Resenha do livro “Ruas Estranhas”

ATUALIZAÇÃO: na próxima terça 17/07 sortearemos um exemplar do livro entre [email protected] que comentarem a resenha! Deixe seu comentário na postagem e estará concorrendo automaticamente!

 
     Ruas Estranhas é definitivamente um livro para quem aprecia percorrer as ruas bastante estranhas do mundo da fantasia e da ficção científica. Uma coleção de 16 contos selecionados criteriosamente por George R. R. Martin em parceria com Gardner Dozois.

     A obra pertence a um gênero que Martin define como um garoto bastardo nascido da curiosa junção entre o horror e o mistério: a fantasia urbana – que remete a uma perspectiva metropolitana envolvida com desafios contemporâneos.

    Em Ruas Estranhas não temos autores que retratam uma fantasia urbana limpa, ambientada em ruas de cidades normais nas quais eventualmente surge algum mistério que é facilmente superado pelo ser humano comum. Pelo contrário, há aqui o retrato de tudo que é sujo, torpe, cruel e inenarrável. O suficiente para abalar de forma irreparável o cotidiano das personagens que irão passar pelas experiências expostas ao longo das narrativas. É incrível quando um autor consegue fazer você se sentir extremamente angustiada e assustada com relação a algo tão puro como a música.

Os seres noturnos nojentos e repulsivos que vagam por essas ruas estranhas começaram, segundo Martin, a receber forma e voz com escritores consagrados como Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft e Bram Stoker. São vampiros, demônios, espíritos e todo tipo de criaturas transcedentes sanguinárias do submundo descritas a partir de novos ângulos, por escritores que seguem os passos de seus antecessores.
     Nesse estilo, até os heróis tem mais características em comum com vampiros e lobisomens da literatura de horror do que com detetives particulares na vida real. É o que Martin expõe num trecho da introdução à obra:
 “Enquanto seus equivalentes ficcionais estão solucionando assassinatos , desmontando tramas e caminhando por bairros ruins onde nem mesmo policiais ousam entrar, os investigadores particulares da vida real passam os dias documentando adultérios para advogados de divórcios vulgares, lidando com segurança empresarial, espionagem industrial e investigando fraudes em seguros.”
     Um dos aspectos mais interessantes em um livro como esse, é o fato de que temos a oportunidade de conhecer um autor ou autora com a qual não tínhamos tido contato prévio. Neste caso específico, a maioria dos escritores também são autores de outras obras do mesmo gênero e ao ler um conto de tirar o fôlego, nos sentimos intrigados e com vontade de conhecê-los ainda mais através de volumes únicos ou séries com a mesma temática, talvez até com as mesmas personagens.
      Entretanto, é quase certo que alguns leitores gostarão mais de alguns textos que de outros. Isso é comum em livros de contos, seja de autores distintos ou não. Uma história que particularmente impressionou-me foi “A sombra que sangra” de Joe R. Lansdale, autor cujas obras eu espero continuar lendo num futuro próximo. O conto narra as peripécias do detetive particular Richard que enfrenta um perigo desconhecido e inimaginável ao tentar encontrar e trazer de volta para casa o irmão de uma amiga. Se o desenvolvimento dessa aventura dá arrepios e provoca sensações indescritíveis, o desfecho é suficiente para nos deixar sem palavras.

     Ademais, Martin e Donzois podem ter estado equivocados na escolha de determinados contos, mas com certeza conseguiram atingir o objetivo de construir uma obra envolvente, permeada de mistérios capazes de nos despertar para o que há de mais sombrio em nossa imaginação, de nos levar a encarar nossos piores medos.

     Para quem ficou interessado e aceita explorar as ruas estranhas pelas quais os autores nos conduzem, a editora Casa da Palavra disponibiliza o conto “A dama grita” de Conn Iggulden.

Compartilhe:

Ao comentar no site você aceita as regras previamente estabelecidas.

Posts Relacionados