Resenha do episódio 2.06 “The Old Gods and the New” (com spoilers)

A seguir, leia a nossa crítica/resenha do 6º episódio da segunda temporada que é de longe o que mais fugiu dos detalhes dos livros, o mais mal visto pelos fãs dos livros e o mais interessante em termos de linguagem cinematográfica também. O texto contém citação a algumas passagens dos livros que ainda não foram abordadas na série. Leia por sua conta em risco.

 O episódio começa de maneira muito tensa! Meistre Luwin se trancando dentro do celeiro pra tentar mandar um corvo as pressas direcionado ao acampamento de Robb. No pátio de Winterfell, muitos gritos e sofrimento. Sinceramente não sei como o velho conseguiu escrever aquela carta. Eu não conseguiria. Mas é claro, ele é um meistre, foi letrado na Cidadela, ele está mais do que preparado pra esse tipo de acontecimento. Se a gente for se deitar na história de Westeros, isso meio que acontece quase todos os dias. Mesmo assim, eu não sei quanto a vocês, mas eu mal conseguia respirar.

No quarto de Bran, Theon acorda o príncipe dizendo que está tomando Winterfell. Bran fica com cara de “SAY WHAAAAAT?!” e pergunta porque raios ele faria aquilo. A cena, assim como no livro é toda bem ridícula do ponto de vista que Theon é um cara bem ridículo, a gente o odeia e tudo mais. Eu me lembro que antes de ter lido Fúria dos Reis a única coisa que todo mundo me falava era como Theon era o personagem mais odiável da saga. Aí está. Não só por ele ter virado a casaca, mas por não fazer absolutamente nada direito. É tudo torto, estranho, mal feito. Aos que estão criticando a adaptação do personagem pra TV nessa temporada, peço desculpas mas pra mim ficou perfeito. Ele é isso mesmo. Esse grande saco de bosta. Não me venham com “mas no 5º livro…” porque Theonnão é um produto do seu meio. Ele é ruim e pronto:

Do lado de fora do pátio chove e Bran anuncia a seu povo que ele cedeu o castelo ao “Príncipe Theon“. A indignação das pessoas é mostrada através de Farlen (mestre do canil) que amaldiçoa o ironborn e (somente ele) apanha por isso. Nesse ponto a série se mostra indifirente a lealdade e força do povo de Winterfell. Nos livros, enquanto cativos, os winterfellas tentam a todo momento sabotar Theon matando seus seguidores na surdina e etc. Enfim, talvez isso ainda seja mostrado mais pra frente… E então Lorren Negro chega trazendo um cativo: Sor Rodrik. O nortenho está putíssimo com o garoto que ele ajudou a criar e mostra seu desgosto em relação a ele através de palavras pesadas e magoadas. Os dois discutem por um momento e Rodrik acaba cuspindo na cara de Theon, que é convencido por Boca-Rachada a matá-lo. A cena é medonha: com uma espada Theon golpeia diversas vezes o pescoço do Rodrik até consguir decepá-lo enquanto as crianças se mostram desesperadas. Fico aqui imaginando que até parece que Summer e Shaggydog teriam deixado isso acontecer… Como em outras tantas cenas da série, muitos personagens são substituídos e têm seus fins antecipados. Escrevo esse parágrafo com muito pesar. Foi muito intenso, né? Em todos os sentidos.

Arya ainda está em Harrenhal servindo ao Leão e é revelado que Ser Armory Lorch é uma anta e cedeu segredos de guerra sem querer para os nortenhos. Tywin descobre que Arya sabe ler, fica cismado e tenta saber mais sobre o passado da garota. E então é anunciado que Mindinho chegou para falar com ele. Mindinho provavelmente deve ter alguma magia que o faz se deslocar de Porto Real para Ponta Tempestade e de Ponta Tempestade para Harrenhal em tipo… 6 dias? Que geografia bizarra é essa? Mas enfim, Arya está pisando em ovos com medo de ser reconhecida. E ao que tudo indica, ela foi. Mindinho provavelmente tem seus motivos loucos pra guardar esse segredo, tudo o que diz respeito a Harrenhal está sendo novo em relação aos livros, mas as motivações de Mindinho estão sendo pouco a pouco antecipadas (leia os livros 3 e 4). A gente observa no Twitter que as cenas de Harrenhal são as que mais prendem a atenção de todos. Pois é, a nossa também.

