Todos os homens devem morrer (E eles morrem)

Depois de pensar em vários possíveis títulos para esse post, cheguei à conclusão de que “Valar Morghulis”, ou “Todos os homens devem morrer”, seria o melhor, pois retrata bem a realidade presente em Game Of Thrones, uma das poucas séries que você acompanha tendo a certeza de que todo e qualquer personagem é mortal, ninguém está a salvo. Nessa segunda temporada, mesmo os que leram os livros se surpreenderam com algumas mortes que não ocorrem neles ou que ocorreram de maneira completamente diferente daquilo que lemos. Qual a causa pra isso? Corte de elenco? Benioff e Weiss não acham suficiente o número de personagens que o Martin mata nos livros e querem matar mais?

Esse post é uma homenagem aos personagens que se foram nessa temporada, mas que sempre serão lembrados (ou não), pois como dizem os seguidores do Deus Afogado, “O que está morto não pode morrer“. 

ATENÇÃO: Nesse post eu estarei comparando muitas vezes fatos ocorridos no livro com aqueles ocorridos na série, por isso é possível que surjam alguns SPOILERS. Se você não lê os livros e não quer ter a mínima ideia do que vai acontecer daqui pra frente, não prossiga. Você foi avisado.
Meistre Cressen
O meistre de Pedra do Dragão é o prólogo do livro “A Fúria dos Reis” e, tendo isso em vista, acredito que ele merecia uma participação maior na série de TV. Não só a aparente falta de importância do personagem no primeiro capítulo da temporada como também a cena da morte dele em si fizeram com que sua perda fosse bem menos significativa para o público. No livro, o velho é pesadamente humilhado pela Melisandre antes do brinde. Ela chega a colocar a coroa de chifres e guizos do bobo, Cara Malhada, na cabeça dele em frente a todo mundo. Mas como na série não tivemos o Cara Malhada, também não tivemos guizos, e não tivemos a cena dramática que nós leitores esperávamos. Outra mudança quer eu achei válida se compararmos com o texto original foi o fato de o Cressen beber o vinho batizado antes da Melisandre e dela só beber o vinho depois que ela percebe que ele está morrendo, em um claro e sombrio tom de desafio. Isso serviu, a meu ver, para mostrar o poder da mulher vermelha. Uma pena que, em contrapartida, tenha servido para “idiotizar” ainda mais o nosso Cressen, talvez até mais do que a própria coroa de guizos teria feito.
Rakharo
Como outros personagens que perderam a vida nessa temporada, Rakharo é um que não morre nos livros. A morte dele aconteceu por que o ator que o interpretava precisou sair da série para gravar um novo filme, o “World War Z”.
A partir daí podemos ver como realmente a parte da Dany foi alterada em comparação ao livro. Boa parte das mortes que não ocorrem no Fúria ocorreram no arco dela, mas vamos falar disso mais pra frente. A morte do Rakharo serviu de certa forma para mostrar a desgraça do khalasar de Daenerys ao atravessar o Deserto Vermelho depois do nascimento dos dragões, quando todos acreditavam que as coisas iam começar a dar certo pra ela. Originalmente, quem morreria nessa passagem seria a Doreah, mas de fato, a morte dela talvez não tivesse tanto peso ali (na série) quanto a morte da Prata e de um dos guerreiros. Fora isso, a cena também foi boa e comovente, com a lamentação da Irri e toda a explicação sobre a cremação dos corpos. Com a morte de Rakharo, Kovarro passou a assumir o seu papel de ser o “representante” do khalasar ao lado da Daenerys.
Yoren
No terceiro episódio da temporada, demos adeus a um personagem que, como muitos outros, embora fosse querido, não possuía um grande papel no jogo dos tronos (coisa que ele afirmava com orgulho), o Yoren. Quem não achou no começo que, depois do Syrio Forel, ele seria um mentor substituto pra Arya? E ele até foi, só que por um período curto de tempo. No livro isso fica mais nítido, quando percebemos que a bravura do patrulheiro realmente inspirava a Stark. Já na série isso foi mostrado de uma maneira mais sutil, quando foi adicionada aquela cena de despedida, onde ele conta uma história que serviu de inspiração pra “oração” da guria mais tarde. O ator Frances Magee realmente encarnou muito bem o personagem que, embora fosse cômico, como o Tyrion fez questão de ressaltar durante sua estadia na Muralha, era um guerreiro bravo e leal, sempre disposto a defender seus recrutas e cumprir seu dever.
Lommy Mãos-Verdes
No mesmo capítulo e na mesma batalha em que perdemos o Yoren, perdemos também o órfão Lommy. Sempre ao lado de Torta Quente, ele infernizou a vida de Arya (ou Arry) por um tempo ao longo da Estrada do Rei até que ambos começaram a temê-la e até gostar dela. Na série, nós não tivemos tempo sequer de ouvir o nome do garoto. Em um capítulo ele estava discutindo sobre batalhas com o Torta Quente e, no seguinte, estava perdendo a vida em uma. A cena em que ele foi morto pelo Polliver realmente se pareceu com a morte dele no livro, porém, na série, ela serviu para algo a mais. Serviu para que Arya, com sua esperteza providencial, enganasse os soldados da rainha afirmando que ele era na verdade o Gendry, o bastardo com elmo de touro por quem eles procuravam. Uma mudança inteligente dos roteiristas, até mesmo pra tornar a morte dele mais “relevante”.
Renly Baratheon
E por falar em relevância, o Baratheon mirim provavelmente foi o personagem mais importante a bater as botas nessa segunda temporada, exatamente pelo fato dele ser um dos Cinco Reis e ter um papel mais efetivo dentro do jogo dos tronos (Embora ele talvez fosse o “jogador menos importante” em comparação aos outros, ele certamente era um peão). A cena da morte dele na série, em minha opinião, foi excepcional. Mas como fã de Stannis que sou, gostaria de ter visto a cabeça do bastardo rolando no chão daquela tenda enquanto os homens a chutavam e pisoteavam quando combatiam Brienne, como aconteceu no livro. Mas a não decapitação do Renly serviu para a cena seguinte onde Margaery e Loras lamentam o ocorrido diante do corpo. O que também foi mudado em relação ao texto original visto que nele o Loras entra em um estado berseker de frenesi homicida enquanto na série ele apenas lamenta de modo contido a morte do “amigo”.

