Unboxing e resenha de ‘The Lands of Ice and Fire’

Todo livro de fantasia precisa de um bom mapa. É o presente mais precioso que um autor pode nos ceder pra poder dar um ponto de partida seguro para a nossa imaginação, baseado na história que nos está sendo contada. Isso porque a geografia bem traçada nos ajuda a definir  e compreender melhor o mundo ficional em questão. Onde os personagens estão, as jornadas, os empecilhos culturais, climáticos e etc. Em livros como “As Crônicas…”, onde milhares de eventos acontecem ao mesmo tempo, precisamos deles ainda mais pra não nos perdermos na narrativa.
Lembro que quando li O Festim dos Corvos pela primeira vez, eu não conseguia identificar onde Brienne estava em sua jornada. A campanha da Daenerys na Baia dos Escravos então, nem se fala… Toda hora eu precisava conferir no mapa, pra ver se estava imaginando apropriadamente. Eu sempre quis mapas mais detalhados. Eu sempre quis ver geograficamente o que George R. R. Martin realmente vê, mas não conta. Todo mundo aqui na equipe do site é um pouco obcecado por isso, acho que vocês perceberam.

The Lands os Ice and Fire, que foi prometido como um livro/atlas, na verdade trata-se de uma compilação de 12 mapas impressos em papel glossy em tamanho 51×61 cm com detalhes nunca antes revelados, é um item precioso pra quem lê os livros. Ele também é um item precioso pra quem joga RPG, pra quem gosta de arte e pra quem é apaixonado por Game of Thrones. O trabalho de cartografia de Jonathan Roberts é quase obsceno: realmente belo e espirituoso. É quase evidente, na verdade, que as ilustrações foram realizadas a mão, o que deve ter poupado bastante trabalho.
Você encontrará mapas altamente detalhados dos continentes do universo dos livros bem além da Westeros que a gente já conhece. A coleção completa conta com: The Known World; The West; Central Essos; The East; Westeros; Beyond the Wall; The Free Cities; Slaver’s Bay; The Dothraki Sea; King’s Landing (mapa da cidade); Braavos (mapa da cidade); and Journeys (que mostra a jornada de alguns personagens). De longe, os mais interessantes são Journeys (é o único que dá a sensação de estarmos realmente dentro dos livros), Porto Real e Bravos, que são os mais ricamente desenhados. A planta de Braavos é um verdadeiro espetáculo. E tenho a sensação de que foi dedicado um espaço tão bem trabalhado só pra ela porque Bravos terá papel importante nos livros a seguir. Entre as locações nunca antes citadas, conhecemos:
  1. The continent of Ulthos
  2. The Cities of the Bloodless Men
  3. The Thousand Islands
  4. The Five Forts
  5. Bonetown
  6. The Land of the Shrykes
  7. The Great Sand Sea
  8. The Howling Hills
  9. The Bleeding Sea
  10. The City of the Winged Men
Martin disse que essa compilação geográfica está longe de estar completa: “A idéia era fazer algo que representasse as terras e mares os quais, digamos, um meistre da Cidadela poderia estar ciente (…) a distância é um fator importante, e de certa maneira lendas e mitos se infiltrarão aqui. Como Homens Alados, e coisas do tipo (leia aqui).”
O tamanho dos mapas é grande. Muito grande. Talvez grande demais. Pouco práticos se você não pretende pendurá-los pela casa. E há de ser dizer que você precisará de bastante espaço. Muitos lugares na geografia dos desenhos são repetidos várias vezes em diferentes escalas. Acho que a redundância é desnecessária, é comum em Atlas, mas isso não é um Atlas. Estou dizendo isso porque faltam aqui muitos detalhes de maneira geral. Muitas coisas eu já havia visto nos mapas dos livros, e nos da HBO. E é aí que mora o problema: é pouca informação pra muito tamanho. Em mapas tão grandes, a sensação de que falta mais informação na geografia inventada fica mais nítida. Senti falta de mapas mais introspectivos em formato macro: um só com as instalações de Winterfell, Fortaleza Vermelha e a região dos fortes que protegem a Muralha. Visualmente isso seria muito mais interessante. Mas, se George disse que está “longe de estar completo”, a gente espera.
Considerações gerais:
  • As formações geográficas de modo geral não se parecem ao todo com a impressão que as descrições dos livros nos passam. Westeros não ser o centro de tudo na localização, por exemplo é esquisito. Essa é uma característica que a gente já sabia através de outros mapas especulativos, eu sei. Mas na escala desses mapas, a sensação é bem estranha.
  • O sul é um exagero maravilhoso. A quantidade de água que os povos das Ilhas de Verão tiveram que enfrentar para se relacionar com outros povos é inacreditável. Eu diria quase impossível. Sothoryos é muito proxima de outras civilizações, o que torna o fato de ser um lugar raramente conhecido e citado, bem estranho e intrigante.
  • Valíria arruinada dá medo até vista em um pedaço de papel.
  • Porto Real é muito interessante. Acho que definitivamente é um dos mapas que vai te ajudar a entender melhor o fluxo dos personagens, principalmente em O Festim dos Corvos.
  • Bravos, na minha opinião, é o mapa mais bonito, e o que todo mundo vai querer grudar na parede do quarto. Provavelmente o lugar terá bastante espaço nos próximos livros. Mesmo assim é confuso pensar que Bravos tem algo tão bonito pra apresentar aos leitores agora e a confusa e caótica Meereen, não.
  • O leste é… BIZARRO. Lugares maiores do que Westeros que nunca foram citados, com nomes horrorosos e fascinantes como Ulthos, The Five Forts, The Cities of the Bloodless Men, The Cannibal Sands, Bonetown, The Land of the Shrykes, The Thousand Islands, The Howling Hills, The Great Sand Sea, The Mountains of the Morn… Kayakayanaya! ( essa última a gente já ouviu falar nos livros: “mulheres com rubis nas bochechas e argolas nos seios)!
Os mapas são legais, mas o design de embalagem foi um pouco mal estudado. A pasta é grossa e o adesivo de ilustração é muito bonito e bem acabado. Do lado de dentro, um pequeno elástico prende as pontas dos mapas na embalagem. Porém, uma vez que você resolver tirar os mapas da embalagem, prepare-se pra passar um sufoco ao tentar colocá-los de volta. A dica é dobrá-los exatamente da maneira que os tirou e encaixá-los um a um. Ou, você correrá o risco de amassar ou até mesmo rasgar as obras.
Todo mundo sabe que o Martin é o escritor “jardineiro” e vai construindo e inventando coisas a seu tempo, regando, cuidando e esperando crescer. O que, é óbvio, abrirá portas para um outro anexo de mapas como esse chegar as prateleiras das lojas em alguns anos, com conteúdo atualizado.
A seguir o vídeo do nosso 1º unboxing aqui no site. Nem é um unboxing propriamente dito porque o mapa não veio em uma caixa. Foi mais um comentários das nossas primeiras impressões enquanto folheamos os mapas.
Se você se pegar sabendo bem mais de geografia de Westeros do que a do seu próprio planeta, não se assuste. Esse pode ser o primeiro passo pra você ficar fera em geografia de maneira geral.
Produto:
A Lands of Ice and Fire
Criado por George R. R. Martin e desenhado por Jonathan Roberts
Editora: Bantham Books (US) e Harper Collins (UK).
Sem previsão de publicação em português.
Onde comprar?
Você pode pedir o seu através da Amazon US, Amazon UK e Livraria Cultura. Assim que a Livraria Saraiva importar por um preço mais em conta a gente avisa vocês.

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