Resenha de “A Tormenta de Espadas”

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Olá… então, segue uma resenha do terceiro volume das Crônicas de gelo e fogo. Talvez não esteja apropriada para uma obra com as dimensões de “A Tormenta de Espadas”, tão extensa e magnífica. Mas é isso, espero que gostem! ;)


ATENÇÃO: Contém SPOILERS do livro 3 “A Tormenta de Espadas” e pode conter SPOILERS dos dois livros anteriores, bem como da primeira temporada de Game Of Thrones. (Os comentários também estão cheios de spoilers!!!)
Você foi avisado!

Em continuação da sua maravilhosa saga, George R. R. Martin propicia aos leitores mais um show de genialidade e criatividade. O terceiro volume funciona como se finalmente as peças do jogos fossem colocadas em seus respectivos lugares do tabuleiro, dá a sensação de que a partir daquele ponto os jogos finalmente começarão, sob o espectro do inverno que está chegando.
Westeros encontra-se em completo caos, a disputa pelo trono se intensifica. Daenerys se fortalece com as experiências pelas quais passa, limita seu círculo de confiança e conta com a mágica presença dos seus três dragões, além de um exército imbatível.

Paralelamente, Martin não economiza em puerilidade, arrogância e maldade para seu personagem Joffrey. O garoto ignora completamente as necessidades gritantes do Reino e limita-se a seguir com joguinhos cruéis e inúteis, ganhando a antipatia de todos, principalmente de Tyrion.
Os casamentos serão marcantes neste volume. Eles representam as diversas alianças estratégicas que serão forjadas. O matrimônio entre Joffrey e Margaery Tyrrell foi uma delas e fez com que os leitores vibrassem com emoções conflitantes.
Um outro ponto interessante de “A tormenta” é que nos é apresentado novos aspectos- negativos ou positivos- das personalidades dos personagens. O corajoso e imponente Rei do Norte, que até então não havia perdido batalha e avançava ameaçadoramente, pôs em risco sua coroa e a própria vida com a tomada de decisões equivocadas. Percebe-se a total transformação de Robb quando ele deixa de lado o seu mais fiel amigo e protetor. Como consequência, Martin brilhantemente surpreende a todos com o desfecho do casamento vermelho.
Outra novidade é a introdução do ponto de vista de Jaime. Ele, que anteriormente era visto apenas como um vilão cruel e cínico por muitos, conseguiu despertar compaixão e simpatia através de algumas atitudes e confissões. Em contrapartida, sua irmã e amante parece estar inclinada a sucumbir em um poço de ambição, egoísmo e loucura, é como se a única coisa que separa Cersei da desumanidade fosse a relação que nutre com Jaime.
Concomitantemente, temos um personagem que até então tendia para a neutralidade e, neste volume, revela sua face manipuladora: Mindinho. Suas tramas e revelações levam a concluir que ele é peça fundamental para o desfecho do jogo, no entanto, como nas “Crônicas de Gelo e Fogo” tudo é possível, não me surpreenderia se ele não passasse de mais um peão que será usado e descartado. Ned que o diga. Além disso, a inteligência e riqueza de Tyrion não foram suficientes para evitar os infortúnios pelos quais o personagem passa.

Oh, deuses – disse Tyrion. – Jaime, desculpe, mas… pela bondade dos deuses, olhe para nós dois.
Maneta e Narigueta, os rapazes Lannister.

Todos os acontecimentos dão a impressão de aleatoriedade, o autor parece “brincar” com o destino dos personagens. Hoje você tem o trono, amanhã uma espada no meio do pescoço. Para quem gosta de grandes emoções e supresas, esse é o livro perfeito.
Com as duas irmãs Stark não é diferente, as peripécias de Arya encantam e comovem durante toda a história. Ela claramente torna-se mais forte e esperta, mas parece estar presa num ciclo sem fim. Sansa, apesar de algumas reviravoltas, também tem um futuro incerto. Ambas tem em comum o sofrimento e a solidão(as mesmas perdas, inclusive Lady e Nymeria e ninguém em quem confiar), a diferença é que uma delas criou uma máscara e se revestiu de frieza e indiferença, talvez na tentativa de evitar se machucar mais.
Melisandre e Davos também ganham espaço no terceiro volume, esses dois nitidamente se opõem em alguns momentos, mas tem em comum uma espécie de devoção por Stannis. Melisandre, ao longo do livro, mostra-se uma personagem misteriosa e polêmica, o leitor pode considerar a possibilidade de que ela interprete algumas visões da maneira errada. Mas ela continua alertando sobre o perigo que está por vir, quando todos terão que lutar contra o Outro. Quanto a crença dela de que Stannis é a figura messiânica de R’hllor na profecia Azor Ahai, o sábio, embora cego, meistre Aemon levanta uma suspeita consistente contra.

Dentre as experiências incríveis que a obra proporciona, as peripécias de Jon e Sam são particularmente interessantes por nos levar ao mundo para-lá-da-muralha. Aqui a fantasia é evidente e contagiante, conhecemos os gigantes, o diferente modo de vida dos selvagens, os tão misteriosos Outros e muito mais. É um mundo novo, desconhecido e temido. As batalhas entre os selvagens e os “corvos” causam aflição pela sensação de que eles insistem em combater o inimigo errado e estão desperdiçando suas forças, quando na verdade deveriam guardá-las para o inimigo em comum.