 

Sor Rodrik Cassel
A morte de Sor Rodrik do jeito que foi mostrada na série serviu pra que a HBO “se livrasse” não só dele, mas como também da filha dele, Betty Cassel e do temível Fedor/Ramsay Bolton. Sim, eu sei que o Rodrik de fato morre no livro, mas ele morre pelas mãos do Ramsay depois de ver sua filha Betty ser ameaçada pelos homens de ferro nas ameias de Winterfell. A Betty nós nunca veremos, mas já soubemos aqui que o Ramsay foi escalado para a terceira temporada da série (ele já havia sido citado pelo pai dele, o Roose antes do final da temporada então isso não chegou a ser nenhuma grande novidade). E acredito que a decapitação dele foi muito bem executada tanto pela direção como pelos atores presentes. O que sobrou de técnica na produção da cena faltou ao Theon na hora de cortar a cabeça do antigo castelão, um homem a quem ele certamente devia muito, e por isso a carga emocional da sequência foi muito maior.
Cócegas
Eu não sei se alguém conseguiu reparar, mas o ator Anthony Morris fez muito bem o papel do temido cócegas, que infelizmente, por falta de dinheiro e do Chiswyck, teve o seu tempo de vida encurtado na série, sendo o primeiro nome da lista negra da Arya. Até aí tudo bem, mas o que mais me entristece nessa morte, é o fato de que não veremos a própria Arya dando cabo do interrogador, como acontece nos livros. Ele pode sim ser substituído pelo Polliver, mas a morte não seria a mesma. Quem leu o livro três sabe que a “verdadeira morte” do Cócegas não é uma morte qualquer.
Amory Lorch
O mesmo caso é o do Amory Lorch. Ele foi o segundo nome da Arya sendo que o segundo nome original (o Weese) estava na série! Provavelmente a história da carta e o fato dele não saber ler tornou a morte dele mais interessante na cabeça dos produtores. Fora que isso deu uma justificativa pra Arya não ter dito logo o nome do Tywin. Enfim. Espero que ainda vejamos alguém ser devorado por aquele urso.
Alton Lannister
Como o personagem não existe nos livros, supomos que ele iria substituir o Cleos Frey, verdadeiro primo do Jaime na saga. E ele realmente fez isso, mas só até o Jaime matar ele a golpes de corrente no episódio 7: “A Man Without Honor”. Muitos condenaram a cena, principalmente os fãs do Jaime que afirmaram que ele nunca mataria um parente. Já eu discordo totalmente, pra mim o Jaime é sim um cara capaz daquilo e de muito mais, pelo menos antes de perder a mão e começar a bancar o Bom Samaritano. Não vamos esquecer quem empurrou o Bran daquela janela. Sem falar que a morte do Alton, em minha opinião, ficou muito mais interessante que a morte do Cleos original.
Irri