Ao norte da Muralha temos Jon, Meia-Mão e mais três patrulheiros procurando os selvagens. Enquanto Fantasma segue de longe ignorando seu dono, eles capturam dois locais vestidos com roupas pesadinhas e… né? Muito limpinhas para um selvagem, mas tudo bem. Um deles é morto por uma flecha dos patrulheiros e o outro… é uma garota. Bela. Ruiva. Sortuda! Qhorin tenta questioná-la sobre o que os selvagens estão aprontando, mas a garota é esperta e cheia de princípios: ela sabe exatamente quem ele é. Jon fica então encarregado de matá-la e eles ficam sozinhos.

E é claro que ele falha. E de novo. E de novo. Em uma última tentativa ele aponta a espada diretamente pra garganta da moça que a essa altura já sacou que ele não tem a moral e cortamos para a cena seguinte.

Finalmente a cena da partida de Myrcella e do tumulto em Porto! Enquanto o Alto Septão abençoa e única filha de Cersei em sua partida para Dorne, rainha e filha choram (Myrcella dos livros não chora, e o autor faz questão de deixar isso bem claro). No caminho de volta para a fortaleza, muita gritaria e confusão: um popular taca um pedaço de cocô fedorendo na cabeça de Joffrey enquanto vários outros fazem troça dele, chamando-o inclusive de bastardo. O rei manda imediatamente que os guardas matem o culpado. Tyrion sente que vai dar merda e manda que os guardas fujam com Tommem imediatamente.

Os guardas e o Cão dão início a violência contra o povo e começa a confusão. Sansa e algumas garotas nobres (Lollys?) são deixadas para trás. Os populares estraçalham o Alto Septão, puxando seu braço pra fora do corpo. Eca! Os outros conseguem correr a tempo de volta para segurança. No castelo Tyrion estapeia o rei e grita com ele dizendo que o povo faz isso porque a guerra faz que passem fome. A “fome” do povo poderia sem dúvida ter sido mostrada pouco a pouco nos episódios anteriores. Esse aspecto ficou recortado, caricato. Esse é o problema de uma série baseada em um livro com personagens tão polarizados: fica extremamente difícil visualizar o todo.

Sansa é pega por uma gangue violenta que pretende abusar dela, literalmente em um beco sem saída. A cena é absolutamente forte. Nunca imaginei que Sophie Turner fosse dar conta do recado de uma cena dessas (que não existe nos livros, aliás) com tão pouca idade. O que torna tudo mais intenso é que foi muito… real. Todas as meninas que estão lendo essa resenha agora precisam concordar comigo: deu pra se sentir um pouquinho no lugar dela. Sentir o medo, o pavor, o horror, o nojo. A maneira como nesse universo a mulher é literalmente vista como um pedaço de carne, pronto pra ser violado.

Para o nosso alívio, o Cão chega pra o salvar dia resgatando Sansa antes que o pior aconteça, matando geral e levando seu troféu pra casa. “You’re all right now, little bird, you’re all right”. Go Hound! E enquanto isso tudo acontece, o bicho continua pegando feio nas ruas. Outras moças não tiveram a mesma sorte que Sansa… (Lollys Stokeworth?).

Em Qarth, Dany veste sua melhor roupa pra mendigar navios pro rei das especiarias. Emilia Clarkeleu todos os livros, vocês sabem. E ela está fazendo de tudo pra dar aquela interpretação fiel a Daenerys, e toda hora rolam aquelas frases de efeitos dos trailers: “Dragons!” “Fire and Blood!” “I’ll take what is mine!” e blá blá blá… mas o rei das especiarias é um cara muito louco e não está nem aí pra ela. Ele entende que ela ainda é imatura e que precisa de aliados, força. E no final das contas se nega a investir na guerra dela.

De volta para a amaldiçoada Harrenhal, Arya encontra em cima da mesa dando sopa uma carta que cita o nome de Robb. Ela rouba a carta enquanto distrai Tywin que a está tendo seu momento emo falando sobre seu pai, e como ele era um bosta (se você não leu os livros… leia, porque Tywin se transformou em quem ele é por causa do pai, é uma história muito bacana). Ela sai pra ler a carta escondida e fica sabendo que Tywin, resumidamente, está tentando montar uma emboscada foda contra o irmão dela. Ela sai correndo desesperadamente sem saber o que fazer e acaba esbarrando com a anta do Armory Lorch que descobre que a garota roubou a carta. Ela foge dele e, enquanto ele procura por ela no meio da galera igual a um peru tonto, ela consegue achar Jaqen (depois de confundi-lo com vários outros figurante ruivos de farmácia) e pede sua segunda morte:

Sensacional. Armory Lorch cai morto na porta de Tywin, segundos antes de revelar o que a garota estava aprontando. Roteiro awesome, humor awesome, tensão awesome. Excelentes mudanças. A gente sabe que as circunstâncias da morte de Lorch seriam muito mais brutais: comido por um urso a mando de Vargo Hoat e Roose Bolton. Ele inclusive viraria castelão de Harrenhal depois que Tywin parte e antes de morrer, lembram-se? Prefiro mais essa versão.

