e eu comecei a perceber quando eu estava no Canadá e, tipo, entrava na Internet e percebia que o feedback estava muito bom, e as pessoas estavam pirando e falando muito bem da série. E eu tinha visto o seu website (Winter iscoming) antes do lançamento da série e os fãs dos livros pareciam bastante animados e ansiosos, e foi incrível acompanhar esse processo. E então você começa a realmente perceber a grandeza do negócio quando as pessoas começam a te reconhecer na rua e falar que adoram a série, e tudo isso pareceu acontecer incrivelmente rápido. Então, sim, essa experiência para mim foi bastante surpreendente. Eu não imaginava que fosse alcançar esse patamar. Eu achei que as pessoas diriam “ah, é uma série interessante, bacana”, mas os fãs foram muito além disso e foi o máximo.

WiC: Você costuma ser reconhecido com frequência? Você é mais reconhecido aqui nos Estados Unidos? Ou também te reconhecem em Londres, dando um passeio?

KH: Bom, um pouco menos na Inglaterra. Mas se você está no ar mundialmente, e nessa série, pela natureza da série, você pode estar no ar em qualquer lugar. Seja na America do Sul, Europa ou America do Norte, você será reconhecido rápido e com frequência. Mas em Londres, na Inglaterra, eu não sei se é algo cultural, mas nós não costumamos parar pessoas nas ruas.

WiC: Então eles apenas sussurram com as mãos na frente da boca “Ei, aquele é o Jon Snow!“?

KH: (risos) É, por aí. Mas é óbvio que, no momento, eu preciso manter tudo isso aqui (aponta para a barba), porque nós temos ensaios fotográficos para a série, entre outras coisas. Então eu tenho que manter o visual e me parecer com ele. Mas a partir do momento que eu não precisar mais, rasparei isso tudo.

WiC: E isso ajuda?

KH: (gargalhada) É, isso ajuda.

WiC: Isso é divertido. Bom, ainda sobre essa questão, como você se sente saindo do anonimato para um estado em que todos reconhecem você, e você caminha na frente de milhares de pessoas na Comic-Con e elas piram. Como é isso? Chegar a esse ponto em questão de dois anos?

KH: Muito, muito estranho. E é uma escalada, embora as pessoas pensem que é algo como (estala os dedos) e você é famoso. Tratando-se de um show como esse, a tendência é que continue subindo. Sabe, no começo você era parado de vez em quando, ou tinha que tirar uma foto com alguém eventualmente. E hoje em dia nós estamos na terceira temporada e é bem comum que as pessoas te reconheçam de imediato e peçam fotos e coisas do tipo. E eu sempre achei, e isso é completamente verdadeiro e eu espero que continue assim, genuinamente adorável receber elogios e pessoas que vem até você para falar do seu trabalho. Elas são tão educadas e dizem algo como “Com licença, sinto muito mas é que eu sou muito fã do seu trabalho e da série, e eu amo sua história” ou “eu amo Game of Thrones” e “posso tirar uma foto?” e eu amo isso, entende? Não me incomoda de maneira nenhuma, e é disso que eu gosto, não é problema nenhum.

Mas sim, é estranho. Como por exemplo ir na Comic-Con pela primeira vez. Eu meio que viajei. Eu aluguei um Mustang em Los Angeles e saí dirigindo, como um turista inglês eu aluguei um conversível. (risos) E eu estava vestindo colete, e dirigi de LA até San Diego. Eu não fazia ideia do que era a Comic-Con e eu fui dirigindo pela cidade e pensando “Não pode ser, isso é loucura!” com o capô aberto. E então eu cheguei no hotel e havia aquela multidão de fotógrafos e pessoas querendo autógrafos e coisas e eu estava com meu cabelo pra cima e com meu colete e parecendo ridículo, vermelho com as queimaduras do sol. É, aquilo foi um grande momento. Lá na Comic-Con você tem que literalmente andar disfarçado, do contrário você será parado a cada segundo.

WiC: Essa foi uma bela história. Então, nos diga um pouco sobre você. Nós gostamos de falar um pouco do lado pessoal nas nossas entrevistas no Winter is Coming, como por exemplo, que tipos de hobbies você tem? Como você se diverte quando não está no set de filmagem ou trabalhando em outro lugar?

