Resenha do episódio 2.08: “The Prince of Winterfell” [SEM SPOILERS]

“A calmaria que precede a tempestade”. Esse aforismo define bem o oitavo episódio da segunda temporada de Thrones, “The Prince Of Winterfell”, sobre o qual escrevo esta análise, livre de qualquer SPOILER para aqueles que não acompanham os livros da saga.

Dirigido por Alan Taylor e escrito pela dupla de criadores da série, David Benioff e D. B. Weiss, o episódio serviu para preencher muitas das lacunas que foram deixadas em aberto no decorrer da temporada, como vamos poder perceber ao longo do texto.

 

E de novo, como veio acontecendo nas últimas semanas, iniciamos o episódio em Winterfell, dessa vez com a chegada de Yara e dos homens de ferro. E enquanto uma dúzia de corvos mortos parece tentar nos mostrar que o Theon talvez não seja tão estúpido como todos pensavam, a irmã dele nos prova exatamente o contrário: O Theon é mais estúpido do que todos pensavam. Estúpido e fraco – nas próprias palavras dela. E todo o diálogo faz questão de deixar claro o quão errado e precipitado foi assassinar os meninos daquela maneira. Sério que o cara acreditou que depois de tomar o castelo (que fica a quilômetros do mar) e matar seus Lordes (duas crianças) as pessoas ajoelhariam perante ele como se ele fosse o próprio Ned? O que ele pretendia? Mudar a sede da Casa Greyjoy de Pyke para Winterfell e ensinar os drakares a navegarem na terra?  

“Não morra tão longe do mar…”

Na discussão, logo percebemos como os argumentos dele são infantis e como Yara consegue contorná-lo facilmente. Nota-se também o quanto ela é respeitada pelos homens que a seguem, e o motivo disso. No final do capítulo nós descobrimos o porquê do Theon ter forjado a morte dos Stark, mas isso só serviu pra que os nortenhos o odiassem ainda mais.

Percebendo que argumentar com o Theon é o mesmo que ensinar o Joffrey a ser gente, Yara apela para o sentimentalismo, afinal, os dois tem o mesmo sangue. Não funcionou. Mas claro que antes disso ela mandou sabiamente os seus subordinados pra longe dali, ou todo respeito que eles nutrem por ela talvez fosse por água abaixo, para fazer companhia ao Deus Afogado que eles idolatram.
Cena bem escrita e bem interpretada por ambos. Até a Gemma Whelan surpreendeu. A atriz mostrou que mesmo a Yara – mesmo ela que aconselhou o Theon a tomar cuidado com as redes dos pescadores só para tirar sarro dele diante do pai em um episódio anterior – ainda pode ser uma irmã mais velha melhor que a Cersei Lannister
.

E vamos para lá da Muralha, vendo Jon Snow ser arrastado pelos selvagens em seus trajes de inuíte e reencontrar o patrulheiro e antigo companheiro de viagem, Qhorin Meia-Mão. Destaque para o Senhor dos Ossos e sua “armadura” super bem elaborada e detalhada. Parabéns para a equipe de direção responsável pelo trabalho muito bem feito. Os cenários da Islândia também são sempre uma maravilha. Quem não queria estar lá com aquela ruiva pra aquecer?

E por falar na ruiva, um comentário pra quem acha que a Ygritte é muito bonita para ser uma selvagem: Eu concordo, ela realmente é. Mas tentem ignorar a aparência dela por alguns minutos (difícil, eu sei) e prestar atenção no modo dela falar e agir… Ela é selvagem. E isso é um elogio.

Perceberam o peso que o nome Stark tem mesmo entre os selvagens? Os Stark sempre foram grandes irmãos da Patrulha, mas acredito que David e Dan tenham perdido a oportunidade de fazer alguma menção ao Benjen nessa cena. Vocês se lembram do Benjen, certo? Irmão mais novo do Ned, que desapareceu durante uma patrulha, o que foi uma das razões para a expedição dos corvos além da Muralha e mesmo assim o nome dele não foi dito uma única vez.