No acampamento de guerra do norte, Robb reencontra mamãe e conhece Brienne. Cat conhece a misteriosa Talisa e faz essa icônica expressão da foto acima (que já virou meme, procurem no Tumblr). Talisa é bela e Robb fica pra lá e pra cá com seus cachos ruivos, encantado com a moça. Fica no subtexto dessa cena que Talisa talvez seja uma espiã. Cat lembra ao filho que ele já tem uma noiva e eles são interrompidos por Roose Bolton, que tem notícias de Winterfell 🙁

Nas terras geladas Ygrittefaz Jon se perder dos amigos. Ele a amarra e os dois dormem de conchinha para não morrerem de frio ~~~

De volta ao acampamento de Robb, o jovem lobo mal consegue acreditar no que lê. Bolton confirma tudo, dizendo que corvos chegam de todos os lugares com a notícia. Em meio a muita discussão, Bolton diz a frase que deixou todos os fãs com o mais profundo e gelado dos medos:

Fodeu. Ramsay Bolton/Reek/Fedor is coming (embora ele não tenha sido escalado para essa temporada).

Em Winterfell, Osha dá uma boa noite de sono a Theon (nudez do dia que acabou com a infância dos fãs de Harry Potter). Esse papel é originalmente da cozinheira Palla nos livros. Quando ele dorme, a garota sai na calada da noite, mata um guardinha e abre os portões para que a turminha do barulho fuja: Bran, Rickon, os lobos, Hodor e, claro, ela.

Em Porto Real, Shae cuida dos ferimentos de Sansa que acaba dizendo que odeia o rei. Shae a repreende dizendo que ela não deveria falar essas coisas, nem mesmo para a própria criada (dando a entender que Shae não é de confiança). Eu gosto tanto da Shae nos livros…

E a última e tão comentada cena fica por conta de Dany em Qarth que, ao voltar aos seus aposentos, descobre que os guardas de Xaro foram assassinados, juntamente com Irri. Além disso, pois é, alguém roubou seus dragões. A cena corta para uma figura misteriosa levando os dragões para uma iminente torre: A Casa dos Imortais.

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A gente sempre bate na tecla de que a série é uma adaptação e de que a abordagem dos produtores está sendo super válida porque no final das contas o núcleo da história continua intacto, só alteram-se os detalhes aqui e ali. Mas no que diz a respeito aos espectadores que não estão interessados nos livros, vejo sempre eles muito perdidos, agarrados em detalhes que não importam e etc. E esses detalhes que não importam são as coisas que só vemos na TV (principalmente personagens que serão excluídos em poucos dias, como o núcleo de Qarth e Harrenhal, e as raras aparições de Gendry, Torta Quente, Rickon. Esses caras deveriam ser mais importantes do que Xaro. Sor Jorah deveria ser mais importante do que ele, falar e aparecer mais e etc). As pessoas em Porto Real deveriam estar se perguntando, desde o começo da temporada, onde se meteu Barristan, O Ousado.

Eu sinceramente acho que não importa onde estão os dragões. Porque vocês ficaram tão preocupados com isso? É um detalhe bobo que será resolvido na cena da Casa dos Imortais, e Dany partirá de Qarth com os três em breve.

“The Old Gods and the New” é um episódio que tem uma das cenas mais marcantes dos livros (tomada de Winterfell e tumulto em Porto real). A cena de abertura, inclusive é uma das melhores da recente história da série. Que tensão! Infelizmente a série tem mostrado um pouco de falta de cuidado na continuidade das cenas, que cortam bruscamente de clímax pra… absolutamente nada. Mas no caso, o “absolutamente nada” sempre tem o seu sabor, com as lindas paisagens das locações que mostra o visível esforço da produção em fazer cenas belas de se assistir.

Se alguém aí nos comentários tiver uma boa teoria sobre o motivo do nome do episódio ser este, por favor, compartilhe conosco.

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