Sobre a tradução dos livros para a língua portuguesa

Eu encontrei no fórum da editora Saída de Emergência, que lançou A Crônicas de Gelo e Fogo em Portugal, alguns comentários interessantes do tradutor Jorge Candeias.
Nesse tópico são expostas algumas dúvidas ou questões ao tradutor sobre alguns aspectos da tradução. Achei o tópico interessante por que mostra alguns aspectos da tradução que eu particularmente não conhecia:
1 – a tradução dos títulos foi opção do editor e não do tradutor;
2Meistre, no original, é “maester“. “Maester” é também neologismo, que Martin derivou, provavelmente, de “maistre”, em francês arcaico, juntando-o ao inglês “master”, ambas palavras derivadas de “magister”, em latim, tal como “mestre”, “maestro”, “magistério”, etc. Para a tradução portuguesa ele procurou um bom equivalente em português arcaico, mas só encontrou “magíster”… que não pôde ser usado por causa do Magíster Illyrio (no original: Magister Illyrio). Por isso, ele aportuguesou a palavra inglesa. 
Septão, septã e septo, em inglês, são “septon“, “septa” e “sept“, respectivamente. É um conjunto de neologismos criados pelo Martin, que vêm da palavra francesa para “sete”: “sept“.
Quanto a cranogmano, o original é “crannogman“. Os “crannogmen” da vida real são habitantes dos “crannogs”, palavra de origem céltica que designa antigas habitações ou fortes irlandeses construídos em ilhas artificiais em lagos ou pântanos. Não há palavra portuguesa para designar tais pessoas, e, entre aportuguesar a palavra usada pelo Martin e usar construções como “povo dos pântanos”, ele preferiu a primeira opção.
3 – Por que Ser/Sor e não Sir?
No original em inglês não é “sir”: é “ser”. Mais um neologismo criado pelo Martin, obviamente com base no “sir”. O “sor” da tradução segue a mesma lógica, “adaptando” senhor.
É interessante como até hoje, muita gente ainda insiste em querer trocar o Sor/Ser por Sir e insiste que está errado. Mas não está, taí a explicação é um neologismo! 
Na época do lançamento do livro “A Guerra dos Tronos” no Brasil houve muita polêmica em torno da versão brasileira estar em português de Portugal, quando o tradutor soube disso ele se pronunciou em seu blog e comentou o assunto.
Na minha opinião, o livro não ficou ilegível, mas a falta de revisão foi visível e chato, tanto que mudaram na segunda edição. A editora poderia ter evitado isso, como o próprio tradutor sugeriu, apenas revisando o livro.   
O tópico está ativo lá no fórum e até hoje o tradutor continua respondendo os fãs leitores.
Se vocês tiverem interesse,este é o blog: A lâmpada mágica, e o twitter dele: @jorgecandeias.
No momento, ele está traduzindo A Dance with Dragons.


Só para registrar: “A Guerra dos Tronos” e “A Fúria dos Reis” no topo da lista de livros de ficção mais vendidos da Veja
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