Essa é mais uma das cenas onde a atuação do bastardo, que deveria se destacar por ele ser o personagem “central” desse núcleo, acaba sendo inferior à dos colegas de elenco.

Seguimos então para as Terras Fluviais, onde Robb e Talisa retornam do Despenhadeiro. Toda essa conversa inicial entre eles serve mais como uma introdução para a posterior cena de sexo dos dois. Eles relembram o pacto feito entre o Robb e o Frey no nono episódio da primeira temporada, e ele menciona o Eddard – que é o que salva o diálogo.  E por falar na ponte dos Frey, o belo local usado como plano de fundo aí é, curiosamente, o mesmo que foi usado para filmar a cena das Gêmeas. Repararam no rio logo atrás?

E quando o Robb repreende a mãe por ter liberado o Regicida eu senti certa pena dela. Tudo bem que o que ela fez é traição, pois libertando o Jaime ela acabou enfraquecendo o filho e provocando a discórdia entre seus vassalos, mas morto o Regicida não teria nenhuma utilidade. E o Jaime ia mesmo morrer se ela não tivesse feito aquilo. Importante lembrar que tudo isso é fruto de um acordo feito entre a Cat e o Tyrion por intermédio do Mindinho, que foi falar com ela a mando do Duende (no capítulo 2.04), prometendo trocar o refém pelas filhas cativas na capital. Isso significa que ela não está necessariamente depositando toda a confiança dela no kingslayer, mas sim no irmão que, apesar de ser um Lannister, salvou a vida dela no Vale uma vez.
Então vemos Brienne livrando-se dos cavalos e mandando eles na direção contrária à que eles estavam seguindo para assim confundir os perseguidores que o Rei do Norte tinha colocado no encalço deles. Preciso dizer que esse primeiro diálogo entre ela e o Lannister foi genial? Com tom meio cômico, mas nada muito forçado. E a atuação de ambos foi muito boa. Tanto o jeito debochado do Nicolaj quanto o da Gwendoline, que é aquela mesma Brienne atrapalhada e desconfiada (porém firme) dos livros, prometem trazer bons momentos e até algumas risadas aos telespectadores.
Honor? Bitch, please…

Mas risadas de verdade saíram quando assisti a cena da Arya em Harrenhal escolhendo o nome do próprio Jaqen como terceiro e último da sua lista. O modo como ele quase implora pra que ela retire o seu nome e o modo como ela brinca com isso trouxeram à cena um ar de comédia que não me lembro de ter imaginado ao ler. Ainda assim o resultado foi interessante.

Nessa passagem também vemos personagens que estavam um pouco sumidos como o Rorge e o Dentadas, o Torta Quente, o Gendry e o Kevan. Alguém mais achou estranho o Tywin ter dito que partiria a noite quando na verdade acabou partindo meia hora depois? Provavelmente alguma falha do roteiro (ou do resenhista).
Depois das cenas de Winterfell, as cenas de Porto Real foram as melhores desse episódio, principalmente aquelas envolvendo o Tyrion, o Varys e o Bronn. Tenho que dizer que os três atores são geniais e tanto os diálogos quanto os personagens são muito ricos. O modo como tudo vai se encaixando naturalmente e de como uma coisa vai levando a outra na conversa entre eles é ótimo. Primeiro eles começam fazendo referência à nomeação do Bronn para o cargo de Comandante da Patrulha da Cidade (no episódio 2.02) e acabam chegando a conclusão de que talvez lançar as “fezes de porco” fabricadas pelos alquimistas à mando da Cersei na frota do Stannis seja a melhor maneira de defender a capital – que era o que o Duende estava buscando no início da cena. “Fezes de porco”, para aqueles que não entenderam a referência, foi o termo usado pelo Bronn para se referir ao fogovivo (no episódio 2.05).