O confronto entre Lord Beric e Sandor Clegane, com a figura de Thoros de Myr, não fica atrás, é uma luta incrível e o que vem depois é sensacional. Thoros de Myr ressuscita Beric Dondarrion e, como se não bastasse, no final do livro nos é revelado que ele fez o mesmo com Catelyn Stark, após o casamento vermelho. Do primeiro ao último capítulo, supresas, decepções, tristeza, alegria, esperança, nostalgia e muitos outros sentimentos inundam os corações e mentes tanto dos personagens quanto de quem lê. Todas as histórias estão intrinsecamente ligadas e permeadas de lógica, perspicácia e muita criatividade. É isso que torna as obras de Martin tão mágicas e apaixonantes.

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    Cara, acho q Sansa vai deixar de ser Sonsa e virar uma otima jogadora com certeza, o que aparentou no final do livro foi q, finalmente, a ficha caiu e ela começou a agir como uma jogadora. O melhor jogador é o Professor Midinho hehehehe… Se bem q para ter as aulas ela terá “ficar” com ele já q com certeza ele irá querer Winterfell

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    kkkkkkkkkkkkkkk.. Com certeza rsrsrsrs…. Acho q o Martim ja fez essa historia de trocar as cabeças para o pessoal não ter a ideia de “Ah! Vamos levar o Thoros para ressucitar o rei!!!!” Ele queria tirar Robb da historia e PONTO. Não acham?

  • http://www.blogger.com/profile/03859281609850815471 Lidiany CS

    Bran esta na Torre da Rainha (Local: Região chamada “Dádiva” fica proxima a muralha) Jon havia atravessado a muralha com os selvagens e estava acampado na vila logo a frente da Torre da Rainha onde Bran estava acampado. Porém Verão esta fora da torre e Bran ve Jon atraves de Verão e ajuda ele atacando os selvagens e dando a oportunidade de Jon fugir. 

  • http://www.facebook.com/vinicius.gabriel.503 Vinícius Gabriel

    Concordo com quase tudo q vc disse disse, menos a part do Jon. A Dany foi espetacular nesse livro, Tyrion foi mto melancolico diferente do 2 livro, e a minha Sonsinha….. viiish, mto foda, terminei faz 1 mes

  • Karen

    Sério, eu não entendo essa resistência que mta gente tem em relação a Catelyn. Não acho que ela fudeu com a família não. Ela pode ter incentivado Ned a ir a Porto Real, mas fez isso pq achava ser o correto, e no final ele foi pq ele quis. Até parece que um cara como ele ia fazer a vontade da mulher sem achar que aquilo era o certo. E ele se fode em Porto Real pq não sabe lidar com aquelas pessoas no jogo dos tronos, pq confia em quem não deveria.
    Tá, ok que ela nunca gostou do Jon, a gt vê como isso refletiu nele, como ele se sente excluído da família, inferior em relação aos irmãos, no modo como ele foi criado, de ele não ter uma figura materna… etc. Mas não odeio a personagem por isso. Entendo que toda vez que ela olhava pra ele ela via ali a traição do marido. Tem gente que consegue perdoar e levar em frente? Tem. Mas tem gente que não. Ela não conseguiu, e nem acho que esse seja um defeito muito condenável. Se for pra comparar, Jaime fez coisas mtu piores e as pessoas gostam dele – eu tb gosto. E acho tb que ela sofre bastante. O suficiente pra pagar por todos os pecados dela. Dá pra ver como ela fica desolada depois de perder os filhos, uma mãe não é mais a mesma depois de um baque desses. E no caso dela ainda tiveram as perdas do pai e do marido.

    O livro é mtu bom, mas achei meio arrastadinho no começo. Melhora lá pela metade, um pouco antes do Red Wedding e engata de vez. Não foi surpresa pra mim, já sabia do casamento e da morte dos Starks. E não gostei. Adoro a Dany, ela é minha personagem preferida, mas amo os Starks. Todos eles. Não queria que Robb morresse, via nele um bom rei e gostava da ideia do Jovem Lobo abater todos os seus inimigos e ganhar a guerra. Mas né, tinha que fazer merda e o castigo veio a galope.
    As mortes de Joffrey e Tywin me surpreenderam, apesar de que, já esperava pela de Joffrey, já que Stannis fez aquela macumba lá com as sanguessugas e os Reis foram caindo feito maçã podre. Mas com Tywin meu queixo caiu. Ainda mais sendo por Tyrion, adorei !
    Uma das melhores coisas do livro é Dany em Astapor, mas tb já esperava que ela ia mandar os Imaculados tomarem a cidade. Isso meio que fica implícito qd ela pergunta pra Missandei se eles a obedeceriam inclusive contra os seus antigos mestres.
    No mais, comecei a gostar do Jaime (já virou um dos meus favoritos depois dessa limpa de personagens), acho que Aerys mereceu morrer e entendo as razões de Jaime pelo regicídio. Ele só tem que enxergar de uma vez por todas quem é a peste da Cersei. Aí eu vou amá-lo de vez ! haha Mas acho que isso é questão de tempo.
    Agora, o mais chocante pra mim, sem dúvidas nesse livro, foi Cat-zumbi ! Não sei se gostei. Vai depender do estrago que ela fizer ! hahaha