Eu estava subindo as escadas esperando por Daenerys. “Khaleesi, você já voltou?” E os dragões tinham sumido. Do nada, uma corda aparecia ao redor do meu pescoço. Eu acho que é difícil ser estrangulado na TV por que, obviamente, para fazer isso parecer real você tem que ao menos ser estrangulado de verdade um pouco. Então eu fiquei com algumas marcas no meu pescoço no dia seguinte. Eu fiquei orgulhosa. Cicatrizes de batalha. Cenas de morte são divertidas

Esse trecho foi retirado de uma entrevista da atriz Amrita Acharia, intérprete da Irri, onde ela afirma ter filmado a cena da morte da Irri que, por algum motivo, não foi levada ao ar. A atriz, que conhece a história dos livros da saga, não imaginou que os produtores da série fossem matar a Irri assim, sem mais nem menos (até o livro cinco “A Dança dos Dragões”, ela continua bem viva). Ela parece ter ficado tão surpresa quanto a gente, mas afirma não ter do que reclamar, está muito feliz com o trabalho que foi feito.  Quem aí não vai sentir falta da Irri? A Daenerys com certeza vai.

“Evil” Doreah
A gatíssima Roxanne McKee certamente faria muita falta, caso a morte da sua personagem acontecesse como foi nos livros. Por que, pra quem não se lembra, a personagem morreu no Deserto Vermelho e a Daenerys lamentou muito a sua morte. Na série, o que aconteceu foi totalmente o oposto. Eles mataram Rakharo e a Prata no Deserto Vermelho, depois mataram a Irri, o que fez com que muitos imaginassem que, pelo fato da Roxanne ter tido mais destaque do que a Amrita Acharia, a Doreah iria desempenhar o papel da aia dothraki nas temporadas seguintes. Ao invés disso, a Doreah passou para o lado negro da força (não tem nada haver com a cor do Xaro Xhoan Daxos, assistam Star Wars) e foi trancafiada em um cofre pela própria Dany.
E tendo perdido as suas duas aias, a Mãe dos Dragões agora vai ficar sozinha? Não. Como vimos nesse vídeo, a Missandei – tradutora naathi que na saga original teria apenas 11 anos será interpretada pela bela atriz Nathalie Emmanuel, e provavelmente irá substituir a Irri dos livros.
Pyat Pree
Outra morte que não ocorreu nos livros foi a morte do warlockPyat Pree. Em “A Fúria dos Reis”, quando a Daenerys entra na Casa dos Imortais e é atacada pelos “fantasmas”, Drogon queima e coração e por consequência, todo o palácio dos magos é destruído. Resultado: Pyat Pree e sua gangue buscam vingança (Isso já foi mencionado nos livros, embora o personagem em si ainda não tenha reaparecido). Então, o que explicaria a morte dele na série? Simples. Caso haja necessidade do personagem reaparecer em temporadas futuras, os produtores podem simplesmente vir com a explicação de que quem morreu não foi o verdadeiro Pyat Pree e sim um dos seus “clones”.
Xaro Xhoan Daxos
De todos os personagens da obra do Martin, na série esse foi o mais descaracterizado, sem sombra de dúvidas. Definitivamente, o Xaro Xhoan Daxos que vemos nos livros não é mesmo mostrado pela HBO. Então por que não matá-lo? Porque no 5º livro ele reaparece para a Dany em Meeren enviado pelos Treze (que na série ele também matou com a ajuda do Pyat Pree) oferecendo apoio na guerra e refazendo sua proposta de casamento que ela rejeitara em Qarth. Mas como ele vai fazer isso preso dentro de um cofre inquebrável? Ou a história do cofre era mais uma das balelas contadas pelo nada confiável “Rei de Qarth” ou a HBO simplesmente vai apagar o Xaro (e Qarth) da história durante a guerra na Baía dos Escravos. Vamos esperar pra ver.