 

E lá nas mãos dos selvagens, Qhorin conspira para infiltrar o Jon como um agente duplo dentro do exército inimigo. Então ele inicia uma briga com a clara intenção de apenas fazer com que os seus captores passem a duvidar da irmandade deles. E pela expressão da Ygritte, isso talvez tenha dado certo. Cena curta, mas bem dirigida e, principalmente, bem localizada. Os cenários (e a Rose Leslie) ainda vêm roubando a atenção nas cenas que envolvem o Snow e talvez isso seja até proposital, visto que até agora não vimos coisas muito importantes envolvendo o bastardo. Até agora…

Ainda no “verdadeiro norte”, de volta ao Punho dos Primeiros Homens, mais precisamente, Sam, Grenn e Edd Doloroso encontram objetos antigos de obsidiana (vidro de dragão) enterrados na neve enquanto cavavam latrinas. Nada de muito novo aqui fora o que foi encontrado, e que vai ser importante mais tarde. Edd Doloroso continua sustentando aquela sua cara de tédio clássica, o Sam continua empolgado em dar lições de história e o Grenn continua o Grenn.

Apesar de eu ter lido os livros, a cena de Tyrion e Cersei me deixou por um segundo na dúvida se ela não tinha mesmo descoberto o caso dele com a Shae, mas aí a Ros apareceu (coisa que eu também já esperava). Ver os dois trocando sarcasmos é normal, mas dessa vez a rainha quis ir mais longe, fazendo a Ros de refém no caso de algo ruim acontecer ao Joffrey na batalha acreditando que ela é a amante do irmão, o que realmente faz todo o sentido. Toda a relação da Ros (uma personagem que não existe nos livros) com o Tyrion foi bem trabalhada desde o início da série pra meio que acabar nessa parte. Lembram-se da primeira cena do anão em Winterfell? Quando ele aparece com ela no bordel e é interrompido pelo Jaime? Lembram-se do colar com o leão da Casa Lannister dado por ele que ela sempre usava e que, também na primeira temporada, foi motivo de uma pequena discussão entre ela e seu outro fiel cliente Theon Greyjoy?  Então.

O Tyrion, esperto como sempre, entra no jogo da Cersei, fazendo a irmã acreditar que a Ros é de fato a mulher que ele realmente ama. E a ameaça que o Tyrion faz a irmã é genial. Peter Dinklage é genial! Aliviado, o Duende então corre para os braços da sua Shae, e temos a primeira cena “romântica” do episódio. A cumplicidade entre o casal é bem interessante. A trilha sonora do Ramin Djawadi é boa, e bem adequada para cena.
E como já estavam no embalo, resolveram emendar com a cena do Robb e da Talisa. Repararam como o Roose Bolton sempre está presente quando eles se encontram? Enfim. Depois da história maçante sobre como a bela moça resolveu se tornar enfermeira, o Stark finalmente quebra o acordo feito com os Freys e cata a Talisa ali mesmo, no chão da tenda. Isso já era algo que todos sabiam que ia acontecer desde o primeiro momento em que os dois se bateram no campo de batalha. Espero que com isso tenha sido preenchida a cota de romance da segunda temporada para que possamos dar espaço ao que realmente interessa: Políticas, guerras, traições, sangues e afins.

O Jaqen então promete ajudar a Arya a escapar de Harrenhal (provavelmente ela não queria ser copeira da Montanha) em troca de que ela retirasse o nome dele da lista. E ele cumpre essa promessa. Arya, Torta Quente e Gendry fogem em uma cena que achei um pouco fraca se comparada ao que poderia ter sido, mas enfim. Mais uma lacuna preenchida.