KH: Eu escrevo bastante. Tento escrever tanto quanto posso. Eu acho que, quando você está crescendo como ator, atuar é seu hobbie. E então você percebe que é sua profissão, e não mais um hobbie. De uma forma estranha, hoje eu acho bastante difícil assistir filmes ou TV porque você sabe tudo que está por trás e fica difícil apenas assistir, sem se perder dentro da produção. Eu diria que essa é uma das desvantagens para quem trabalha nessa indústria. De qualquer forma, antes de quebrar meu tornozelo eu adorava praticar esportes e amava escalar. Mas tive que dar um tempo nessas atividades. No momento, eu ando tão ocupado que meio que só leio. Eu leio, e é isso. Se não estou trabalhando, estou lendo. Bastante tedioso.

WiC: Já que tocamos nesse assunto, eu sei que você leu os primeiros quatro livros. Você chegou a começar o quinto, A Dança dos Dragões? Ou você está se mantendo afastado?

KH: Eu estou me mantendo afastado do A Dança dos Dragões por enquanto. Eu me lembro de ler, devorar os livros, até chegar no ponto em que havia lido todos eles. E então A Dança dos Dragões foi lançado quando eu já estava trabalhando na nova temporada e eu pensei em dar um tempo e não ler de imediato. Eu já sei o bastante do que virá a acontecer nas próximas temporadas e senti que não queria avançar demais na história. Mas agora estou começando a pensar se não deveria ler, porque eu meio que gosto de saber o que está por vir. Mas não, eu ainda não li.

WiC: Certo, eu entendo. Bom, da forma como David & Dan estão trabalhando o texto, parece que muitos acontecimentos de diferentes livros estão se misturando na série. Não será uma temporada por livro. É possível que você venha a trabalhar com material de A Dança dos Dragões em breve, digamos talvez no final da próxima temporada. Vamos ver como eles vão bolar isso. Por acaso os diretores te passaram alguma informação interna a respeito de Jon que não tenha sido revelada nos livros ainda? Porque eu sei que George tem lhes passado algum material. Ou talvez o próprio George tenha lhe dito algo a respeito?

KH: Não.

WiC: Eles estão te mantendo no escuro, assim como seu personagem?

KH: Estão, eu realmente não sei. Eu gostaria que eles tivessem me dito algo, mas não disseram. Eu acho que existem três pessoas nesse mundo que sabem sobre a mãe de Jon, e o destino dele, e de forma geral nos livros, o que acontecerá no final. Essas pessoas são David, Dan e George, e eles guardam esse segredo a sete chaves. Então, é, ninguém sabe além deles. Eu adoraria invadir o cérebro deles e descobrir, mas eu nunca o fiz, nunca nem tentei. Eu não quero testá-los.

WiC: Você deveria chamar-los pra sair um dia e deixar eles um pouco…

KH: Sim! Benioff e Weiss muito chapados!

WiC: E então, como quem não quer nada, você diz “Ei, sobre os pais verdadeiros do Jon. Quem são eles?

KH: Apenas lançar a pergunta pra eles assim, de repente, é.

WiC: Aham, é, isso poderia funcionar, poderia mesmo. Ok, aqui vai uma pergunta aleatória. Um dos meus escritores, ele já fez diversas entrevistas para o site, ele entrevistou Emilia, Lena, John Bradley. (Nota do editor: estou falando sobre o FaB). Por alguma razão ele criou uma campanha para eliminar a cor “Índigo” do espectro de cores primárias.

KH: Ok, isso parece interessante. Parece uma campanha interessante para se ter.

WiC: Ele diz que indigo é a mesma coisa que violeta, e que nós não precisamos dos dois. Ele sempre pergunta a todos que ele entrevista se eles são parte do “Time Indigo” ou se eles querem essa cor fora do espectro. Ele é totalmente contra e parece que até então o único que concordou com ele foi o John Bradley.

KH: (gargalhada) É claro que o John concordou com ele, é óbvio, tinha que ser ele.