Matthos Seaworth
O Matthos Seaworth da série, interpretado pelo ator Kerr Logan, foi um único personagem onde condensaram toda a ninhada do Cavaleiro das Cebolas ou menos a maior parte dela, seus filhos mais velhos Dale, Allard, Matthos e Maric, todos mortos pelo fogovivo na Batalha da Água Negra e o escudeiro Devan, que como ele é um fervoroso devoto do Senhor da Luz e continua vivo até o livro cinco. A perda dos filhos fez com que o Davos odiasse ainda mais a Melisandre, mas como a própria mulher vermelha disse ao Matthos no capítulo 2, “A morte pelo fogo é a mais pura”.
Meistre Luwin
Donald Sumpter é, sem dúvida, um daqueles grandes atores que vai fazer mais falta no elenco de Game Of Thrones. Ele e seu personagem, o querido e sábio meistre Luwin. Em “A Fúria dos Reis” ele é morto quando os homens de Ramsay Snow saqueiam e queimam Winterfell e já na série, ele é atingido impiedosamente pela lança de Dagmer Boca Rachada. As últimas cenas dele com Alfie Allen (Theon Greyjoy) e as cenas dele com o Bran e a Osha sempre foram sensacionais, sem falar na cena da sua morte no bosque sagrado, que certamente fez muitos fãs se emocionarem, mesmo aqueles que leram os livros e sabiam que isso iria acontecer, e é por isso que Donald Sumpter merece ser lembrado em Game Of Thrones, ele soube dar vida ao meistre com maestria.
Qhorin Meia-Mão
Talvez por falta de tempo de mostrá-lo como era devido, um dos personagens secundários mais importantes e mais queridos pelos leitores dos livros se tornou um dos personagens secundários mais irrelevantes da segunda temporada da série (ele chegou a ficar em último nessa lista da Rolling Stone que elegeu os “Melhores (e piores) personagens novos da segunda temporada de Game Of Thrones”).
Muitos reclamaram de que o plano dele de sacrificar-se para que o Jon se infiltrasse no exército selvagem de Mance Rayder não ficou muito nítido na série. O que aconteceu na série foi que, diferente do que aconteceu no livro, o Jon não sabia desse plano. Mas acho que, se os fãs que não leram o livro 2 prestarem mais atenção no diálogo dos personagens no capítulo 8 quando eles são capturados, na postura do Qhorin, no modo como ele provoca o Jon constantemente e nas suas últimas palavras (“We are the watchers on the Wall”), vão perceber que a morte dele foi de fato intencional.
Fora isso, o ator Simon Armstrong trabalhou muito bem com aquilo que lhe deram e, em minha opinião, a última cena da luta dele com o Jon, embora mais “besta” do que a que tivemos no livro, foi algo bonito de se ver (cinematograficamente falando).
Abaixo seguem dois vídeos com todas as cenas de morte dessa temporada:

Sor Rodrik Cassel, Meistre Luwin, Yoren, Irri, Doreah, Renly Baratheon, Matthos Seaworth, Rakharo, Qhorin Meia-Mão… Que eles cavalguem eternamente nas Terras da Noite. E vocês, se preparem, por que a terceira temporada vem aí.

 

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  • renan nunes

    vc ta ligado q ele ta na frente de um espelho né?
    se ñ viu ve dnovo