 

Ver Stannis e Davos novamente depois de tanto tempo sumidos foi bom, principalmente por que o diálogo deles nos deixou ainda mais ansiosos pelo que está por vir. Apesar de muita gente detestá-los, o trio composto pelo Liam, o Stephen e a Carice foi uma das maiores revelações dessa temporada. E é sempre bom dar aquela parada para aprender um pouco de história, nesse caso a história da Rebelião de Robert e do Cerco à Ponta Tempestade, que sendo contada por atores tão geniais e que fazem tão bem seus personagens ficou muito bem acomodada na cena. Talvez essa parte tenha servido também para esclarecer de uma vez essa relação de confiança do Stannis para com o Davos, algo que já tinha sido explicado do ponto de vista do ex-contrabandista, mas que do ponto de vista do rei talvez tenha ficado um pouco “solto”, principalmente para o público de não leitores dos livros.

Ver alguém debochando do Joffrey é sempre bom, ainda mais se esse alguém for o Tyrion. O diálogo dele com o Varys nessa última cena serviu para suprir a falta que esses dois personagens – que apareceram menos do que deveriam na temporada – vêm fazendo para o público, e também para dar mais força à ideia de que “a guerra está chegando”. E agora realmente ela está.

“Onde está o deus das tetas e do vinho?”

 

A menção dos dois à “Mãe dos Dragões” do outro lado do mar serve de deixa para a cena da Daenerys, que nesse episódio foi colocada ali apenas para não dizerem que ela não apareceu e pra prolongar nossa espera pela tão ansiada Casa dos Imortais. Talvez os produtores quisessem nos poupar da desgraça de ver a cara feia do Pyat Pree em dois episódios seguidos, visto que no último episódio apareceu um exército de Pyat Prees na mesma cena e isso pode ter sido traumático para alguns. Vamos ficar só com a bela visão da Dany por enquanto e está bom. Nada dessa gente estranha de Qarth.
“Luke, my son”

E como no episódio anterior, nesse também terminamos em Winterfell, com o Theon amolecendo diante dos corpos carbonizados dos garotos enquanto o Dagmer “Vader” Boca Rachada continua incitando ele a ir para o “lado negro da força” e a fazer com que os outros paguem o preço de ferro por tudo. O fato de o Greyjoy querer comprar o silêncio do fazendeiro cujos filhos foram assassinados para que se passassem pelos Stark já nos dá a ideia de que tudo não passa de uma farsa. E quando vemos a Osha seguindo para as criptas onde o verdadeiro Príncipe de Winterfell e seu irmão se mantém escondidos, vivos, temos a nossa confirmação.

Houve críticas de que a cena foi mal montada pelo fato da Osha andar por Winterfell “livremente” como se nada tivesse acontecido. Bom, vamos lembrar que apesar de Winterfell ter sido invadida, as pessoas ali ainda são leais aos Stark e muitos provavelmente estão ajudando o grupo a se esconder dos homens de ferro. E se isso não for explicação suficiente, lembrem que a Osha é selvagem, o sneaking dela é level 100.

Essa cena final talvez não tenha funcionado muito bem pra mim pelo fato de que eu já li os livros e já sabia que o Bran e o Rickon estavam vivos. Queria saber o que vocês que não leram acharam dela. Ficaram surpresos? Esperavam que o mistério fosse durar mais ou, como eu, acham que a série deu tantas “pistas” que acabou sem querer já revelando tudo antes da hora, influenciando assim no impacto da cena? Os comentários estão aí pra isso.
E assim, o episódio termina, a história desacelera um pouco para deixar a promessa do grande ataque a Porto Real tomar a frente. O promo do “Blackwater” que a HBO exibiu no final me deixou mais empolgado do que qualquer outra cena do Prince Of Winterfell. Mas não que o episódio tenha sido ruim, pelo contrário, ele serviu de certa forma para colocar a história nos eixos. Só que foi um episódio tranquilo… Sem grandes acontecimentos.
Agora só podemos esperar pelo domingo e torcer para que a Batalha da Água Negra supere mesmo todas as expectativas. War is coming. 

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