WiC: Então nós temos que saber, sem pressão. O John diz que ele apoia o movimento, todos os outros acham que não. O que você pensa sobre isso?

KH: Eu gosto do nome indigo, eu acho que é um belo nome para uma cor. Então eu acho que terei que ir contra o John e dizer que o indigo tem que ficar. Desculpe, eu tenho que deixar o indigo. E que tal isso, eu prefiro o indigo à violeta.

WiC: Opa, ok, essa é uma nova. Eu gosto disso, essa é uma boa resposta.

KH: Uma campanha para acabar com o violeta em favor do indigo, é disso que estou falando.

WiC: (risos) Ok, agora outra pergunta que eu devo fazer, porque um dos meus escritores quer saber, e todas as garotas querem saber… Alfie mostrou na primeira temporada, Richard na segunda, na terceira será que veremos Jon Snow…

KH: (risos) Talvez, talvez! Eu não quero dar muitos spoilers, mas se você leu os livros, você sabe que ele mostra. E temos uma bela, realmente bela cena, acionando aqui o alerta de spoiler, mas temos uma bela cena entre Ygritte e Jon. Uma que eu particularmente acho ótima. Nós conversamos sobre ela, eu, Rose e o diretor, e é um dos poucos momentos nessa série em que vemos um momento de plena felicidade entre duas pessoas. É uma coisa rara, e acho que nós fomos verdadeiramente abençoados por ter a oportunidade de filmá-la, espero que funcione e que as pessoas gostem. Eu adorei participar dela. É um momento muito especial para o show, porque é tão pura e feliz, um momento em que eles se isolam de toda aquele mundo terrível e podem ter um momento só para eles. Especialmente para Jon, que geralmente só se ferra.

WiC: Pobre Jon.

KH: É, pobre Jon.

WiC: Bom, acho que estamos quase terminando. Gostaria de perguntar como está sendo trabalhar com Rose Leslie, especialmente nessa temporada, onde vocês passaram bastante tempo trabalhando juntos. Pois, apenas na segunda temporada, do pouco que vimos, pareceu que vocês tinham uma química muito boa. Isso continuou na terceira temporada? E como é trabalhar com ela como sua principal parceira de cenas?

KH: Nós ficamos muito, muito próximos, eu e a Rose. Somos ótimos amigos. Nós nos demos bem logo de cara. E acho que somos muito sortudos nesse sentido, porque obviamente tivemos muito trabalho juntos na segunda e terceira temporadas. Nós compartilhamos do mesmo senso de humor, o que é sempre bom. Você sabe que vai se dar bem com alguém quando percebe que o senso de humor da pessoa bate com o seu. Então nós rimos o tanto quanto pudemos durante as filmagens e tivemos uma ótima experiência. É fantástico quando você encontra isso em alguém, e eu encontrei também em John Bradley. Nós temos o mesmo senso de humor e por isso o trabalho nunca foi cansativo ou tedioso. Ela é uma profissional maravilhosa e está particularmente fantástica nessa temporada. Chega a ser hipnotizante. Eu acredito que será muito legal observar a reação das pessoas com a interpretação dela de Ygritte, porque ela faz isso de uma forma muito linda, perfeita.

WiC: Bacana, muito legal. Eu acho que ficamos por aqui então, a não ser que você tenha alguma pergunta para mim?

KH: (risos) Acho que não. Apenas gostaria de dizer que adoro o site de vocês. Me mantém atualizado. Eu aprendo mais no seu site do que fazendo a série, as vezes.

WiC: Bom, nós nos esforçamos para manter os fãs informados o tanto quanto podemos. Nós recebemos muitas informações de primeira mão e eu não sei ao certo se a HBO fica nervosa conosco, mas poxa, os fãs querem saber!

KH: E os atores também!

WiC: Certo, tentaremos manter vocês informados, bem como os fãs. Eu realmente agradeço pelo seu tempo e pela disposição para falar conosco hoje.

KH: Não foi incômodo algum, a qualquer hora.

WiC: Se cuide, e estamos ansiosos para te ver na terceira temporada!

KH: Será ótimo, eu acho, eu espero!


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