BlueBolt assume os efeitos visuais de Game of Thrones

Atenção: próximo do final do texto, há spoilers!

Lucy Ainsworth-Taylor supervisionou e produziu vários trabalhos de efeitos visuais quanto ela estava na londrina MPC, também conhecida como Moving Picture Company. Mas, surpreendentemente, ela desenvolveu pouco na área de fantasia durante esse tempo, muito embora essa área seja conhecida pelo uso de pós-produção, green screen e blue screen, entre outros. Bem, a não ser que você conte os efeitos que ela produziu para Big Fish, do Tim Burton.

Adam McIness trabalhou na composição de alegorias de fantasia em filmes do Harry Potter, entre outros, asism como Angela Barson, que também supervisionou e fez seu caminho não somente por algumas das histórias do jovem feiticeiro, mas também numa parte da série Narnia.

Agora este trio de ex-alunos da MPC se juntaram para formar a BlueBolt, uma nova empresa de pós-produção e efeitos visuais e, já de cara, abraçaram um dos principais trabalhos em efeitos visuais da “alta fantasia” dos efeitos dos últimos anos, a supervisão do mundo alternativo da adaptação da HBO de Game of Thrones, o primeiro romance da saga “As Crônicas de Gelo e Fogo” de George R.R. Martin. A saga, que fala de intrigas sombrias no reino de Westeros, consiste de quatro livros publicados e outros ainda a caminho, e a série atual cobre somente o primeiro livro.

O trio da BlueBolt estaria ocupado por um tempo. O Below the Line conversou com eles para descobrir como era estar trabalhando em um projeto tão grande.

“Criativamente, um filme é liderado pelo diretor”, disse Ainsworth-Taylor. “Na televisão [tudo] é completamente liderado pelos produtores e executivos da HBO. Nós tivemos uma preparação de seis semanas antes de uma sessão de seis meses de gravação que foram desafiadores.” Houve alguma preparação com rascunhos e episódios filmados fora da ordem, junto com “8-10 re-escritas antes de e durante a filmagem de cada bloco, frequentemente exigindo mais efeitos visuais não-orçamentados. Para mim, em particular, sendo a produtura de efeitos visuais de todo o show, eu tinha um orçamento muito restrito e frequentemente eu tinha que aconselhar os diretores e produtores a respeito de como eles poderiam lidar com várias filmagens durante as etapas iniciais. Alguns dos episódios tiveram bem mais efeitos visuais que outros, então embora nós tenhamos começado com um orçamento por episódio, ficou claro na pós-produção que alguns eram mais e outros se tornaram menos”.

Castelo de Winterfell de Game of Thrones

A supervisora de efeitos visuais do show, Angela Barson, também fala das diferenças entre lidar com TV e com filmes: “uma das grandes diferenças entre trabalhar numa série de televisão vs um fime é a hierarquia de pessoas que precisam autorizar uma tomada. Em um filme, nós normalmente precisamos ter autorização de um supervisor de efeitos visuais e então do diretor. Aqui nós temos cerca de 10 níveis diferentes de produtores, co-produtores, produtores executivos etc., e todos eles precisam aprovar.” Mas essas voltas extras não afetam a qualidade do trabalho já que, ela comenta, “uma coisa boa em trabalhar numa série de TV da HBO é que o nível de qualidade esperado dos efeitos visuais é a mesma alta qualidade de um trabalho num filme.”

Para o outro supervisor de efeitos visuais, Adam McInness, muito do processo tem a ver em encontrar as thru-lines do trabalho, enquanto se lida com “os diferentes estilos e abordagens de cara diretor e seus DPs. Alguns são mais abertos a sugestões e a nos deixar tomar as rédeas para conseguirmos o que precisamos e fazer com que uma tomada funcione. Eu estava sempre consciente de manter o diálogo e encorajar os diretores a fazer o melhor uso dos recursos dos efeitos visuais.” Em última análise, McInnes sentiu a nacessidade de tentar e desenvolver uma thru-line criativa “agrupando, registrando e populando um banco de dados de toda essa informação,” já que “acumular conhecimento, ideias e dados singificaria segurar esses pensamentos por muitos meses, devido a se estar filmando fora de ordem, antes de finalmente ter a chance de usá-los na pós-produção”.

Mas eles usaram, construindo aos poucos um mundo visual consistente em Westeros, trabalhando com os conceitos fornecidos pela designer de produção Gemma Jackson que, repara Ainsworth-Taylor, eles expandiram para “fazer sua geografia funcionar quando nós estivéssemos dentro destes castelos e reinos. O Ninho da Água sempre foi pensado como sendo um castelo impenetrável no topo de um alto rochedo e originalmente nós iríamos usar as Montanhas Zhangjiajie na China, mas em decorrência das tomadas-base estarem sendo feitas na Irlanda, foi melhor para nós usar as formações rochosas de Meteora, na Grécia.

Angela Barson (esquerda) and Lucy Ainsworth-Taylor.

“Para cada ambiente,”, Barson adiciona, “nós saímos e filmamos as paisagens-base assim como texturas a serem usadas para as construções. No final das contas, nossa equipe da BlueBolt teve que filmar bases e texturas em Malta, na Irlanda do Norte, Grécia, Finlândia e Escócia.”

“Nos nossos mundos,” encerra McIness, “a fantasia é muito aliecerçada na realidade… evitando movimentos da câmera e usando referências reais da natureza e de arquitetura como uma base. Esta é a forma como nossos produtores desejam, já que os livros são escritos em POV (ponto de vista), e na verdade ficam muito bem nessa escala de orçamento. Por exemplo, não dá pra proporcionar movimentos de câmera de um helicóptero sacudindo sobre exércitos agrupados e castelos mesmo caso essa fosse a vontade.”

Ainsworth-Taylor ainda gosta de contar algumas das suas cenas favoritas da série: “A tomada de abertura dos cavaleiros ao norte da Muralha é incrível. O projeto do ambiente 2.5d do Castelo de Winterfell na chegada do Rei ainda me impressiona. A linha entre o real e a CG é totalmente invisível.”. E ainda há trabalho por vir.

(spoilers – clique para exibir por sua conta e risco!)

“Os Dragões ainda estão em andamento,” ela nos conta a respeito das criaturas vistas próximas do fim da história, “mas eles serão nosso Canto do Cisne de um fim para os efeitos visuais da primeira temporada.”

E talvez algo como uma excelente entrada para a recentemente anunciada segunda temporada.

Fonte: Below the Line – BlueBolt takes on VFX in Game of Thrones.

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